PREGAÇÃO

Jo 16-1 - Guiando à verdade

Mauro Clark

Jo 16.1-7; Jo 16.12-15         21/07/2013          59 minutos


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1 Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. 2 Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. 3 Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim. 4 Ora, estas coisas vos tenho dito para que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco. 5 Mas, agora, vou para junto daquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? 6 Pelo contrário, porque vos tenho dito estas coisas, a tristeza encheu o vosso coração. 7 Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. ... 12 Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; 13 quando vier, porém o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. 14 Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. 15 Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.
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Conversa de Jesus com os discípulos a caminho do Monte das Oliveiras, onde foi traído.

Nas últimas mensagens, Jesus predisse que o mundo odiaria Ele próprio e os discípulos.

Vimos que Cristo fez afirmações sérias e gravíssimas sobre grande parte da humanidade, quanto à atitude para Ele próprio e para com Deus.

Disse que os homens não teriam mais desculpas do pecado de O rejeitarem e de se voltarem contra Ele, uma vez que Ele havia vindo ao mundo, falado e feito muitas coisas.

Mesmo Cristo voltando para o Pai, os homens continuariam sem desculpa, pois o Espírito Santo falaria dEle aos crentes e os crentes passariam adiante o testemunho.

Além do mais, o próprio Espírito Santo daria um testemunho interno nos não crentes. 

 

v.1-4

Ainda sobre assunto de perseguição, Jesus diz algumas coisas.

Antes de tudo, veja o MOTIVO pelo qual estava dizendo agora essas coisas: para que não se escandalizassem quando as perseguições começassem

Grego: σκανδαλιζω skandalizo: cair, tropeçar.

 

Ao contrário, deveriam se lembrar de que Jesus havia predito tudo.

Pergunta: seria sábio Jesus falar em perseguição logo agora, que estavam se sentido desamparados com a partida iminente dEle?

Sim, pois era uma maneira de FORTIFICÁ-LOS em momentos difíceis.

Como? Mostrando o CARÁTER do Senhor pelo qual estavam sofrendo.

Jesus foi HONESTO com eles, nunca os iludiu.

Essa lembrança serviria como INJEÇÃO DE ÂNIMO nas perseguições e sofrimentos.

 

Jesus ainda chega ao requinte de explicar o que poderia ser uma queixa na mente deles: “Mas Senhor, por que tu não disseste tudo isto antes?”

Resposta: porque eu estava convosco (a minha presença dispensava a necessidade).

 

Nós: o mero fato de sabermos que virão tragédias, tristeza e perseguições, serve como âncora quando acontecerem, pois nunca fomos enganados. Isso gera segurança.

 

No caso particular daqueles discípulos, a perseguição iria incluir duas coisas: EXPULSÃO DAS SINAGOGAS e MORTE.

 

Nós, crentes brasileiros, não conhecemos esse tipo violento de perseguição (embora tenhamos formas mais sutis de perseguição, conforme comentei semana passada).

 

Interessante: no v.2b, Jesus fala da complexidade da perseguição religiosa: tanto o perseguido quanto o perseguidor se sentem fiéis a Deus.

Ex.: Saulo de Tarso (antes da conversão).

 

Como cada um se acha com razão, a solução é aguardar o julgamento final de Deus.

Mas para o crente é suficiente saber que está apoiado na Palavra de Deus.

 

v.3

Perseguir um discípulo de Cristo é prova cabal de que o perseguidor não conhece ao próprio Jesus Cristo e nem ao Pai.

 

v.5-6

Jesus encerra o assunto de perseguição e volta a falar na questão da tristeza dos discípulos pela partida dEle.

Interessante: agora é Ele quem revela uma pontinha de decepção:

“Voces ficaram tristes porque eu falei de minha partida e de perseguições, mas pensem um pouco em mim! Vejam a minha alegria de voltar para o Pai amado.

 

Ele já tocara neste ponto em 14.28.b: nenhum de vós me pergunta: Para onde vais?

Jesus se ressente de que os discípulos não aproveitam os últimos minutos na terra com Ele para perguntar sobre o céu, sobre o Pai, as coisas do alto, que Ele conhecia tão bem.

Era compreensível que estivessem tristes e preocupados, tanto com partida de Jesus quanto com as perseguições previstas.

Mas se tivessem um pouco mais de visão, de sede das coisas do alto, e mesmo de AMOR a Cristo, teriam aproveitado bem mais aqueles momentos.

 

Pois se nós estivéssemos lá, teríamos nos comportado bem diferente, não é?

Quanto a você, não sei. Mas quanto a mim tenho certeza que teria sido igualzinho. Somos fracos e olhamos muito para baixo, em vez de olhar para cima.

Como dois presos na janela: um olha para a lama, o outro para as estrelas.

 

Quantas vezes agimos assim!

Não lançamos mão do riquíssimo potencial do relacionamento que temos com Cristo, através do Espírito Santo.

Vamos a Ele para pedir coisas, agradecer, louvá-Lo (tudo certo), mas não dizemos: “Senhor, fala do Pai para mim, das coisas do alto. Me ensina mais as coisas espirituais.”

Jesus não vai nos aparecer numa visão. Mas poderá colocar em nosso coração entendimento sobre coisas reveladas na Bíblia que ainda não havíamos compreendido ou até mesmo fazer realçar passagens que nem sequer havíamos percebido antes!

Tudo isso é possível por causa do Espírito Santo, que Ele enviou para habitar em nós.

 

Jesus volta a esse tema e dá mais detalhes:

v.7, 12-15 (v.8-11 já tratamos na pregação passada)

Jesus repete: “Para o Espírito Santo vir habitar em vocês, eu tenho de ir”.

 

E fala de mais um trabalho do Espírito Santo no crente: ENSINO gradual das verdades.

Os discípulos, assustados e com a fé tão imatura, não tinham a menor condição de receber tudo o que Jesus tinha a lhes transmitir.

Meus filhos perguntavam sobre algo espiritual. Eu tinha tanto a dizer, mas na 3a. frase eles mudavam de assunto.

 

Pois assim seria com os discípulos: à medida que fossem crescendo espiritualmente, o Espírito Santo iria guiando-os a toda a verdade.

Jesus se refere pela 2a. vez ao Espírito Santo com uma bela expressão:

Espírito da verdade (1a: 14.17).

NÃO é uma “verdade particular” do Espírito Santo diferente do que Jesus havia dito ou ainda teria de dizer.

Ao contrário, ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido.

 

Essa frase não compromete a divindade do Espírito Santo ou a autoridade dEle.

A ênfase é sobre a comunhão perfeita entre as 3 Pessoas da Trindade, que transmitem à humanidade uma mesma e única verdade.

 

Da maneira que Jesus disse que falava o que ouvia do Pai, o Espírito Santo só falaria o que tivesse ouvido (implicitamente do Filho e do Pai).

 

... e vos anunciará as cousas que hão de vir

O Espírito Santo não apenas ensinaria os discípulos a compreenderem o que Cristo havia dito, mas Ele próprio revelaria novas doutrinas aos crentes daquela época.

De fato, inspirou autores do NT a escreverem essas doutrinas e muitas profecias.

Tudo em perfeita sintonia com Cristo e com o Pai.

 

Tudo o que COMPREENDEMOS da Bíblia, TUDO, foi ensinado pelo Espírito Santo.

Um ensino soberano, poderoso, eficiente e ao mesmo tempo cuidadoso e gradual.

Não temos condições de compreender tudo logo após a conversão.

Depois, aos poucos, quase sem percebermos, nosso espírito vai assimilando.

Mesmo que não cheguemos à compreensão plena de algumas doutrinas, as dificuldades são menores e o Espírito Santo dá CONFORTO e SERENIDADE

 

v.14: 

Ele me glorificará: mais um aspecto do ministério do Espírito Santo no crente.

Sempre que você ver uma igreja glorificando o Espírito Santo de maneira exagerada,  deixando em 2o. plano a Pessoa de Cristo, saiba que ali há heresia.

O Espírito Santo é Deus, deve ser respeitado e adorado como tal, mas de modo discreto.

O ministério dEle não é enaltecer a Si próprio, mas JOGAR LUZ sobre a Pessoa e Obra de Cristo.

Uma lanterna joga foco sobre o objeto a iluminar, não sobre si própria

 

Jesus deixou isso claro:

porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

A própria essência do ministério do Espírito Santo é ANUNCIAR A CRISTO, com base no que viu e recebe diretamente dEle.

* Tudo o que conhecemos espiritualmente de Cristo, foi ensinado pelo Espírito Santo.

* Tudo o que sentimos por Cristo (amor, carinho, sede, vontade de adorar, de servi-Lo) foi colocado em nosso coração pelo Espírito Sto.

A melhor maneira de glorificar o Espírito Santo é você adorar, servir e falar de Cristo.

 

v.15

Jesus deixa claro que quando fala do que é dEle, está falando também das coisas do Pai: afinal são as mesmas coisas. Tudo o que o Pai tem é de Cristo.

 

O Espírito Santo não vai se limitar a falar das coisas de Cristo como se estivesse deixando de lado as coisas do Pai.

O Espírito Santo fala das coisas Deus de maneira bem abrangente.

Só que as coisas de Deus, no que concerne à humanidade e à Criação, são centralizadas em Cristo, que tornou-se o Salvador do mundo.

 

Em suma, as três Pessoas da Trindade agem em total harmonia pela redenção dos homens.

E o ponto mais visível desse trabalho é a Pessoa de Cristo, que é o Mediador entre Deus e os homens.

 

Graças a Deus pelo ministério do Espírito Santo em nós, por tudo o que nos ensinou e ensina. E, de maneira especial, por ter revelado Cristo a nós.

E você, amigo, peça que Ele fale de Cristo a você!

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 67 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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