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PREGAÇÕES

Em que mesmo você é superior? (Julg. Proib 1/4)


Mauro Clark - 15/10/2017
57 minutos




Romanos 2.1-4; Tiago 4.11-12

Em que mesmo você é superior? (Julgamento proibido 1/4)


Site: Em que mesmo você é superior? (Julgamento proibido 1/4)

Na pregação passada comentei que, entre os crentes, é comum a ideia de que não devemos julgar os outros. Mas que o assunto não é tão simples.

Depois de pregar sobre Mt 7.1-5, ficamos de ver 4 tipos de julgamentos proibidos e 4 tipos de julgamentos permitidos.


Os 4 tipos proibidos são:

1. Julgar com atitude interna de superioridade pessoal

2. Julgar costume que não é pecado, mas apenas uma preferência pessoal, baseado na consciência, que é diferente da consciência do outro 

3. Julgar “cousas ocultas” e “desígnios dos corações”

4. Julgar pela aparência


1. Proibido julgar com atitude interna de superioridade pessoal

Vejamos duas passagens:

1. Rm 2.1-4

Tipo do trecho que devemos ter cuidado em interpretar, sob risco de compreender errado.

Alguns acham (como eu) que se refere ao judeu que condenava os gentios. Outros incluem a exortação a todas as pessoas.


Interessante: em Rm 1.28-31 vemos um julgamento fortíssimo e condenatório contra a humanidade. Não sei se na literatura humana existe mais duro.

E logo em seguida, Paulo proíbe os homens de julgarem os outros!


É incoerência de Paulo? Isso é impossível, pois estava inspirado pelo Espírito Santo.

Aqui é uma análise realista e objetiva da raça humana - ele mesmo incluído!

Fala sob o ponto de vista de Deus, ou seja, Deus é soberano e o homem criatura dEle.

A rigor, Paulo não está avaliando ninguém usando de autoridade própria, mas o próprio Deus é quem está.


Em 2.1-4 o enfoque muda completamente:

a. Trata-se de julgamento contra pessoas definidas (não algo geral da humanidade)


b. Quem condena chama para si uma autoridade intrínseca de fazer um julgamento, só que não tem essa autoridade, pois pratica aquilo que condena na outra.

Ou seja, um julgamento é proibido quando vem com atitude íntima de superioridade, de se achar em condição de fazer aquele julgamento porque é melhor que o outro.


Típico desse tipo de julgamento errado: Fariseu x publicano: Lc 18.9-14

Parábola: situação imaginada, com uma lição principal.

Desta vez, Jesus deixa claro o destino da parábola:

... confiavam em si mesmos por se considerarem justos, e desprezavam os outros.

Aqui é soma de duas atitudes, cada uma pior que a outra:

Confiança em si mesmo por si considerar justo + desprezo dos outros


Desprezo aqui é interno, não afrontoso, algo que só a pessoa sabe se tem.

É difícil você e eu não estarmos ou termos estado em algum momento a esse grupo.


A cena: dois homens estavam no Templo com o mesmo propósito: orar.

O primeiro, fariseu; o segundo, publicano (judeu que servia aos romanos, recolhendo impostos - odiados porque serviam aos dominadores e extorquiam os do próprio povo).

Os ouvintes devem ter pensado: “Ora, não dá nem para comparar: o fariseu vai dar um show de oração. O publicano, coitado, nem orar sabe”.


O fariseu orava de si para si mesmo

Não apenas silenciosamente, mas uma oração que começava e terminava nele!

Deus entrou na oração apenas como pretexto.


Três defeitos da atitude:

1) Arrogância e orgulho, ao se achar melhor que todos os homens.

De fato, ele até poderia ser melhor que outros em alguns aspectos, mas e quanto aos outros aspectos em que era pior?

Adianta um porco estar, em certo momento, menos sujo do que outro?


Não devemos nos comparar com homens pecadores:

Primeiro, porque somos tão pecadores como eles.

Segundo, porque nosso padrão é Cristo!

Quando nos comparamos com Cristo, sempre ficaremos convictos do nosso pecado.


(Então é errado reconhecer que tem uma atitude correta e agradecer a Deus por isso?

Não, desde que:

a) Reconheça que Deus lhe capacitou para agir assim

b) Não se sinta orgulhoso por isso

c) Não despreze outros que não agem assim)


2) Pensou que boas obras substituíam atitudes íntimas

O motivo pelo qual achava melhor que os outros eram coisas que ele fazia: jejuava e dava o dízimo. Nenhuma menção ao propósito no coração ao fazer essas coisas.


3) Julgou o coração do publicano (e ainda erroneamente)

Quando disse “nem ainda como este publicano”, não fica claro o que estava realmente querendo apontar no publicano.

Se fosse apenas obras, talvez até tenha acertado em algumas: roubador, injusto, etc.

Mas que ele julgou também o coração do publicano fica evidente quando Jesus, para apontar o erro do fariseu, exalta exatamente a atitude íntima do publicano: reconhecia que era pecador e pedia misericórdia a Deus.  


Conclusão: o fariseu foi reprovado - na oração, na atitude, até na resposta de Deus.

Observe que tanto a justificação do fariseu como a do publicano foram silenciosas, a nível espiritual.

Para quem viu de longe, pareceu o contrário: o fariseu saiu todo gabola e o publicano, cabisbaixo. Mas as aparências enganam.


Voltando:

O fariseu fez exatamente aquilo que Paulo estava proibindo: um julgamento em que a pessoa assume uma autoridade que só teria sentido se a pessoa não praticasse aquilo que condena na outra.

Pode até não ser prática das mesmas coisas, mas certamente serão coisas que infringem a mesma lei do mesmo Deus!


E exatamente por isso que Paulo deixa claro: só Deus pode fazer esse tipo de julgamento (v.2 e 3: juizo de Deus). Afinal, a lei é dEle, só Ele é Deus e totalmente puro.

Em outras palavras: quando alguém julga o outro com esse espírito de superioridade está assumindo ou melhor roubando uma atribuição que é exclusiva de Deus. Gravíssimo!

 Se um juiz que infringe leis do trânsito multa alguém por parar na contramão e o faz com sentimento de superioridade, é hipócrita. Claro que ele pode e tem de julgar, mas não porque a sua essência é superior à do outro, mas porque que a lei manda.

É um julgamento técnico, com base na lei, não na qualidade inerente dele próprio, juiz.


Voltando a Rm 2:

Após falar o v.3, parece que Paulo imagina alguém com mania de julgador, dizendo:

- Eu sei que sou pecador. Mas eu sou superior porque ele não se arrepende dos erros dele e eu pelo menos me arrependo dos meus.


v.4

Paulo rebate: o arrependimento não é mérito de ninguém, pois quando alguém se arrepende é porque Deus foi tolerante e pela Sua bondade o levou ao arrependimento.

O arrependido sincero reconhece que é pecador e como Deus foi misericordioso com ele. É humilde e não se julga superior aos outros.


Esse trecho reprova atitudes internas no ato de julgar, não um correto julgamento em si.

Outros na mesma linha: Lc 16.15; Pv 30.12 ; Is 65.2-5;  Jo 7.45-49; 9.28


2) Tg 4.11-12

Duas atitudes condenadas: falar mal do outro e julgar (implicitamente com sentimento de superioridade).

Quem julga o outro com atitude errada é como se estivesse assumindo posição de juiz da própria lei (de Moisés), e não de alguém que tem de observar a lei.

Mas por que alguém que julga irmão com sentimento de superioridade está como que julgando a lei? Não é muito clara a resposta. Duas opções:


1) A lei proibia falar mal do outro como fofoca, alimentar sentimento odioso interno e mandava amar: Lv 19.16-18

Desobedecer uma coisa ou a outra (ou todas), é declarar que a lei não serve.


2) A lei diz que todos estão nivelados pelo pecado. Quando alguém se julga superior a outro, está considerando que a lei está errada.

E ao fazer isso, se torna juiz da lei, o que é um absurdo, pois ninguém é juiz da lei, a não ser o próprio Deus, que a fez e legisla sobre ela.


Seja como for, é evidente que está em vista aqui um tipo de julgamento com atitude errada, de superioridade, como se fosse melhor que o outro.

Quem age assim está tendo a pretensão de assumir o papel de Deus!


Nunca julgue alguém com desprezo no coração, como se fosse superior a ele.

Aliás, você deve é considerar os outros como superiores a você.


Se conseguimos agradar a Deus e pecar menos, isso é pela graça, paciência e misericórdia dEle, que nos perdoou em Cristo.


Que Deus nos abençoe. Amém



Ministério Falando de Cristo
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