PREGAÇÃO

Falso mestre: você sabe reconhecer um? (2 CORÍNTIOS 44 de 54)

2Co 11.1-11      52 minutos      27/09/2015         

Mauro Clark


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O cap. 11 se compõe de duas grandes partes em que Paulo fala do seu ministério, com um intervalo no meio (11.12-15), quando concentra no ataque contra os seus acusadores. Veremos hoje a 1ª. parte (v.1-11). Na próxima, falaremos do ataque (v.12-15)

 

Pressionado por acusações injustas, Paulo tem de se defender, mais uma vez, embora profundamente constrangido:

v. 1

Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois.

... loucura: αφροσυνη aphrosune: estupidez, insensatez (NVI)

Paulo sabe o alto risco da sua autodefesa ser chamada de insensatez. Aliás, em outra situação, até seria mesmo.

Mas as circunstâncias o obrigaram a agir assim. Não havia outra opção.

Se quisessem considera-lo insensato, que ficassem à vontade.

 

Paulo então se vê obrigado a falar coisas positivas dele mesmo (ou melhor, do ministério).

v.2: zelo por vós com zelo de Deus

“Sim, confesso que tenho zelo (ciúme) por vocês. E muito! Mas saibam que não é por interesse próprio, para ser chefão, famoso, etc. Mas é zelo de Deus”.

Zelo de Deus... como? O restante da frase explica:

 

... visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo

Esse zelo foi colocado por Deus em meu coração, para fazer uma obra que não é minha, mas dEle e pelo interesse não meu, mas de outro: Cristo!

E que interesse: apresentar uma noiva a Cristo. Uma noiva virgem, pura.

... preparado: grego: prometer em casamento

 

NIV: Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura

É como se Paulo tivesse prometido a Cristo que iria cuidar bem de cada igreja que fundasse, visando apresentá-la como noiva virgem a pura a Cristo.

Num sentimento paternal, Paulo se sente como o “pai” levando a filha ao noivo.

É uma bela figura, a da igreja sendo noiva de Cristo: Jo 3.29; Ef 5.22-33

 

Duas coisas:

a. virgem pura, em que sentido? Santificada, separada do mundo, aplicando na vida os ensinos vindos diretamente de Cristo - especialmente os ensinos que falam do coração, da adoração única ao Deus triuno.

 

b. Ênfase de um “só esposo”, “único marido” (de fato, “homem” no grego ανερ aner).

Qualquer outra doutrina que não a de Paulo (Evangelho), os levaria para longe do Noivo, para os braços de outro(s), ou seja, para o adultério espiritual.

 

Que maneira BELÍSSIMA de Paulo ver o próprio ministério: tudo para Cristo.

É válido que você tenha prazer no seu serviço nas coisas de Deus.

Que você se sinta bem ao ter o seu trabalho reconhecido pelos outros.

Que você sirva com interesse e seriedade.

Mas tudo isso precisa ser secundário, sendo o grande objetivo a Pessoa de Cristo.

Se assim não for, será apenas um serviço religioso frio e sem valor para Deus.

 

Voltando:

Paulo começa a aumentar a intensidade nas palavras.

Seu tom fica mais duro, sua sinceridade mais aguda.

E revela o medo de algo terrível acontecer:

 

v.3

Deve ter sido um choque para muitos na igreja de Corinto a citação do fatídico encontro da serpente com Eva como um alerta do que poderia estar acontecendo com eles.

Citando a serpente, pela 1a. vez Paulo liga os seus opositores ao diabo.

E que contraste: isso logo depois de dizer que eles estavam comprometidos com Cristo.

 

Que não fossem ingênuos, pois o risco deles era altíssimo, triplo:

a. Serem enganados por astúcia diabólica

b. Terem a mente corrompida, estragada

Interessante: não falou do estrago do “espírito” ou da “alma”, mas é claro que o alvo do diabo era estragar, corromper, perverte-los espiritualmente.

Mas o espírito humano é alcançado pela mente. Mente saudável leva a espírito saudável.

Mente corrompida leva a espírito corrompido!

 

Lição: cuidado com a sua mente! É impossível manter uma mente mundana, suja e ao mesmo tempo estar com o espírito saudável e afinado com Deus.

 

c. Se apartarem da simplicidade e pureza devidas a Cristo

Simplicidade: nossa relação com Cristo é singela, sem filosofias complicadas.

 

Talvez uns pensavam “Ah, mas não temos culpa, como Eva também não, pois a serpente se aproximou dela. Esses homens se meteram no nosso meio, não os chamamos”.

Este argumento é derrubado na próxima frase.

 

v. 4  

Três características ruins e perigosas daqueles falsos mestres:

1. Pregam outro Jesus

2. Têm um espírito diferente do Espírito Santo

3. Apresentam outro Evangelho

 

E sem rodeios, Paulo responsabiliza os coríntios duramente por duas coisas:

a. Não apenas tolerar, mas receber bem malfeitores assim

b. Incoerência de abraçar um Evangelho diferente do que já haviam abraçado antes. De estarem abertos para um Jesus que Paulo não havia pregado. De darem ouvidos a pessoas dirigidas por um espírito diferente do Espírito Santo que haviam recebido.

 

Veja a responsabilidade da igreja em resistir firmemente a quem ensina doutrinas erradas.

Mas para resistir, tem que identificar e para identificar tem que conhecer a boa doutrina.

E isso vale para a sua vida pessoal: não seja ingênuo, perceba o mal e resista a ele!

 

Daqui em diante, a temperatura da indignação de Paulo aumenta mais e começa a ferver.

A linguagem fica mais explícita e pesada.

 

v.5: Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos.

tais: ὑπερλίαν: λιαν lian: excessivamente além dos limites; υπερ huper: acima, mais, além

Ironia pesada: ... inferior a esses super-ultra-mega-apóstolos (NVI: super-apóstolos) 

 

Sem conseguir esconder certa amargura e mágoa, Paulo cita 3 pontos em que provavelmente estava sendo acusado de ser inferior aos falsos mestres:

 

1) v.6: Falto no falhar... não o sou no conhecimento

Reconhece que não tinha treinamento formal de retórica (importante no mundo da época).

Mas tinha conhecimento das coisas que ensinava, do Evangelho, das coisas do alto.

E isso ele já havia demonstrado de várias maneiras.

 

2) v.7-9

O próprio Paulo já dissera que era lícito o pregador viver do Evangelho (1Co 9.14).

Só que ele próprio abriu mão desse direito quando estava em Corinto.

Isso deu motivo para várias acusações:

* desvalorizar o próprio ensino ao não cobrar

* reconhecer implicitamente que não era um autêntico pregador do Evangelho

* incoerência, pois dizia uma coisa e fazia outra

 

Seja como for, Paulo diz que o seu objetivo era não ser financeiramente pesado a eles.

E mais, continuaria do mesmo jeito: ... me guardei e me guardarei de vos ser pesado

Quanto a ofertas em geral, ele aceitava, mas de igrejas onde não estava trabalhando.

 

3) v. 10-11

Se diziam que Paulo não era honesto, tinha duas palavras, etc. a defesa é curta e grossa: A verdade de Cristo está em mim

 

... não me será tirada esta glória nas regiões da Acaia.

Que glória? Parece que a glória de não receber salário enquanto estivesse lá.

 

Por que razão? É porque não vos amo? Deus o sabe.

Deram um jeito de dizer a recusa de Paulo em ser remunerado era falta de amor, pois recebeu dos macedônios.

Mas isso ele deixa com Deus.

 

Encerro com um pensamento.

Comentamos sobre o aspecto coletivo da Igreja ser noiva de Cristo.

Só que a Igreja é composta por salvos.

Ou seja, a alma do crente é comprometida a um esposo.

Você está sendo preparado. Há outros pretendentes de olhos em você.

Candidatos malignos, querendo lhe arrastar para o inferno, para onde eles vão.

Mantenha a sua alma virgem, pura ao Homem que morreu para que sua pessoa se tornasse digna de casar com Ele. Um Homem que também é Deus.

Seja fiel ao Senhor Jesus Cristo!

 

E você, amigo, corra para os braços dEle.

Como uma mocinha arrastada por um estuprador violento se agarra a uma mão forte e amiga que oferece ajuda, segure nas mãos de Cristo e entregue sua alma a Ele.

Pelo Espírito dEle, Ele irá lhe lavar, lhe purificar e tornar sua alma em condições do altíssimo privilégio de casar com Ele - um casamento eterno!

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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