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PREGAÇÕES

Está me acusando de que, mesmo? (Julg. proibido - 3/4)


Mauro Clark - 29/10/2017
60 minutos




João 7.24; Tiago 2.1-4

Está me acusando de que, mesmo? (Julgamento proibido 3/4)


Após pregarmos sobre Mt 7.1-5 (Jesus e o julgamento entre pessoas), passamos a ver uma série de 4 tipos de julgamentos proibidos. Já vimos dois:

1. Julgar com atitude interna de superioridade pessoal

2. Julgar desígnios dos corações (intenções).

Hoje veremos o 3o. tipo:


3. Proibido julgar pela aparência

Jo 7.14-19

Contexto: Festa dos Tabernáculos, em Jerusalém.

Após suscitar grande polêmica, Jesus fala claramente que queriam matá-Lo.

 

v.20: Os judeus negam e reagem de maneira violenta, blasfemando contra Ele, chamando-O de endemoninhado como se estivesse possesso, imaginando coisas irreais.


v.21: Jesus se recusa a argumentar e reafirma que queriam mata-Lo e ainda diz o motivo: porque Ele havia feito um milagre. Que milagre?

Em torno de um ano e meio antes, noutra festa em Jerusalém, talvez a Páscoa, Ele curara um paralítico: Jo 5.14-18.


Voltando:

v.22-23

Jesus não entra no mérito para discutir e acusa os judeus de duas incoerências:

1) Mesmo que Ele houvesse infringido a Lei, nenhum deles a obedecia: Jo 7.19b.

Ou seja, estavam fazendo exatamente aquilo que Ele condenara no Sermão do Monte: vendo o cisco no olho dEle enquanto estavam com uma trava no deles.

Isso SE Jesus estivesse realmente transgredindo a Lei, o que NÃO era o caso!


2) Para obedecer ao mesmo Moisés, eles circuncidavam ao oitavo dia de nascido, mesmo que caísse num Sábado.

Ora, a circuncisão tem a ver com a limpeza de uma pequena parte do corpo. Mas Jesus curara totalmente um homem no Sábado.

Jamais fora intenção de Moisés proibir fazer o bem ou ajudar alguém no Sábado.

Jesus prova que não desobedeceu a Lei.


E ordena com autoridade:

v.24: Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.

Numa mesma frase Jesus fala de um tipo de julgamento proibido e de um tipo permitido! Comentaremos a segunda parte da frase na pregação sobre julgamentos autorizados.


Não julgueis segundo a aparência…: Ou seja:

Vocês estão fazendo um julgamento errado porque aos seus olhos parece que eu estou desobedecendo a Lei. Mas vocês examinaram a questão de maneira séria e imparcial? Podem dizer exatamente EM QUE consiste a minha infração?


Semana passada falamos que é errado julgar motivos internos do coração.

Agora é diferente: trata-se de julgar as ações de alguém pelas aparências, mesmo que não entre no mérito da intenção pela qual o outro agiu.

Um tipo de julgamento é tão errado quanto o outro.

Inclusive, eles não chegaram a dizer qual o propósito de Jesus ao agir daquele modo.

Simplesmente disseram que Ele estava errado porque, conforme parecia, estava desobedecendo a Lei.


Temos o mau costume de cometer o pecado de julgar pela aparência - talvez mais frequentemente do que julgar motivos.


Exemplos:

* Irmão falta três cultos seguidos. Na primeira vez que o encontra, antes de dizer “bom dia”, você dispara, fingindo estar brincando, mas com sarcasmo:

- Por onde tem andado, irmãozinho desviado, viajado muito?

- Passei duas semanas doente, fui parar no hospital, aliás ainda não me recuperei.


* Irmão vai um casamento na igreja católica.

Você logo o julga: infiel, frequentando cerimônia religiosa em templo de ídolos, mau testemunho, etc.

Você perguntou a ele por que agiu assim? Examinou as circunstâncias específicas dele?

As pressões em casa, tentando manter um mínimo de relacionamento com os parentes? Sabe o tamanho do constrangimento dentro do coração dele, as lutas internas, as orações a Deus pedindo sabedoria, a preocupação com a reação dos irmãos?

Jamais teremos base sólida e justa para analisarmos uma situação, enquanto julgarmos apenas pela aparência.

Não estou defendendo crente que vai casamento em igreja católica. E nem condenando. Claro que, como regra geral, é melhor evitar.

Mas admito que possa existir situações em que é menos ruim ir. (Não me refiro à missa, que é heresia, pois ofende diretamente o sacrifício único de Cristo).


* O garoto sempre foi bom aluno, ultimamente tem tirado notas baixas, estudando pouco.

O pai é tentado a julgar pela aparência: “Deu para ficar preguiçoso”.

Pode até ser, mas pode não ser! O menino pode estar doente, ou deprimido por algum motivo que o pai nem imagina.

O desânimo em estudar pode ser a ponta do iceberg, o problema sendo outro.

O assunto deve ser tratado com cuidado, conversando, ouvindo e tratando com dignidade a criança (e se for preciso disciplina, que seja).


Há um tipo muito sutil de julgamento pela aparência, que se não prestarmos atenção nem notaremos que estamos cometendo esse erro:


Tg 2.1-4

... acepção de pessoas: gr.: προσωποληψια prosopolepsia: parcialidade, que aceita ou rejeita pelo que vê, pela aparência.


Qual de nós não tem a tendência de tratar melhor alguém bem vestido do que um maltrapilho? Ainda mais se o bem vestido for bonito e o maltrapilho feio.

A Bíblia denuncia duramente: quem faz assim, está se tornando juiz e, pior, um péssimo juiz, pois está julgando totalmente pelas aparências.


Ao agir assim, você está declarando (mesmo no subconsciente), que a aparência desagradável daquele homem tirou algo da dignidade humana dele e assim perdeu o direito de receber consideração e amor da sua parte.

E vice-versa: a aparência agradável e bonita do outro o tornou digno de receber suas melhores atenções.

O Espírito Santo chama isso nada menos de perversos pensamentos! E são mesmo!

Uma falta gravíssima, pois é uma maneira indigna de exercer a fé no Senhor Jesus Cristo!

Quem age assim, mostra ter uma fé em Cristo doentia, defeituosa.

Quem tem uma fé em Cristo saudável, não faz esse tipo de julgamento.


Antes de terminar, alguns exemplos bíblicos de julgamento pela aparência:

* Eli contra Ana: 1Sm 1.9-15

Corta o coração ver o que o sacerdote fez com a pobre Ana!

Pois é, corta o coração ver o que você, eu, já fizemos com nossas vítimas de julgamentos baseados apenas na aparência.


* Os amigos de Jó, o acusaram de estar passando tudo aquilo por causa de pecado.

Foram duramente acusados por Deus e Jó teve de orar por eles para Deus perdoá-los.


* Natanael sobre Jesus, sem conhecê-Lo, só pela cidade onde nasceu: Jo 1.44-46

* Judeus contra Paulo: At 21.27-29


Termino sugerindo alguns cuidados para evitar julgamento pela aparência:

* Informar-se bem dos fatos, incluindo, se possível, conversar com a própria pessoa para saber os motivos e as circunstâncias que a levaram a agir assim.

 * Conhecer melhor a Bíblia para não acusar o irmão de estar desobedecendo sem estar.

Os judeus tinham um conhecimento muito pobre da Lei de Moisés (literal, seco). Por isso acusaram Jesus de estar contra a Lei.

 * Abafar um espírito crítico interior, que não perde uma chance para acusar – nem que seja o cabelo despenteado.


E, claro, julgar pela reta justiça! Isso veremos depois.

Que Deus nos livre de julgar contra a aparência. Amém



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