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PREGAÇÕES

Senhor, permita-me falar de Cristo! (Cl 4.2-6)


Mauro Clark - 24/09/2017
62 minutos




Colossenses 4.2-6

SENHOR, PERMITA-ME FALAR DE CRISTO!

Cl 4.2-6


v. 2

Perseverai na oração, vigiando com ações de graça

Só aqui, três lições valiosas sobre oração:

a. Perseverar: continuar, perseverar - mostrando a necessidade de insistência.

b. Vigiando: não é só orar e esquecer tipo “já encomendei a Deus”, mas estar atento para as circunstâncias, especialmente as que têm a ver com você.

c. ... com ações de graça

Agradecer é uma forma de vigiar, pois está sempre ligado nas coisas espirituais, tratando sempre com Deus.


v. 3 - até … mistério de Cristo

Após recomendar que os irmãos perseverassem na oração, de maneira geral, Paulo particulariza para um pedido específico: que Deus abrisse uma porta para que ele, Paulo, pudesse falar o mistério de Cristo.


3 observações:

1) Necessidade de falar do mistério de Cristo

Mistério: verdade antes escondida, agora revelada. Ou seja: falar da novidade de que Cristo é o Salvador - o Evangelho.


Observem: assunto aqui não é falar de Deus, de maneira meio vaga, mas de Cristo.

Cristo deve ser o centro da pregação:

Pedro e João fizeram assim: At 4.2; 10.34-36

Filipe o evangelista e diácono fez assim: At 8.5, 35

Paulo fez assim: At 9.20; 17.1-3; 1Co 1.23; 2.2; 2Co 4.5

O próprio Jesus fez assim (caminho de Emaús): Lc 24.27


Mas concentrar a pregação em Cristo não é uma necessidade específica de apóstolo, pastor ou pregador. Mas de qualquer pessoa, por mais comum que seja.

Basta ter tido uma experiência com Cristo:


O ex-endemoninhado: Mc 5.18-20

A mulher que sofria de hemorragia há 12 anos: Lc 8.45-48

Qualquer crente: 1Pe 3.15


Ao expor o Evangelho ou a sua experiência cristã, é importante falar em Deus. Mas não esqueça de concentrar na Pessoa de Cristo.


2) Cada oportunidade para o crente falar de Cristo é dada por Deus

… suplicai para que Deus nos abra porta à palavra

Nenhuma novidade nisso, mas tem uma implicação prática importante: estar pronto para inesperadamente, a qualquer momento, uma porta se abrir para falar de Cristo.

Em momentos assim, entrar por essa “porta” deve ser prioridade, mudando planos se for o caso, etc.


3) As oportunidades para falar de Cristo vêm de várias formas

Quando falamos em oportunidade, pensamos logo em falar aos colegas da faculdade, do trabalho, parentes. Ou num púlpito, ou rádio, ou escrevendo num jornal.

De fato, são excelentes oportunidades.

Mas sabem onde Paulo estava quando pediu aos que irmãos orassem para que Deus lhe abrisse as portas para falar de Cristo? Preso, acorrentado!


v.3b: … falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado

Embora não fosse numa cadeia pública, mas em casa, estava com correntes.

Por dois anos ele enfrentou essa situação esquisita, sofrida.

E extremamente limitada, comparada com as viagens missionárias dele.

Paulo devia sentir claustrofobia ministerial, preso, algemado numa casa.

Mas não importa: era nesse contexto que iriam surgir oportunidades para falar de Cristo.

E falou mesmo: At 28.30-31 (veja o detalhe: … referentes ao Senhor Jesus Cristo - não vagamente a Deus).


No dia a dia, esteja atento para oportunidades que surgem em situações improváveis.

Ilha Tesouro, pane avião, de barco para Casa Nova, falei de Cristo para o dono do barco.

 

“Mas pastor, posso até desconfiar que chegou o momento de falar, mas como falar?

Falo muito ou pouco? Sou duro ou maneiro? Vou direto ou floreio um pouco?”

Parece Paulo estava com essa dificuldade, ao completar:


v. 4 

... para que eu o manifeste (Cristo) como devo fazer (λαλεω laleo = falar)

Antes, Paulo pediu para que Deus abrisse uma porta para ele falar de Cristo.

Agora ele pede para que possa aproveitar corretamente essa porta aberta.

Quando a porta se abrisse, que era obrigação falar, isso não restava dúvida. Mas, como?

Então pede que, ao falar, manifeste Cristo com sabedoria, de maneira apropriada.

A situação de Paulo era extremamente delicada, complexa e exigia muita sabedoria.

Não apenas aos que iriam visitá-lo na casa, mas quando estivesse perante o Tribunal, onde seria julgado!

Como se fosse: “Irmãos, orem por mim, para que o mesmo Deus que abre a porta, também me instrua como devo proceder”.


À primeira vista, parece que nos v.5-6 Paulo muda de assunto e passa a dar conselhos.

De fato, dá conselhos, mas é dentro do assunto que estava falando: anunciar Cristo.

Ou seja, parece que ele estava pensando consigo mesmo como agir.


v.5-6

Por trás dos conselhos, vislumbramos providências práticas que Paulo tomava para si mesmo, quando tinha de falar para as pessoas que iam vê-lo.

Três conselhos para o crente aplicar com pessoas de fora (não crentes):  


1) Portar-se com sabedoria

Mas como adquirir sabedoria? Pedindo a Deus e se impregnando da Palavra dEle.


2) Aproveitar as oportunidades

Já falamos que é importante estar atento para perceber quando surge oportunidade.

Mas o que adianta perceber, sem agir? Quando surgir chance, não vacile: aproveite!

O que teria adiantado eu perceber a chance para falar do dono do barco, mas não falar?


3) Falar de modo agradável, como que temperado com sal

Agradável: gr. χαρις charis = graça.

Ou seja: palavras com graça, bondade, sinceridade, verdade, boa intenção.

A comparação é interessante: a transmissão do Evangelho de Cristo com palavras de graça, é como um prato de comida bem temperado.


Podemos aplicar ao contrário: falar de Cristo com palavras erradas, ásperas, indelicadas, ou sem interesse, é como comida sem sal, ou com sal demais, ou seja, ruim ao paladar.


Interessante: comida mal temperada alimenta tanto quanto comida bem temperada. A questão não é a capacidade de alimentar, mas o gosto, o prazer do alimento.

Quando alguém fala de Cristo sem sabedoria, de modo errado, a essência do Evangelho está lá, é válido, mas é desagradável para quem ouve!

Por isso é que Paulo adverte: apresentem o Evangelho de Cristo como um bom cozinheiro apresenta um prato saboroso!


… para saberdes como deveis responder a cada um

A dona de casa quer saber o que um convidado gosta, para fazer o prato predileto.

Do jeito que cada um tem seu gosto de comida, também cada um tem seu jeito de conversar, dialogar, argumentar, aprender.

Pois é isso o que Paulo procurava: apresentar o Evangelho de maneira personalizada, como o outro gostava. (Não me refiro a doutrina, mas à forma de falar).

* Seu interlocutor gosta de histórias, conte histórias da Bíblia.

* É caladão, não gosta de muita conversa: fale pouco, seja objetivo.

* É racional: use a lógica mostra o sentido que tem o plano de salvação.

* É emotivo: fale de maneira a tocar as emoções dele.

* É culto: aprofunde na teologia.

* É inculto: fale de maneira bem simples.


Resumindo:

* Cada crente deve estar pronto para falar do mistério de Cristo, não vagamente em Deus.

* Como cada oportunidade é dada por Deus, prepare-se para mudanças nos seus planos.

* Deus dá diversos tipos de oportunidades: fique atento para perceber quando surgirem.

* Ao surgir oportunidade, não desperdice a chance, aproveite!

* Fale de modo agradável a cada um, conforme a pessoa que está ouvindo.

* Ore que, ao dar as oportunidades, Deus dê a você e aos irmãos, orientação, sabedoria.


Que Deus nos abençoe e Cristo seja diretamente louvado quando você falar dEle. Amém



Ministério Falando de Cristo
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