PREGAÇÃO

Ajuda-me! 1ª. parte

Mauro Clark | 11/10/2020
65 minutos

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Orar é uma das atividades mais básicas da vida cristã – e da mais complexas.

Envolve pedir, agradecer, louvar, interceder, desabafar.

Problema: somos meio incompetentes em orar! Rm 8.26; Tg 4.3

Quero concentrar esta e a próxima pregação em um tipo de oração: pedir.

E dentro desse tipo, focar num ponto: a ATITUDE ao pedir.

É impressionante como o próprio Deus é sensível a essa questão de atitude.

E é fácil compreender isso, pela nossa própria experiência: mesmo não muito dispostos a dar ou ajudar, uma ATITUDE correta pode nos fazer mudar de ideia.

E o contrário: uma atitude errada tende a fechar o nosso coração. 

Várias pessoas pediram ajuda a Cristo.

Veremos 6 exemplos (três hoje e três no próximo domingo), para aprender nas ATITUDES de quem pediu e na própria reação dEle. (Não detalharei os textos).

 

1) Mt 15.21-28Mulher siro-fenícia pede pela filha endemoninhada

Particularidade interessannte da parte de Jesus: resistência.

Parece que Ele não ia mesmo atender. 

Lições da mulher:

a) Disse duas vezes que precisava de ajuda: v.22 “tem compaixão” e v. 25 “Socorre-me”.

b) Falou, argumentou, pediu, insistiu. Nada a fez desistir, nem a resistência dEle.

c) Mostrou muita confiança que Jesus a atenderia.

 Aplicação para você:

a) Diga diretamente para Deus: “Senhor, me ajuda!” Não arrodeie. Exponha precisamente o seu estado. “Senhor, estou liquidado, arrasado, socorro!”

Ex.: É irritante quando alguém desfia um longa estória antes de pedir. A vontade é dizer: “Diga logo, o que você quer?”

Devemos fazer assim com Deus. Seja breve num determinado pedido, objetivo: Ec 5.2 

b) Insista, mesmo que pareça que Deus não vai responder.

O próprio Jesus reconheceu que às vezes Deus parece demorado em atender: Lc 18.7

Se o seu coração indica para você continuar insistindo e sempre com a condição “segundo a Tua vontade”, é correto insistir: Lc 18.1 

c) Confie que Deus lhe atenderá (se você continuar em paz em pedir).

Nunca pense que Deus ainda não atendeu por desinteresse

Ele é interessadíssimo em você, amoroso. Se for o melhor, com certeza Ele dará.

Ex.: Enquanto eu pensava num pedido do filho, ele se impacientava e dizia que eu não iria atender. Estragava tudo!

A Bíblia tem muito a dizer sobre “esperar em Deus”: Sl 42.5; 1Tm 5.5

Se não soubermos esperar, perseverar, teremos só prejuízo:

* Pedir com menos ardor

* Desenvolver certa amargura ao longo dos pedidos

* Parar antes de conseguir

Pergunta importante:

Como saberemos se o que estamos pedindo não é melhor para nós e, portanto, Deus não irá atender?

Entendo que o Espírito Santo tirará de nós a vontade de orar por aquilo: Rm 8.26

 

2) Mc 9.17-24Homem, com o filho possesso

Particularidade interessante: os discípulos tentaram, mas não puderam ajudar.

Quando viu Jesus, o homem não pensou duas vezes: se identificou e falou abertamente da incapacidade dos discípulos.

É claro que Deus se utiliza de pessoas para nos ajudar.

Só que muitas vezes as pessoas, mesmo bem intencionadas, simplesmente não conseguem nos ajudar.

E nos frustrarmos, sentindo-nos sós, desamparados.

É hora de correr para Cristo e dizer “Senhor, os teus servos aqui na terra não estão me ajudando em nada, quanto à minha necessidade. Até que tentam, mas não conseguem. Senhor, me ajuda diretamente!” 

Esse é o tipo de pedido que exige fé:

* Não estamos vendo Jesus pessoalmente (como vemos as pessoas)

* Não sabemos que tipo de solução Ele dará

* Não sabemos quando Ele vai atender

Tudo fica nas mãos dEle.

E coisa boa é sermos exercitados na fé, às vezes até o limite, e ficar 100% nas mãos de Cristo, totalmente à parte das pessoas. 

Falando na necessidade de fé, o homem da estória enfrentou exatamente esse problema.

Jesus disse que era preciso ter fé.

O que o homem fez?

1. Reconheceu que tinha fé.

2. Logo confessou que era mínima, quase inexistente. 

Belo exemplo para você, crente:

1. Reconheça que tem fé, sempre repita, confirme, reconfirme, agradecido.

2. Reconheça que a sua fé é bem pequena. 

- Momento, pastor, quem é o senhor para dizer que a minha fé é pequena?

Bem, é que, a rigor, não sou eu quem está dizendo! Lc 17.4-6.

Como não há um método para medir a fé, é saudável você sempre partir do princípio que a sua fé pode ser aumentada.

E então orar, de coração: “Senhor, eu tenho uma fé tão fraca. Não estou nem muito convicto de que Tu vais me ouvir e atender nisto. Me ajuda!”

 

3) Lc 18.9-14

Ponto a enfatizar: Convicção do homem de que era pecador e, portanto, indigno de pedir e receber alguma coisa de Deus. 

Lição de ouro aqui: a sensibilidade de Deus diante de uma oração em que o crente humildemente reconhece não merecer o que está pedindo.

Parece o contrário do chamado Evangelho da Prosperidade: “Exija, você é filho de Deus, diga o que você quer e Deus fará”. Atitude errada.

Você se tornou filho pela pura graça e misericórdia de Deus. Só isso!

E mais: continua cometendo pecados e ofendendo a Deus, mesmo já sendo filho.

Você não merece nada! 

Nunca peça nada com espírito de exigência, como se Deus tivesse obrigação de lhe dar.

Certa vez Cristo falou algo meio duro, mas que nos colocou no devido lugar: Lc 17.10.

Seja franco, você acha agradável ser chamado de servo inútil? Eu também não!

Mas sabe o problema? É que somos – gostemos ou não!

Então o melhor é enfrentarmos a realidade, entendermos que pode não ser agradável à carne e ferirmos o nosso orgulho.

Agindo assim, com certeza o Espírito Santo, na sua ação santificadora, nos ensinará a achar, sim, agradável o somente sermos servos – inúteis ou não.

E aprenderemos que o Senhor, a rigor, não precisa do nosso serviço em si e nem considera o fato de sermos escravos o mais importante na relação com Ele.

Mas o fato de Ele ter nos tornado filhos e nós dedicarmos a Ele nosso coração, nossa alma, nosso ser.

Que Deus nos abençoe! Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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