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PREGAÇÕES

Quem é mesmo o chefe? (Cl 3.22-4.1)


Mauro Clark - 17/09/2017
61 minutos




Colossenses 3.22-4.1

QUEM É MESMO O CHEFE?

Cl 3.22-4.1


Após falar para membros da família (esposas,maridos, filhos e pais), Paulo se volta para duas classes: servos (escravos) e senhores (escravos eram considerados da família).

O contexto ainda é característica do novo homem. Ou seja, como um servo crente deve se comportar com relação ao patrão e como um patrão crente deve tratar o escravo.


v.22a

Servos: liter. escravos, comum na época.

Não apenas negros amarrados, mas podia ser profissionais, como professores, médicos, artesãos. Pessoas sem qualquer direitos legais.

Vamos aplicar a orientação aqui para servos e empregados atuais (apesar da enorme distância entre escravos daquela época e empregados de hoje).


obedecei em tudo o vosso senhor segundo a carne

Refere-se ao patrão ou chefe humano.

A expressão indica que há um outro senhor, não segundo a carne. Deus, claro.

Mesmo assim, note que o crente continua obrigado a obedecer os senhores humanos.

O procedimento do servo para com o chefe resume-se em uma palavra: obediência.


em tudo

Dentro dos limites: nada que se chocasse contra os princípio de Deus ou indigno.

Seja como for, a expressão é forte e indica que, para Deus, o ideal é um crente cordato aos seus chefes, dócil, que faz o que mandam.


v.22b-23

não servindo apenas sob vigilância... e não para homens.

Agora Paulo vai mais fundo e passa para a área do propósito das ações.

Deus não se satisfaz com uma obediência mecânica, fria, ou por medo de outros denunciarem (fiscais, colegas, etc.) ou visando apenas ser reconhecido como um bom funcionário e deixar o patrão satisfeito, etc.

Nada impede de isso ser feito com cinismo, ódio, desejo de vingança (Eu cresço, depois te derrubo), ganância para crescer às custas dos outros.

Evidente que todas essas são atitudes pecaminosas.

Por fora, excelente empregado, por dentro, maquinador do mal.

Além de obediente, Deus deseja que o empregado crente aja com bons propósitos, temendo a Deus, ou seja, em reverência a Ele, sabendo que Ele é exigente e Santo.


Esse princípio vale para todas as áreas da vida, para todos os crentes.

E é um segredo da vida cristã: Deus não se interessa apenas COM O QUE fazemos, mas COMO fazemos, com que espírito.


Você, jovem, se comporta bem em classe? Ótimo, mas por que? Simplesmente como medo de ser suspenso?

Pois saiba que para Deus não é suficiente. Você deve se comportar bem porque sabe que precisa dar bom testemunho como filho de Deus, fazendo o que é obrigação de aluno.

Esse é um aspecto dificílimo da vida cristã, por causa da nossa mania de exterior.

Bem sei que o professor está pouco ligando para o que o aluno  pensa dele. Basta ficar comportado e já se satisfaz.


Mas com Deus não é assim. Ele quer atitude íntimas bem afinadas com Ele.

E isso é muito difícil. Nossa raiva, inveja, carnalidade está constantemente estragando o nosso interior. Temos que mantê-lo sempre puro. É uma luta tremenda!


Voltando:

Suponha um empregado que obedece o chefe e faz a tarefa com perfeição - detalhe: com os piores dos pensamentos sobre o chefe.

Para o patrão, funcionário excelente. Para Deus, crente rebelde, desrespeitoso.

Ou seja, para agradar a Deus, tem que fazer a tarefa e manter o coração puro, oferecendo tudo a Deus.


v.24a

Cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança

Herança: vida eterna.

Na vida eterna seremos recompensados de tudo o que fizemos aqui que agradou a Deus.

São os galardões. (Alguns comentaristas vêem algo no presente, para hoje).


Ideia interessante: as grandes recompensas ao crente por ele ser um bom servo, não virão do patrão humano, mesmo que este lhe dê aumentos, regalias, etc.

Mas quem vai recompensá-lo mesmo, à altura, é o próprio Deus - não com dinheiro e bens, mas com vida eterna de salvação e (e muita paz interior, aqui na terra).


v.24b

A Cristo, o Senhor, é que estais servindo

Já comentei antes, que ao falar em “senhor segundo a carne”, o autor sugere a idéia de que havia um outro Senhor, não segundo a carne. Agora Paulo é direto e claro.

Cristo é o grande Senhor dos servos, dos empregados, dos subordinados.


Esse é um princípio importante para o crente levar em consideração.

Mesmo nos momentos de bom relacionamento com o patrão, satisfeito como o salário, etc, é bom lembrar que o patrão mesmo é Cristo. O emprego depende é de Cristo. Tudo depende dEle.

E nos momentos difíceis, patrão ruim, indelicado, tratante, etc, lembrar que está servindo primariamente não é a ele, mas a Cristo. Isso ajuda a ter paciência e não ficar angustiado.

Se Cristo quiser, faz melhorar as condições, arranja outro emprego, dá forças para suportar a situação, etc.


v.25

pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas

Pode se referir à injustiça feita pelo servo ou pelo patrão.

* Se pelo servo, serve como advertência de que não é por ser escravo ou servo que pode fazer o que bem entende, se vingar do chefe, ser mau empregado, etc. Deus está atento.

* Caso se refera aos senhores, é outra forma de aliviar o peso de empregados injustiçados: lembrar que os patrões injustos receberão o troco da parte de Cristo, que é justo e trata a todos dentro do mesmo princípio: conforme a atitude de cada um.

Como se dissesse: "Não se preocupem. Vocês têm quem lhes defenda e que vai pedir contas pelo que fizeram."


É reconfortante termos um Salvador tão forte e dedicado em nos ajudar, nos amparar, nos proteger e cobrar de quem nos trata mal!


4.1a

Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade...

Agora dirige-se aos patrões, mandando-os tratarem os servos de duas maneiras:

com justiça: de maneira justa, razoável.

com equidade: igual com todos, em termos de dignidade humana.


Simpes, não? Duas palavrinhas, e estaria resolvido tudo o que Deus quer de um patrão.

Mas como o mundo age diferente.

Patrões em geral são não apenas frios e calculistas, mas injustos, exploradores. Tratam mal um funcionáro humilde e melhor um mais graduado.


Em Ef 6.9, Paulo acrescenta mais uma obrigação para os patrões:

deixando as ameaças

Forma comum de pressão são as constantes ameaças de demissão (na época, de castigo físico). Isso apavora o empregado, ainda mais em época de desemprego.

Além da pressão, ameças também servem para humilhar - como se o patrão estivesse sempre lembrando quem é que manda, quem é o maior.

A ordem é clara: deixem as ameaças. Se o empregado não estiver correspondendo, converse francamente, jogo aberto. E se precisar, até demita-o, mas sempre com dignidade e respeito.


Voltando a Cl 4.1b:

...certos de que também vós tendes Senhor no céu

É como se dissesse: Cuidado, patrõezinhos arrogantes. Vocês que gostam de ameaçar, de gritar com o empregado, de humilhar, deixe-me só lembrar que vocês também são empregados de um patrão lá no céu. E Ele é muito poderoso, Não vá irritá-Lo!"


Veja como ficaram nivelados, empregado e patrão: ambos tem o mesmo Senhor, no céu.

Quando Cristo entra em cena, todos se nivelam. Não há grande e nem pequeno. Ou melhor, todos são pequenos. Não rico nem probre. Ou melhor, só há pobres.


Se servos ou senhores, em posição de obedecer ou de mandar, tratemos a todos em alta consideração, em amor.

Sempre lembrando que os relacionamentos com as pessoas, sejam quais forem, são secundários. O importante é o nosso relacionamento com Cristo. Se este estiver bem, tudo o mais estará bem.


E no relacionamento com Cristo, são extremamente importantes os motivos e o estado do nosso coração.

Mantenha seu coração limpo e em paz com Deus.


E você, amigo, que tal entrar no jugo de um Chefe, um  Senhor tão benigno?


Que Deus nos abençoe. Amém



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