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ARTIGOS (Semeando a Palavra)
Caro, porém gratuito!

Mauro Clark


Esmola grande até cego desconfia.

Esse ditado bem expressa a raridade de alguém receber gratuitamente algo de valor. Esmola pequena, todo mundo dá. Une o útil ao agradável: alivia a consciência e não faz falta.

Mas quando se trata de valor que pesa no bolso, a coisa muda de figura. Interesses entram em jogo. Posso dar, sim. Mas o que vou receber em contrapartida?.

Via de regra, ninguém dá nada a ninguém. Poderia até parodiar Lavoisier em seu famoso princípio dizendo: Nesta vida, nada se dá, nada se recebe, tudo se negocia”.

As grandes doações geralmente têm em vista o abatimento no imposto de renda, a lucrativa amizade dos poderosos, e outras intenções. Difícil mesmo é serem meros gestos humanitários - como são normalmente consideradas.

Mas, tudo bem.  O dinheiro é seu, você faz com ele o que bem entender. Alguns estão acostumados a usar o dinheiro até para comprar a própria dignidade e o respeito da sociedade. Pois é, tem muita coisa à venda por aí...

E é com essa mentalidade formada, com esse princípio cristalizado nas mentes, que muitos partem para a mais ousada empreitada: comprar a própria salvação.

Não sabem ao certo o que essa salvação significa, a razão da sua necessidade e o seu sentido exato. Mas, isso não é problema. O tempo é curto para um exame mais profundo sobre o assunto, tempo é dinheiro, de modo que o negócio é ir logo investindo nessa área e garantir lugar no céu (Se é que esse lugar existe mesmo! - pensam alguns). Pronto. Assunto resolvido. Afinal de contas, quem paga exige, tem direito, é dono. Ainda mais quando o pagamento é adiantado!

Ironia? Não, meu amigo. Esta é a situação de milhões de pessoas que, talvez até inconscientemente, tratam a salvação como um mero produto de consumo.

Chocante? Concordo. Mas é a realidade. E é aí onde entram as esmolas e as doações de caridade.

Certa vez assisti o tesoureiro de um homem riquíssimo, chamar a sua secretária e mandá-la destinar mensalmente, por ordem do chefe, uma alta soma para uma entidade filantrópica. Quando a moça saiu, ele comentou comigo sobre o patrão: Ele faz horrores nos negócios e agora pensa que vai comprar a entrada no céu!

Não tenho nada contra esmolas e doações. Muito pelo contrário. A Bíblia recomenda que se ajude os necessitados. Os orfanatos, casas de misericórdia e asilos, são instituições de alto valor humano-social e merecem ser apoiados.

O problema é o propósito que leva a pessoa a doar. Se fosse a compaixão pelos carentes, tudo certo. Mas, na maioria das vezes, o motivo é egocêntrico. E a doação visa beneficiar a si próprio. Ou aliviando a consciência carregada ou dando uma sensação de prazer por ter feito mais uma boa ação. Por essa e outras, termina se convencendo que adquiriu o direito a defender a sua absolvição no juízo final.

Infeliz propósito. Jamais será alcançado. Essa idéia de ganhar a salvação através de boas obras, por meio de merecimento próprio, é contrária à Bíblia:

Basta citar o seguinte: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2.8.-9).

Além de afirmar textualmente que a salvação não vem pelas obras, esse trecho ainda diz porque: para que ninguém se glorie!  Ninguém vai chegar no céu mostrando orgulhosamente um recibo de boas obras.

O homem quer conquistar e dominar tudo.  E até que tem conseguido muito. Mas existe uma coisa que nenhum homem na face desta Terra terá o prazer: é de afirmar eu comprei à minha própria salvação,

A salvação foi comprada exclusivamente par uma Pessoa: Jesus Cristo. E não com dinheiro vil, mas com o Seu próprio sangue, de valor infinito. E para usufruir dessa salvação basta ter fé, crer, aceitar para si. É de graça. Não adianta desembolsar nada. Todos os bens deste mundo, seja dinheiro, ouro, imóveis, títulos, ações, fazenda, gado, tudo junto, não conseguiria comprar a vida eterna.

Imagine um pai chegar para o filho de cinco anos, presenteá-lo com uma bicicleta de duzentos reais e assistir ao filho puxando do bolso uma moeda de dez centavos e dizer: Pronto, papai, aqui está o pagamento. Essa seria uma cena patética. Por parte do garoto, uma mistura de ingratidão, ingenuidade e orgulho. Por parte do pai, tristeza.  

Da próxima vez que você for dar uma pequena esmola, ou uma grande doação, apenas agradeça a Deus pela oportunidade de ser útil a alguém. Mas, nunca, nunca pense que aquilo vai ajudar a pagar uma salvação que Cristo já pagou. E para essa salvação ser sua, basta recebê-la com arrependimento, humildade e gratidão.

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