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PREGAÇÕES

Frutos do Espírito no casamento - 4/8: Benignidade e Bondade


Mauro Clark - 06/04/2019
61 minutos




Gálatas 5.22

Frutos do Espírito no Casamento – 4/8 - Benignidade e bondade


Gl 5.22: Mas o fruto do Espírito é ... benignidade, bondade...


Pensei em falar apenas sobre benignidade e depois, noutra, sobre bondade.

Mas como são palavras de conceitos parecidos e complementares, e as diferenças são sutis, preferi juntar logo.


De tudo o que estudei, concluiria o seguinte: ambas as palavras significam BONDADE, qualidade do que é benéfico, mas com diferenças.

A primeira (chrestotes) - traduzida por benignidade, expressa o aspecto gentil, afável, da bondade.

A segunda (agathosune) - traduzida por bondade, expressa o sentido mais amplo de bondade, incluindo ações rígidas e duras, porém necessárias para o bem do outro.


Antes de aplicar cada uma dessas palavras para o casamento, quero falar da ideia comum a ambas: BONDADE.

Temos a tendência errada de sempre associar o conceito de bondade com alguém sendo meio caridoso, que ajuda e faz favor.

Mas isso é limitar muito a questão da bondade. Bondade mesmo vai muito além disso.


A rigor, ter bondade para com alguém é agir de forma a ser benéfico para ele.

Em suma, ser bom é agir no sentido de realizar algum bem na vida do outro.


E uma grande lição para o casamento é que as palavras, as ações e os planos de um com relação ao outro, que tudo isso seja submetido ao teste: “Isso será benéfico para o meu cônjuge”?


PALAVRAS

Grande parte do relacionamento com as pessoas é através da conversa, das palavras.

As palavras podem carregar bombas com alto poder de destruição ou rosas com alto poder de abrandamento.

Cada vez que você falou ao seu cônjuge palavras que nenhum efeito fizeram além de ferir, machucar e irritar, você foi maligno para com ele, injetou uma dose de malignidade ao casamento.

- Maria, esta sopa está uma droga, parece kiboa com sal: o que há de bom nessa frase?

- João, teu salário está ridículo, tu devias ter vergonha de chegar no fim do mês com uma micharia dessas. - Que partícula de benignidade há aqui?

Palavras maldosas, que não trazem qualquer ganho embutido.


E muitas vezes palavras assim são ditas não apenas por descontrole, mas de propósito!

É triste ouvir “Pastor, vou ser sincero, mas eu falei aquilo para ela só mesmo para machucar!” - E a Bíblia nos ordenando ser bons!


Imagine um filme da sua vida conjugal. Cada vez que você dissesse alguma coisa para sua mulher-marido, congelasse a imagem e perguntasse: isso foi benigno para o outro ou maligno? E marcar numa coluna respectiva.

Quantos por cento das frases teriam sido para o bem? Esse é o tipo de teste que eu teria medo de fazer. E talvez cada um de vocês tivesse o mesmo medo.

Sabe por que? A verdade é dura: muitas vezes somos ruins para nossos cônjuges.


Mas se não podemos dar jeito no passado, que tal uma resolução quanto ao futuro?

Decida ter mais cuidado com as palavras dirigidas ao seu cônjuge. Pese antes de falar e sempre vise o bem.


AÇÕES

A maioria das vezes as palavras vêm acompanhadas de ações, mas também acontece das ações virem sozinhas. E frequentemente são também nocivas.

A tal sopa, por exemplo, o marido poderia não ter dito nenhuma palavra, mas simplesmente afastado-a para longe, com um gesto brusco.

Qual o benefício contido nessa atitude? Que ganho para a esposa? E para o casamento?


É natural situações de pouca conversa numa crise, respostas monossilábicas.

Mas alguns se utilizam do “gêlo”, que é ficar completamente mudo.

A mulher quer conversar, passar tudo a limpo, se entender, e o marido calado, como se não ouvisse nada.

Bem que deveria se perguntar: “O que há de bom nesta minha atitude? Em que estou sendo benéfico para ela, agindo assim? Estou contribuindo que o nosso casamento melhore ou piore”? A resposta é tão fácil!


Outro exemplo: jejum sexual, arma muito utilizada, principalmente por mulheres.

Estão zangadas com marido (talvez com razão) e se vingam negando sexo.

Basta fazer a pergunta para descobrir que é atitude errada: em que isso é bom para ele? Em nada! Vai torná-lo insatisfeito sexualmente e exposto a tentações, à infidelidade (mental ou real). A própria mulher perde com isso, o casamento perde. Esse tipo de reação não é gesto de bondade. (Nada disso elimina a necessidade da mulher tratar a ofensa do marido, de forma apropriada).


Sei que vocês mesmos poderiam dar muitos outros exemplos de ações, reações, atitudes que só fazem o mal.


PLANOS

Muitas más ações que praticamos são produtos não de reações rápidas e instantâneas, mas de planejamento, de maquinação.

- Tenho certeza que a Márcia vai me pedir para comprar uma geladeira nova com o 13º no mês que vem. Mas como ela foi contra eu comprar aquele som que estava na promoção no mês passado, eu também vou ser contra comprar uma geladeira. Mal posso esperar que ela venha tocar no assunto...

Pois a simples pergunta-teste mataria de imediato planos assim: É benéfico para o meu cônjuge? Vai produzir resultados agradáveis, edificantes?

Insisto: resposta a esse tipo de pergunta é tão fácil!


Menciono de passagem o grande obstáculo à bondade no casamento: egoísmo.

Quase sempre que deixamos de agir com bondade, nós sabíamos que aquela não era uma boa opção, não era o melhor para nosso cônjuge.

E por que agimos? Porque faria bem à nossa carne. Nos sentiríamos vingados, ou satisfeitos por termos feito que o outro “pagasse o preço que merecia”, etc.

Jamais agiremos com bondade em nosso casamento enquanto não aprendermos a desprezar o nosso ego, fazendo-nos de surdos ao “eu carnal”.

Quando conseguirmos colocar nós mesmos em 2º plano e o nosso cônjuge em 1º plano, aí estaremos a um passo da benignidade.


Uma vez considerada a necessidade que a Bíblia nos impõe de sermos bons ou benéficos com outros, quero rapidamente considerar os aspectos diferentes das 2 palavras gregas que já comentamos.


1) Chrestotes: traduzida por benignidade, expressa o aspecto gentil, afável, da bondade.

Os atos de bondade adquirem muito mais brilho e beleza quando acompanhados da delicadeza no trato, palavras afáveis, sorriso nos lábios, meiguice nas expressões.

Pois é exatamente esse aspecto da bondade que essa palavra enfatiza.


No caso da geladeira, suponha que o marido resolveu ser benigno para com a esposa e comprou a geladeira.

Agora imagine duas atitudes:

a) Entrega friamente o recibo da loja, dizendo “Taí sua geladeira, chega amanhã”.

b) Dá um beijo e entrega um envelope cor de rosa, com o recibo e um bilhete: “Mais 24 horas e as gostosuras que você faz serão guardadas numa geladeira novinha em folha!”


A gentileza de que trata essa palavra vai muito além de um simples ato de bondade, mesmo sendo bondade real, mas meio fria, racional.

No 1º. caso, houve bondade, sem dúvida.

Mas no 2º. caso, o marido quis ser muito mais do que apenas bom (o que já é muita coisa). Mas fez questão de ser bom com delicadeza, ser bom enquanto encantava.

A bondade embalada de delicadeza torna-se um presente extremamente valioso e muito bem vindo por qualquer um.

Um casamento, por mais sofrido que esteja, pode se recuperar a um ponto inimaginável, se tão somente o casal resolver ser benigno e gentil um para com o outro.


E chegamos à segunda palavra:

2) Agathosune: traduzida por bondade, expressa o sentido mais amplo de bondade, incluindo ações rígidas e duras, porém necessárias para o bem do outro.


Infelizmente, nem sempre a bondade pode ser revestida de delicadeza.

Jesus foi benigno para com os judeus no templo, mas tratou-os a chicotadas.

Não consigo imaginar uma situação num casamento que justifique chegar a tal ponto, mas o fato é que há situações em que a bondade tem que vir em forma de palavras duras, de atitudes secas, destituído de gentileza (o que não significa grosseria).

 

- Você me magoou ontem à noite, mais uma vez, da mesma forma como tem feito frequentemente. Ficarei esperando um pedido de perdão. Nosso relacionamento vai continuar sendo cordial e respeitoso, mas não será agradável e leve enquanto você não reconhecer seu erro e me pedir desculpas.

Você sabe que está errado. Vou ficar aguardando.

Atitude benigna da esposa, para o bem do marido infrator, mas nada de delicadeza, de simpatia, de sorrisos.


Em muitas ocasiões somos obrigados a agir de maneira semelhante. Mas sempre deve estar por trás a pergunta: É benigno? Contribui de maneira positiva para a relação?


Terminando:

Fenômeno interessante: todas as vezes que essas duas palavras aparecem no NT, quando não se referem ao próprio Deus, referem-se a crentes, pessoas regeneradas.

Lembrem-se de que lemos Gl 5.22 que trata do fruto do Espírito.

E, de fato, o fruto do Espírito é exclusivamente para salvos em Cristo.

Bondade de não crente existe, mas é de outra categoria, terrena, no nível de relacionamentos humanos, não espiritual.


Quanto a esses dois aspectos de bondade e delicadeza referidos no NT por essas duas palavras, são exclusivas de pessoas regeneradas.

São virtudes fornecidas ao crente direta e exclusivamente pelo Espírito Santo.

Aliás, ambas as palavras são muito usadas no NT com relação a Deus: Deus é benigno e cheio de bondade. E Ele supre os Seus filhos com essas mesmas qualidades.

Jamais conseguiremos ser verdadeiramente benignos com o cônjuge sem ajuda do alto. Se depender de nós mesmos, poderemos ter gestos aleatórios de bondade, mas em número muito inferior às atitudes da nossa carne, maliciosas e destrutivas.

Se depender do Espírito Santo, poderemos ouvir várias vezes:

- Meu marido é tão bom para mim.

- Minha esposa é tão benigna para mim!


Que Deus nos abençoe. Amém



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