PREGAÇÃO

Dando com equilíbrio... mas dando!

Mauro Clark | 14/06/2015
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8 Não vos falo na forma de mandamento, mas para provar, pela diligência de outros a sinceridade do vosso amor;9pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.10E nisto dou minha opinião; pois a vós outros, que, desde o ano passado, principiastes não só a prática, mas também o querer, convém isto.11Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo segundo as vossas posses.12Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.13Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,14suprindo a vossa abundância no presente a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade,15como está escrito:   O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.
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v.11b-13

Duas coisas nesses 3 versículos:

1. Princípio da proporcionalidade na doação

2. Importância da boa vontade: comentarei em 9.6, quando falarmos da alegria ao dar.

 

O princípio da proporcionalidade na doação:

(IMPORTANTE: tratarei de ofertas ALÉM do “dízimo” (valor proporcional ao que ganha, entregue regularmente à igreja - que é obrigação básica de todo crente).

 

v.11b ... segundo as vossas posses

v.12: ... será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem

Não adianta o crente ouvir pregação e sob emoção decidir doar mais do que pode.

Deve submeter à oração, pensar e decidir.

Se num determinado momento achar que chegou a hora, decide.

 

Corro um certo risco de enfatizar esse aspecto, pois todos nós temos a tendência de fazer o contrário: doar menos do que podemos.

Mas tenho que ser honesto e tratar de todos os aspectos do que estou pregando.

Que ninguém se aproveite e diga: Bem que eu estava pensando em ajudar aquele irmão, mas o pastor Mauro disse para eu ter cuidado, então...

 

v.13: A lógica desse princípio é clara: se alguém doar mais do que pode, ao mesmo tempo em que aliviará o outro, ficará ele próprio em necessidade.

O que adianta você dar tudo para os pobres e você mesmo ficar pobre?

Alguém lhe verá pobre e doará tudo para você. Agora ele ficou pobre e você deixou de ser. Então você devolverá tudo. Uma roda-viva ridícula!

O alvo é igualdade: ou seja, equilíbrio.

 

Haroldo sobre irmão: situação financeira difícil porque dá demais, mais do que pode.

A princípio fiquei chocado, mas percebi este princípio em ação.

 

Parêntese: por que Jesus elogiou a viúva no templo, que não seguiu a regra e deu tudo?

Mc 12.41-44

Antes de tudo, observe que Jesus CONFIRMOU o princípio da proporcionalidade.

Ele elogiou a oferta da viúva exatamente porque era enorme para ela, embora fosse ridiculamente pequena comparada com a oferta dos ricos.

De fato, ela não seguiu o princípio da proporção, mas Jesus não entrou nesse mérito, foi mais fundo e focalizou no coração dela, que agradou profundamente a Deus.

Eu não acharia contraditório se, logo depois, Jesus a chamasse à parte e dissesse: “Minha filha, foi lindo o seu gesto. Mas não precisa dar o que fará falta para o seu viver básico. Deus sabe que você gostaria de dar muito mais, se pudesse. Isso é o importante!”

 

... mas para que haja igualdade

Essa palavra voltará no v. 14.

 

v.14

suprindo a vossa abundância no presente a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade

 

Não esqueça: Deus quer que você supra o necessitado de hoje com o que você tem hoje!

É enganosa a ideia de juntar, para quando tiver muito, lá na frente, ajudar os outros.

 

Duas lições:

I. A fragilidade das nossa situação financeira. Tudo pode mudar no futuro. E talvez bem mais rápido que pensamos.

Você, que hoje está em situação de dar, não pense que nasceu para ser o doador e o irmãozinho, coitado, nasceu para receber.

A situação pode inverter: o necessitado ficar bem e o que ajudou ficar necessitado.

 

O problema é que é tão humilhante a ideia de receber, de ser ajudado, que muitos acumulam sempre, para garantir o máximo que não ficarão necessitados e precisando da compaixão de outros!

Isso é tudo o que Deus NÃO quer!

Agir assim é certeza de desagradar a Deus e se expor a ser disciplinado com um duro golpe nas finanças.

 

Apesar do contexto tratar mesmo de dinheiro, quero ampliar: dê atenção, carinho a quem está precisando HOJE; amanhã é você quem estará desesperado por uma visita, por um sorriso, por um ombro amigo para chorar.

 

II. Não é saudável doação do tipo contínuo, por tempo indeterminado.

Tão logo a necessidade passe, a ajuda deve terminar.

Ninguém deve se acostumar em ser ajudado. O normal é cada um suprir as próprias necessidades, adequando as despesas com o seu ganho.

Isso tem sido motivo de abuso por crentes não muito conscienciosos.

Paulo foi duríssimo com pessoas assim: 2Ts 3.10

(Obviamente não é o caso de missionários, que recebem salários).

 

Voltando:

... e assim haja igualdade

Repete o que havia dito no final do v.13.

Que IGUALDADE é esta? Comunismo? Não!

Não é igualdade no padrão financeiro, mas no aspecto de não estar em necessidade, de cada um estar vivendo normalmente dentro do seu próprio padrão.

 

v.15

Ex 16.13-21: O maná devia ser colhido apenas o suficiente para o próprio dia.

Era absolutamente proibido guardar para o dia seguinte (exceção do Sábado, quando na véspera colhiam porção dobrada).

Cada pessoa colhia o que achava que podia comer e depois juntava tudo em família.

 

Interessante: o que parece apenas uma curiosidade histórica, mostra-se uma valiosíssima lição de um propósito de Deus para nós: não quer que acumulemos.

Paulo compreendeu bem esse princípio e citou em 2Co, dando ênfase ao seu argumento.

 

Jesus bateu na mesmo tecla, quando disse para não nos preocuparmos com o ANO seguinte, não foi? Não. Ele falou do dia seguinte! Basta a cada dia o seu mal: Mt 6.34

 

E porque Paulo citou o exemplo do maná?

Porque queria que TODOS estivessem supridos PARA O PRESENTE.

Uns dando, outros recebendo.

Os que dão ficam com menos, os que recebem ganham alguma coisa, mas passou a haver mais EQUILÍBRIO.

Antes, alguns tinham mais e outros não tinham nada. Agora todos teriam o suficiente para viver e resolver o problema no momento.

E quanto ao futuro? O futuro Deus tomaria conta!

 

E assim deve ser conosco. Alguém está precisando de ajuda. Temos HOJE? Então vamos dar. Mas e as minhas reservas? Ora, Deus cuidará delas!

 

Termino com uma pergunta: Que percentual seguir para as minhas doações e ajudas?

Talvez essa seja a parte mais difícil, pois é muito pessoal, apenas entre você e Deus.

E por que difícil? Porque não há uma tabela, como os impostos.

É uma decisão complexa, onde entram, por um lado, cálculos numéricos, planejamento e, por outro, consciência, amor, misericórdia, fé, ousadia, liberalidade.

Cada doação, cada ajuda, deve ser tratada caso a caso, conforme a situação do outro e a sua - tudo diante de Deus.

 

Que Deus nos ajude me assunto tão sensível a Ele e ao nosso próximo. Amém 

Mauro Clark, 67 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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