Um site para quem precisa da Verdade
ARTIGOS (Robustecendo a Fé)
O grande e único Eleitor

Mauro Clark


Resolvi divulgar o texto da mensagem que pretendo pregar no culto noturno da Igreja Batista Luz do Mundo, no próximo domingo, dia 26.

O fato da eleição já ter sido encerrada àquela altura não tem importância, pois as lições que a Bíblia ensina em nosso texto independe do resultado nas urnas.

Por outro lado, como ainda faltam dois dias para a eleição, fica a oportunidade para, quem quiser, avaliar o seu candidato à luz dos princípios bíblicos apresentados.

Que Deus abençoe este grande País!

Mauro Clark

-------------------------------------------------

 

O grande e único Eleitor 

Romanos 13.1-7

 

Paulo dedica 7 versículos para falar da autoridade civil e como o crente, como cidadão, deve se portar com relação a ela.

Evidentemente não foi à toa que escolhi esse texto para hoje, considerando que dentro de alguns minutos saberemos quem será o nosso Presidente para os próximos 4 anos.

E isso num clima meio tenso, em que as convicções envolvidas são opostas e acirradas.

 

Em vez de seguir versículo por versículo, preferi dividir a exposição em 5 partes lógicas:

 

1) Aos olhos de Deus, em que se constitui a autoridade civil

* É alguém escolhido por Deus para exercer um poder concedido por Deus. (versículo 1b)

Daí o título desta pregação: o grande e único Eleitor. Deus elege sozinho a quem quer!

* É alguém que executa algo que Deus instituiu (versículo 2a).

* É ministro de Deus (versículos 4 [2 vezes!] e 6).

Guarde isso: três vezes a autoridade civil é chamada de ministro de Deus.

ministro: no grego, διακονος diakonos: servo, que trabalha em favor de outro

* Deus chamou Nabucodosor de “meu servo”: Jeremias 25.9;

* Veja como Deus chamou Ciro, o rei medo-persa: meu pastor - Isaias 44.28, ou seja, designado por Deus para pastorear, tomar conta de Israel, permitindo o retorno do exílio.

 

O prefeito de Fortaleza é ministro de Deus.

O governador do Ceará hoje, e o próximo, são ministros de Deus.

Os vereadores, os deputados, os senadores, são ministros de Deus.

Os juizes, os desembargadores são ministros de Deus.

A presidente da República hoje é ministra de Deus.

O próximo presidente  - ela própria ou o seu oponente - também será ministro de Deus.

 

O presidente Obama e o ditador Fidel Castro são ministros de Deus.

Winston Churchill e Adolf Hitler foram ministros de Deus.

 

Isso pode parecer estranho, mas não significa que todos esses são filhos de Deus, salvos pela fé em Cristo.

Mas apenas que são servos de Deus, com uma missão recebida por Ele para cuidar dos interesses da população sob suas respectivas jurisdições.

 

A autoridade pode também se constituir num grupo de pessoas, em vez de uma só.

Exemplo: Qual a autoridade individual no Brasil que pode fazer leis? Nenhuma.

Só o Congresso, conjunto dos Senadores e Deputados Federais.

No caso, o Congresso como um todo é uma autoridade coletiva.

 

2) Quais as responsabilidades da autoridade civil

* Trabalhar para o bem do cidadão - v.4a

O poder que cada autoridade tem deve ser totalmente canalizado para a melhoria de vida da população - não apenas no aspecto econômico-financeiro, mas físico, moral, etc.

Interessante: as autoridades de cargos eletivos entendem bem essa responsabilidade. Basta ouvir um discurso de campanha: cada candidato será o maior benfeitor que a sociedade já viu!

O fato de não cumprir depois de eleito, não tira a responsabilidade pelo que prometeu.

 

* Não causar temor aos cidadãos de bem - v.3a

O primeiro sinal de que há um ditador, ou um déspota, ou um tirano no poder é quando cidadãos decentes e corretos começam a se sentir inibidos ou amedrontados por ele.

Um governo aprovado aos olhos de Deus deve ter a característica de transmitir um clima de liberdade, de bem estar à população.

 

* Louvar quem faz o bem - v. 3c

Mas apenas não intimidar os cidadãos de bem, é pouco.

A autoridade fiel aos padrões de Deus encontrará maneiras de prestigiar quem faz o bem.

A boa conduta deve ser incentivada, promovida, para que se crie uma roda viva em que os cidadãos estimulam uns aos outros na prática do que é decente e digno.

 

* Causar temor aos cidadãos que fazem o mal - v.3b, 4b

Esse é um ponto interessante e especialmente dolorido nesta época atual, de grande insegurança e violência desenfreada.

Os próprios especialistas dizem que um dos principais motivos desse clima infeliz é a impunidade.

E o que é impunidade? Obviamente, é a falta de punição.

Se não há punição, não há temor por parte do malfeitor - o contrário do que Deus deseja!

Conforme estamos vendo nas Escrituras, o bandido, o fora da lei, o criminoso deve se tremer de medo do rigor da lei e das autoridades que vão aplicá-la.

 

É muito comum hoje vermos bandidos protegidos por autoridades corruptas e interesseiras, e ainda por cima incentivados por pessoas que usam de maneira distorcida os tais direitos humanos.

Vemos organizações que insistem em atividades fora da lei amparadas e até promovidas por altas autoridades.

Que pena! Mesmo admitindo que algumas autoridades possam até ter boa intenção, na realidade estão fazendo muito mal aos seus concidadãos.

Deveriam olhar para o que Deus orienta.

O medo é um fator inibidor muito forte. A falta do medo libera o potencial de fazer o mal de homens mal intencionados e malignos, tornando-os atrevidos, destemidos e cada vez mais intimidadores.

Resultado: os cidadãos de bem é que ficam com medo e reféns do clima de impunidade. Tudo invertido!

 

* Trazer a espada para vingar e castigar o mal - v.4c

Não vou desenvolver pois esta afirmação pois o assunto “pena de morte” levanta polêmica e não quero mudar o foco do que estou tratando agora.

Mas, no mínimo, já é muito forte a passagem assumir que a autoridade traz a espada para vingar o mal.

 

Encerrando esta parte da responsabilidade da autoridade civil, ressalto que essas pessoas deverão prestar contas aos cidadãos sobre os quais exerceram e exercem autoridade.

Mas, antes de tudo, evidentemente prestarão contas a Deus, que os colocou lá!

Se houvesse mais temor a Deus por parte das autoridades, haveria menos corrupção, menos impunidade, menos irresponsabilidade, menos demagogia, mais respeito com o bem público, mais consideração com o ser humano, mais amor.

Teríamos um outro padrão de vida, um outro tipo de sociedade difícil até de imaginar.

Mas, não perdemos por esperar: teremos a perfeição no uso da autoridade por parte de Cristo, no Seu reino milenar!

 

3) Comportamento que Deus exige do cidadão frente à autoridade

* Sujeitar-se - v.1a, 5a

O termo grego υποτασσω (hupotasso) pode assumir várias nuances, desde se submeter ao controle até cooperar.

Acho que a melhor maneira de interpretar o que Paulo quis dizer aqui, é entender que o cidadão deve obedecer à autoridade precisamente dentro das atribuições e do poder que ela tem. Nem mais, nem menos.

 

Exemplo: Se um guarda de trânsito mandar você parar e encostar no acostamento, obedeça. Mas se ele mandar você dar carona para alguém, você não tem de obedecê-lo.

 

Existe um limite para a obediência a uma autoridade, mesmo extremamente poderosa?

Sim. Quando ela exige algo contrário à Palavra de Deus. Veja Atos 5.29.

 

* Pagar tributos e impostos - v.6, 7

É interessante notar que nos tributos estão incluídos os salários das autoridades, devidamente recebidos pelo serviço que prestam à comunidade.

Essa deve ser a única renda da autoridade: salário pelo seu serviço. Ponto final.

 

* Respeitar - v.7c

O verbo é φοβεω (phobeo) o mesmo usado no versículo 4 que fala do temor à autoridade.

 

Mas além de medo e temor, o verbo contém o sentido de reverência, de respeito.

Acho que a tradução “respeitar” está bem exata aqui.

Mesmo que você discorde de uma autoridade ou não goste dela, tem de respeitá-la.

É ordem de Deus.

 

* Honrar - v. 7d

O versículo 7 não diz as classes de pessoas dignas de respeito e honra.

Como o contexto é a autoridade, a primeira conclusão é que se refere à autoridade.

Sobre a necessidade de o cidadão respeitar a autoridade, já comentamos.

Mas “honrar” no sentido de se prestar uma homenagem pessoal, daquela atitude de reconhecer alguém como dotado de virtudes - não creio ser obrigatório.

Se o cidadão considera uma determinada autoridade digna de honra, então honre-a.

Mas ele não está obrigado a isso se considera uma certa autoridade corrupta ou perversa ou criminosa, como tantas que já houve, há e haverá neste mundo.

 

Quanto ao aspecto mais abrangente, qualquer um que mereça respeito de você, respeite. Se merecer honra, honre.

 

4) Motivos pelo qual o crente deve obedecer à autoridade

* Porque é ministro de Deus

Evidentemente bastaria este motivo para o crente ser submisso à autoridade.

 

* Temor da punição - v.5a

No original é “por causa da ira.” Ou seja, com medo da punição.

É interessante notar que Paulo assume a importância do medo de uma punição, mesmo em crentes! E é assim mesmo. Somos humanos, fracos e falhos.

Embora seja vergonhoso dizer, às vezes evitamos desobedecer a lei não porque desagradaria a Deus, mas porque vai custar caro no bolso!

Pois que assim seja, diz Paulo, que era muito realista. É válido.

 

* Dever de consciência - v.5b

Agora ele entra mais fundo e fala para crentes que valorizam o aspecto espiritual.

Não é apenas o medo da punição que deve nos afastar da ilegalidade, mas a fidelidade à própria consciência.

A consciência diz que a autoridade deve ser obedecida.

Primeiro, pelo próprio bom senso de cidadão, senão vira caos.

E segundo, no caso do crente, por saber que Deus exige essa obediência.

 

5) Conseqüência do cidadão não obedecer à autoridade

* Trará sobre si mesmo condenação - v.2

Essa condenação pode ser humana, como conseqüência da quebra da lei.

Mas é mais provável que se refira à condenação de Deus.

Não condenação eterna, mas um castigo específico pela quebra desse mandamento (no original a palavra significa “julgamento”).

 

É importante (e um pouco apavorante) lembrar que cada vez que você recebe uma multa ou uma pena imposta pela autoridade civil, provavelmente será lavrada também uma multa no céu. E Deus vai cobrar.

 

Encerro sugerindo que a Bíblia nos recomenda, além de obedecer às autoridades, orarmos por elas: 1Timóteo 2.1-2.

Mas note que o alvo dessas orações é o próprio povo.

Devemos pedir a Deus que capacite os governantes a usarem a autoridade de modo tal que proporcione aos cidadãos vida mansa e tranqüila.

A julgar pelo que ocorre hoje - uma vida tensa, assustada, no meio de uma violência generalizada e incontida, talvez os crentes têm falhado muito nessas orações.

 

Sim, o grande e único Eleitor já escolheu quem será o próximo presidente do Brasil. Mas como esse Eleitor se utiliza soberanamente do seu voto, vote com responsabilidade cristã, civilidade e temor a Deus.

 

Que Cristo nos abençoe.



Ministério Falando de Cristo
"... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." (1 Co 1.24b)
Copyright 2004-2012. Todos os direitos reservados. http://www.falandodecristo.com