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PREGAÇÕES

Ap 1a - Ap 1.1-2 - Uma espetacular revelação


Mauro Clark - 14/01/2018
61 minutos




Apocalipse 1.1-2

Apocalipse 1ª – Uma espetacular revelação

Ap 1.1-2


Hoje iniciamos a exposição do livro de Apocalipse.

O livro se divide em duas partes distintas:

Cap. 1 ao 3: Introdução e cartas a 7 igrejas da Ásia, hoje Turquia. Todas existiam na época. Depois veremos alguns pontos de vista sobre essas cartas.


Cap. 4 ao 22: profecias sobre o futuro do ponto de vista de João.

Há muitas maneiras de se interpretar esses eventos:

a. Tudo se trata de eventos históricos na Terra. Alguns acham que tudo já se cumpriu (inclusive no primeiro século da era cristã). Outros dizem que os eventos ainda estão sendo cumpridos.

As profecias são interpretadas alegoricamente para explicar eventos terrenos.


b.  Tudo é explicado a nível espiritual, numa grande luta do mal contra o bem.

As profecias obviamente não são consideradas como profecias e nem se referem a nenhum evento histórico passado, presente ou futuro.


c. Tudo ainda é futuro para nós, hoje, e as profecias serão cumpridas rigorosamente, embora não saibamos explicar cada profecia em detalhe por causa da abundância de símbolos e figuras.


A interpretação básica dessas profecias dependerá do tipo de posição escatológica.

Grosso modo, há três:

Amilenismo: Jesus não voltará para reinar por mil anos em Israel. Israel já encerrou como nação nos planos de Deus e as profecias pendentes são para a Igreja, que se tornou o Israel espiritual – o que discordo profundamente.

Aliás, muitas profecias são interpretadas de maneira espiritualizada.

Conforme o amilenismo, Cristo já reina hoje no céu e nos corações dos crentes. A volta dEle será para inaugurar o estado eterno.

O amilenismo não reconhece o período conhecido por Tribulação, em torno de 7 anos.


Pós-milenismo: Haverá um reino de mil anos na Terra, mas não literal, durante o qual o mundo irá se converter em massa e haverá paz mundial. Cristo voltará no final para o estado eterno.


Pré-milenismo: Cristo voltará pessoalmente para reinar literalmente mil anos em Israel, mais precisamente na cidade de Jerusalém, chegando exatamente no Monte das Oliveiras.

Nesses mil anos serão cumpridas todas as profecias referentes ao povo judeu, que ainda não foram cumpridas. Essa é a nossa posição.


Para o pré-milenismo, haverá um período em torno de 7 anos, chamado de Tribulação. Esse período será dividido em dois, sendo o segundo conhecido como Grande tribulação.

Será um período de cataclismos universais, grande sofrimento na terra, fruto do julgamento de Deus sobre a humanidade pecadora, mas também visando o arrependimento das pessoas.


Importante na interpretação das profecias do Apocalipse é o chamado Arrebatamento, tratado em 1Ts 4.13-18, quando a Igreja irá se encontrar com Cristo nos ares.

Quando será esse Arrebatamento?

Novamente, a resposta dependerá da posição escatológica adotada.

Para o amilenismo e pós-milenismo, será imediatamente antes da vinda de Cristo para inaugurar o estado eterno.


Para o pré-milenismo, há três opções:

* Pré-tribulacionsimo: a Igreja não passará pela tribulação, pois será arrebatada no início.

   Esta é a minha posição.

* Meio-tribulacionsimo: a Igreja será arrebatada no meio da tribulação.

* Pós-tribulacionsimo a Igreja passará pela tribulação, será arrebatada no final e voltará imediatamente para o início do milênio.


Tenho dois grandes objetivos para cada um de nós:

1. Aprender os abundantes e valiosos ensinos

2. Extrair lições práticas


Não é meu objetivo tentar explicar “o que significa” exatamente isso ou aquilo. Daremos algumas sugestões, mas sabendo que não passam de sugestões.

E veremos que para aprender a essência do livro, as grandes lições, não precisamos saber do que se trata cada detalhe.

Aliás, é evidente que Deus não quis que soubéssemos os detalhes!


E vamos ao livro!


v.1

Revelação... gr. αποκαλυψις apokalupsis: ato de tornar descoberto, exposto; revelação de uma verdade, instrução, manifestação.

Então, o nome do livro é “Revelação”. Apocalipse é uma transliteração do termo grego.


Pergunta tripla: revelação feita por quem, dirigida a quem e constando do que?

A resposta é muito interessante:


... de Jesus Cristo

Duas interpretações:

1. Minoria: Jesus Cristo é o objeto da revelação. Ou seja, é uma revelação sobre Ele.

É uma interpretação elegante, bonita, mas creio que um pouco forçada.


2. Maioria (minha): Cristo é o “revelador”, quem tomou a iniciativa de fazer a revelação a João e se responsabiliza por tudo o que será revelado.

 

... que Deus lhe deu...

Parece estranho: afinal o próprio Jesus Cristo não é Deus?

Antes de tudo, “Deus” aqui deve estar se referindo ao Pai.

Mas, ainda fica a pergunta: se Cristo é Deus, como Ele não sabia dessas coisas, a ponto de o Pai precisar revelar a Ele?

A chave da resposta deve ser as duas naturezas de Cristo. No Novo Testamento, às vezes, uma é enfatizada, às vezes, a outra.

Penso que aqui o foco é na natureza humana de Jesus, ou seja, Jesus como homem, recebendo informações do Pai celeste, o autêntico Mediador entre Deus e os homens.

No plano da salvação, é fundamental entendermos o fato de Jesus Cristo ser homem, o representante por excelência da humanidade, o Filho do Homem.

É como se o Pai dissesse ao Filho homem: “Transmita aos Seus semelhantes, à sua raça, o que eu tenho preparado para realizar no Universo, tendo como centro a redenção dos homens que eu Te dei, salvação esta operada por Ti mesmo”.

Embora ainda muito misterioso, para mim é a explicação que faz mais sentido.


Então: o ponto de partida, a origem da Revelação foi o Pai.

Inicia-se uma sequência, que inicia com o Pai transmitindo ao Filho.


 e que ele (Cristo) enviando por intermédio do seu anjo notificou ao seu servo João

É interessante que o Filho não transmitiu diretamente a João, mas utilizou um anjo.

Que anjo? Não sabemos. Muitos anjos são mencionados no Apocalipse.

Seja como for, é como se esse anjo tivesse recebido a incumbência de ser um cicerone, um guia para João, nas suas visões e deslocamentos que faria.


Está respondida então a primeira parte da pergunta: revelação feita por quem?

Feita pelo Pai ao Filho, que transmitiu ao anjo, que transmitiu a João.

João é o quarto na sequência.


Agora, a próxima parte da pergunta é: revelação dirigida a quem?

... para mostrar AOS SEUS SERVOS

Interessante: o livro da Apocalipse é dirigido primariamente aos servos de Cristo!

Aliás, só há dois tipos de gente: os que são servos de Cristo (salvos) e os que não são.

Quem não é de Cristo pode ler Apocalipse mil vezes, e não entenderá coisa nenhuma.

“Ah, pastor, se o senhor vai dizer que o crente entende tudo, acho que não sou crente, pois não entendo nada”!

Dois exageros nesta afirmação.

Primeiro, dizer que não entende nada. Isso é ruim, pois logo no início Deus diz claramente que a revelação é para o crente.

Então, ou você não é crente mesmo ou está desprezando sua capacidade de entender ou, pior, a capacidade do Espírito Santo de lhe iluminar.


Segundo, achar que, por ser crente, irá entender tudo.

Há muitos símbolos, figuras e descrições de seres e coisas fora do nosso conhecimento que não podiam ser descritos com palavras.

Além do mais, há o aspecto misterioso mesmo, além da nossa compreensão.

E mais: Deus não quis revelar tudo. Há muita coisa ainda encoberta.

Ou seja, o propósito de Apocalipse não é de ser compreendido em cada detalhe.

Mas que ALGO que deve ser compreendido, isso é afirmado.

E é a compreensão desse “algo” que o crente deve buscar intensamente diante de Deus.


A última parte da pergunta é: revelação consta do que?

... as coisas que em breve devem acontecer

... as coisas: eventos futuros, dentro do contexto específico do julgamento de Deus quanto aos anjos decaídos (liderados por Satanás) e quanto à humanidade (incluindo mudanças na Criação, formação de novo céu e nova Terra, etc.).

Os que creram em Deus já estão julgados em Cristo, perdoados e estarão eternamente com Deus.

Os rebeldes serão julgados e condenados a sofrerem eternamente no lago de fogo -  exatamente o mesmo destino para Satanás e seus demônios.

A história da raça humana e da revolta de Satanás tinha de terminar assim, com Deus julgando e mostrando o Seu poder e a Sua justiça.


devem: gr. δει:  dei: é necessário, há necessidade de, convém, é correto e próprio

Entre várias conotações da palavra: “Necessidade estabelecida pelo conselho e decreto de Deus, especialmente por aquele propósito seu que se relaciona com a salvação dos homens pela intervenção de Cristo e que é revelado nas profecias do Antigo Testamento” – Strong.

em breve: gr.: rapidamente.

Bible Knowledge Commentary: “A expressão “em breve” significa que a ação será repentina quando chegar, não necessariamente que ocorrerá imediatamente. Uma vez que os eventos do final dos tempos cheguem, eles ocorrerão em rápida sucessão”.

Outros acham que significa não “rapidamente”, mas “na iminência de”.

Ambas fazem sentido e estão de acordo com outras passagens das Escrituras.  

Confesso que não sei grego o suficiente para avaliar essas sutilezas dessa expressão.

E mesmo que signifique “em curto tempo”, temos de lembrar que para Deus um dia é como mil anos e que Deus vê o tempo de maneira diferente de nós.


v.2

... o qual atestou a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu

... atestou: gr. μαρτυρεω martureo: Ser uma testemunha, dar testemunho, afirmar ter visto, ouvido ou experimentado algo – Strong.

É exatamente a mesma palavra de “testemunho de Jesus Cristo”.

Logo no início do livro, João faz uma declaração formal de que ele cumprira o seu dever. E afirma solenemente estar convicto de que tudo o que lhe mostraram era de Deus e tinha o testemunho pessoal de Jesus Cristo.


No v. 3, antes de iniciar a revelação propriamente dita (v.4), vemos uma afirmação que, na realidade, é uma exortação – que não sabemos se é do próprio João ou do anjo.

Seja como for, é uma grave advertência.

Veremos na próxima pregação.


Que Deus nos abençoe. Amém



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