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PREGAÇÕES

Série Apocalipse - 54 – Ap 19.1-10: O casamento de Jesus


Mauro Clark - 23/06/2019
68 minutos




Apocalipse 19.1-10

Série Apocalipse - 54 – O casamento de Jesus

 

Ap 19.1-10


Terminei a última pregação dizendo:

“Deus nunca esteve desatento ou inerte quanto aos sofrimentos do seu povo.

Chegou a hora de dar um Basta nisso. Chegou a hora de ser exercida a justiça divina, que será feita pelo Filho de Deus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Que Ele venha!”

Pois agora, no nosso relato de Apocalipse, Ele está mesmo vindo!


Mas antes de descrever a própria volta de Cristo, João relata grande movimentação no céu, indicando fervente adoração a Deus, como que comemorando o fim da Babilônia e a chegada iminente da Messias para lutar contra o anticristo e seus aliados.

Temos aqui atos de adoração, envolvendo grupos diferentes ou se superpondo, e tendo em comum o início da adoração com o brado Aleluia, termo hebraico, junção de duas palavras: louvar e Deus: Louve ou louvemos a Deus.


1º. ato: v.1-3

Quem adorava: numerosa multidão.

Geralmente quando alguém na Bíblia incita o louvor a Deus, diz o motivo!

Motivos:

* Atributos de Deus (glória, poder)

* A iniciativa de Deus em salvar

* Absoluta retidão e justiça nos Seus juízos.

Só que aqui não é uma afirmação genérica sobre os juízos de Deus, mas focaliza um juízo em particular, que acabou de acontecer: o julgamento da grande meretriz que corrompia a terra.

E mais: o julgamento incluiu a vingança de Deus em prol do sangue dos seus servos.

Ou seja, Deus provou a sua retidão e justiça ao julgar, condenar e executar a pena sobre esse inimigo misterioso, poderoso e ultra maligno.

Esse brado lembra os Salmos imprecatórios, em que o salmista pedia que Deus se manifestasse e julgasse duramente os inimigos dEle. Pois isso estava começando a se tornar realidade.


E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos: figura do quão definitivo foi a destruição de Babilônia cidade (e organização religiosa)


2º. ato: v.4

Quem adorava: Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes

Diziam: Amém! Aleluia!: apenas confirmava o que a multidão dizia.


3º. ato: v.5

Quem adorava: não sabemos, mas a ideia é de um individuo só (anjo ou homem): uma voz.

Incentivava todos os servos de Deus a louvarem a Deus.

Observe: ... os pequenos e os grandes: sugere clara de hierarquia entre os salvos.


4º. ato: v.6-7a

Quem adorava: um anjo muito poderoso, com voz ultra potente (ver. v.9).

Aleluia: Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso.

Ou se refere ao Reino milenar de Cristo, que ainda não chegou mas é tão certo que é como se estivesse ocorrendo.

Ou se refere ao reino soberano do Deus Todo-Poderoso, sobre tudo o que existe.

O brado continua, agora incitando enfaticamente os adoradores a uma alegria abundante:


Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque...

Parece que apenas dizer “Aleluia” era pouco. Tinha que haver muita, muita alegria!

Mas, por que tanta alegria?


v.7b

... porque são chegadas as bodas do Cordeiro...

Esta é uma daquelas passagens de Apocalipse com poucas palavras, mas cada uma pesando uma tonelada!

Bodas: casamento. O casamento em si ou solenidade do casamento.

... do Cordeiro: não resta a menor dúvida que se trata de Jesus Cristo, especificamente o Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade.

A primeira providência para compreender essa expressão é procurar na Bíblia alguma referência ao casamento de Jesus Cristo, ou a Jesus Cristo como marido ou como alguém sendo a esposa de Jesus Cristo.


No AT encontramos algumas passagens usando a figura de marido para Deus, sendo Israel a esposa.

Mas duas coisas precisam ser observadas:

1. Embora tecnicamente cada passagem possa ser aplicada à 2ª. Pessoa da Trindade (algumas de fato são), o mais comum é o AT se referir a Deus Pai ou ao Deus triuno. 


2. Nessas passagens Israel não se refere apenas aos israelitas salvos, mas ao povo como um todo, que Deus escolheu para ser o Seu povo na terra, canal para as nações.

E geralmente essa esposa é acusada de infiel, adúltera, ingrata - mas que seria restaurada depois. Exatamente como será Israel no Milênio.


Quando chegamos no NT, surge algo inusitado: Jesus Cristo, especificamente é chamado de esposo. E sua esposa é claramente identificada. O povo de Israel, como no AT?

Não: a igreja! Ef 5.22-33; 2Co 11.2

E a ideia é de uma noiva pura, linda, bem vestida.

Bem diferente da figura de esposa adúltera aplicada ao povo de Israel no AT.


Conforme nosso ponto de vista escatológico, a Igreja já havia sido arrebatada a partir do cap. 4 de Apocalipse.

Cristo havia trazido a sua noiva para perto de Si, antes de dar início à Tribulação.

Agora chegar a hora de realizar de fato o matrimônio.


A única informação que temos sobre a cerimônia celestial é sobre as vestes da noiva


v.7c-8

... cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.

Lembra Is 61.10, embora aqui se refira a crentes em geral.

... santos: Já sabemos de Ef 5 e 2Co 11 que a esposa de Cristo não é uma só pessoa, mas um grupo específico de santos, a Igreja - pessoas convertidas desde o dia de Pentecostes até o dia do Arrebatamento. Ou seja, esse grupo já estava definido e “fechado” desde o arrebatamento, quando todos foram para o céu.

É como se cada crente da Igreja estivesse vestido dos próprios atos de justiça. Como?

Ou no sentido que foi justificado pela fé em Cristo ou no sentido de cada ato próprio cometido após a conversão.

Alguém, inclusive, comentou que no céu teremos justiça própria. Concordo.

Embora altamente figurativo, acho que de fato cada santo estava vestido de modo belo.

Seja como for, acontece agora o que Paulo desejou e predisse em Ef 5.27.


Embora não fique evidente, presume-se que o casamento ocorreu naquela mesma ocasião. E não temos mais detalhe nenhum.


9a Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.

Escreve: talvez algo como “Não pare de escrever, João!”

O foco agora muda do casamento em si e da própria cerimonia, para o banquete que segue. Antigamente as festas poderiam durar vários dias.

Duas perguntas:

1. Quem são os que são chamados para a ceia?

Ou os próprios crentes da Igreja, ou seja, a própria noiva. Não faz muito sentido.

Ou os outros crentes que não pertencem a Igreja: santos do AT ou santos da Tribulação.


2. Onde será realizada a Ceia?

Ou no céu mesmo, logo depois da cerimônia.  vem à mente esses dois grupos.

Ou na terra, após o retorno de Cristo.

Nesse caso, além dos dois grupos que falamos, podemos pensar também nos crentes vivos na terra quanto Cristo voltou.


Seja como for, o assunto agora é o casamento do Senhor Jesus Cristo, é o vestido da noiva na cerimônia, é a Ceia depois, é a felicidade de quem é chamado para a Ceia. Tudo é festa, tudo é alegria.

Certo que ainda resta Cristo voltar e lutar contra o diabo e seus asseclas – anticristo, falso profeta, os reis da terra e multidões de soldados.

Por um lado, algo gigantesco. Por outro, será tão rápido e Cristo vem com tanto poder, que tudo isso é considerado como já passado e quase como um detalhe que não vai estragar a alegria dos redimidos e do grande Redentor.


v.9b

O anjo encerra formalmente suas palavras:

E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.


A reação de João é tragicômica.


10 Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo.

Para quem gosta de tirar a Bíblia do contexto para distorcê-la, esta é uma boa passagem: Vejam o grande apóstolo João idolatrando em plena atividade profética!

Obviamente não é nada disso.

Tomado por emoção, mente sobrecarregada de tantas revelações, figuras, imagens fortíssimas – tudo isso deve ter deixado João meio atordoado.

E sem nenhum constrangimento, diz o que fez: caiu aos pés do anjo para adorá-lo.


Vemos que mesmo os grandes crentes são pessoas como nós, sujeitas a fraquezas, deslizes, má compreensão.


A resposta do anjo é muito rica. Quatro partes:

1. Vê, não faças isso

Reação forte, recusa firme e ordem taxativa.


2. sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus

Explica porque a ordem: “Sou um servo de Deus, como também Tu és, assim como os teus irmãos que mantém o testemunho de Deus. E nessa condição de servos, somos todos equivalentes”.

Manter o testemunho de Jesus: confessar-se crente, submisso a Ele e viver de modo a demonstrar isso.


3. adora a Deus

Frase curtíssima, simples, mas de fundamental importância para quem deseja se relacionar com Deus de maneira correta.

E infelizmente tão desobedecida por milhões que se chamam cristãos.


4. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia (NVI: ... de profecia)

Frase difícil.

Os crentes dizem de Cristo e vivem o que está escrito na “profecia” = Palavra de Deus.


Pergunta: quando vemos alguém que se identifica como “cristão”, adorando uma imagem, devemos ter a mesma atitude paciente e compreensiva que o anjo teve com João?

Sim e não.

Sim, no sentido que devemos evitar julgar coração e nos limitar a ensinar o que é bíblico.

(Na prática, o que ocorre é que pessoas não toleram ser orientadas nessas coisas, até se ofendem).

Mas que devemos agir com paciência e serenidade, sim.

Não, no sentido de que a situação não é como a de João com o anjo. Na época, o NT não estava completo. Hoje o cânon está formado e a Palavra de Deus acessível a todos. Inclusive esse episódio com João e o anjo!


E vamos à volta de Cristo na próxima pregação.

Que Deus nos abençoe. Amém



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