PREGAÇÃO

José 14 - Uma aula sobre perdão

Mauro Clark

Gn 50.15-26         28/08/2016          59 minutos


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JOSÉ 14 - UMA AULA SOBRE PERDÃO

Gn 50.15-26

 

Na pregação sobre o cap.45, falei algumas coisas sobre o perdão.

Agora quero acrescentar outras lições que aprendemos com José.

Após o enterro, todos voltam ao Egito.

 

v.15:

Ainda com medo de José, 17 anos depois de virem para o Egito!!!

Temeram que José não os tivesse perdoado, mas apenas aguardava a morte do pai.

Como o pecado cobra caro!

 

Só que José já havia deixado claro, 17 anos antes, que não havia amargura da parte dele, que via a mão de Deus nisso, dando a entender que eles estavam perdoados. (45.4-8)

Mas os irmãos se recusavam a acreditar.

Parece que não tinham noção do que é perdão.

O pior é que, sem querer, estavam duvidando da sinceridade de José.

 

v.16-17

E deram uma solução péssima: mandaram dizer que o pai, antes de morrer, ordenara a José que perdoasse.

Mesmo sendo verdade, isso não mudaria nada.

Continuaram mostrando que nada entendiam de perdão, pois pensavam que José poderia perdoar por ordem do pai.

Ora, ninguém perdoa por ordem de outro. Perdão é algo que vem de dentro.

Essa parte da abordagem foi até ofensiva para José.

Mas finalmente terminaram fazendo o correto, simplesmente pedindo perdão, de modo direto e humilde.

 

José chorou enquanto lhe falavam

Por que? Saudade do pai?  Lembrando o passado? Tristeza com os irmãos que não acreditavam nele. Certamente uma mistura de sentimentos.

 

Quando você pecar contra alguém, não procure obter perdão por pressão, alegando qualquer coisa. Apenas confesse, demonstre arrependimento e apele para o AMOR dele.

E se ele disser que está perdoado, acredite nele!

 

v.18

Contraste: venderam José para ser escravo no Egito, e agora estão eles, no Egito, escravos de José! Que contraste Deus permitiu acontecer. E os sonhos de José se realizaram literalmente!

Seja como for, eles estavam certos em se humilhar.

Quando se peca contra alguém, não há melhor atitude do que ser humilde.

 

José agora dá uma lição nos irmãos:

v.19

Não temais: bálsamo para a angústia dos irmãos.

Apesar de reconhecer que os irmãos lhe tinham feito mal, José os perdoava e lhes garantia sustento.

 

Faz parte do viver cristão o perdoar: Mt 18.21-22

Perdoar não é opcional, mas obrigação.

Sendo assim, não fazemos favor em perdoar, nem nos achar bons porque perdoamos.

A maneira como José fala, dá exatamente a impressão de que ele perdoava não porque era bonzinho, mas porque era obrigação.

Não havia outro modo correto de proceder senão perdoar.

E por que perdoar é obrigação?

Além da ordem explícita, o motivo é porque nós também fomos perdoados: Ef 4.32

 

E se temos dificuldade de perdoar, não é porque estamos deixando de ser bons, mas deixando de ser obedientes!

-Ah, mas é que eu simplesmente não consigo perdoar!

Isso é sinal de santificação pouco desenvolvida. Peça a Deus por mais santificação.

 

Não sabemos as lutas que José teve de travar com a própria carne, mas que terminou perdoando seus irmãos, isso é certo. E muito bonito.

É só lembrar tamanho da agressão que os irmãos lhe fizeram.

À parte de Cristo, quando pensar em alguém perdoador, pense em José!

 

Voltando:

acaso, estou eu em lugar de Deus?

Entendeu que o julgamento e a pena para quem faz o mal, devia vir diretamente de Deus.     
Não cabia a ele, José, vingar-se dos irmãos.     

Parece até que José havia lido Rm 12.19

 

v.20

Vós na verdade intentastes o mal contra mim: José não esconde o pecado dos irmãos.

Perdoar não implica em esquecer (como ensinam alguns).

Para isso teríamos de fazer lobotomia, ou ter amnésia.

Perdoar é proceder como se nada tivesse acontecido, não considerar mais a ofensa.

Mas isso não significa apagar da memória.

José lembrou e disse claramente que seus irmãos fizeram MAL.

 

Quando formos perdoar alguém, não é bom dizer: “Tudo bem, não houve nada, está tudo esquecido”.

Tendo oportunidade, é bom deixar claro que houve algo sim: a pessoa cometeu um erro e seria bom não repetir.

Mesmo assim, fique claro: o assunto está encerrado com o perdão.

 

Voltando:

... porém Deus o tornou em bem

José acrescenta que Deus, na Sua soberania, aproveitou o mal em bem (quase repete o que há havia dito no cap. 45)

Importante: dizer que Deus tornou o mal em bem não significa que Deus é o responsável pelo pecado deles e nem que eles estão isentos de culpa.

Mas ao ver a mão de Deus no assunto, José achou que não deveria fazer mais nada.

 

Outra lição: José olha pelo lado positivo.

Em vez de ver como tragédia, achou que tinha sido para conservação da vida de muita gente (da família e do povo judeu) e dos próprios egípcios, que pereceriam de fome.

Não fora aquilo, todos poderiam facilmente ter perecido.

Pensando bem, já que ele via a mão de Deus por trás de tudo, fazia parte ver coisas boas nas provações. Do contrário, ele estaria admitindo que Deus lhe fizera algo mau.

 

Isso parece lógico, mas muitas vezes caímos nesse erro.

Reconhecemos que Deus está presente em nossas vidas, mas vivemos choramingando de tudo, quase nos considerando vítimas.

Tudo o que acontece conosco é para o bem: Rm 8.28

 

v.21

Não temais: segunda vez!

Lembra de Alguém que gostava de dizer “Não temais!”? Jesus.

Quantas pessoas angustiadas se aliviam só ao ouvir um tranquilo e amoroso “Não tenha medo”, “Não se preocupe”, etc.

Você tem tido essa experiência, tanto de um lado como de outro?

 

... os consolou

José é que precisava ser consolado, afinal ele é que havia sido a vítima.

Mas os irmãos estavam sofrendo tanto com as consequências do pecado que José é que terminou os consolando.

 

Quando alguém pecar contra você, deixe claro para ele o mal que lhe fez.

Porém, esteja sempre pronto para consolá-lo, se estiver arrependido, e estiver sofrendo muito em consequência do tal pecado.

 

... lhes falou ao coração

Desta vez conseguiu convencê-los, dando-lhes paz e segurança.

 

v.22-23

José viveu 110 anos e viu os bisnetos antes de morrer.

 

v.24: Disse exatamente o que o pai, Jacó, dissera antes de morrer, ou seja, José ia morrer, mas Deus faria o povo voltar à terra que dera a Abraão, Isaque e o próprio Jacó.

 

v.25:

Uma profecia e um pedido:

Profecia: Certamente Deus vos visitará.

Ou seja: Deus virá por aqui para vos fazer voltar para Canaã.

 

Pedido: fareis transportar os meus ossos daqui.

Tanto a profecia quanto o pedido foram feitos por pura fé: Hb 11.22

Cumprimento, quatrocentos anos depois: Ex 13.19

 

v.26

Morre o grande José, o humilde José, o fiel José, o servo José.

Graças a Deus pelo privilégio de conhecer homem tão especial pelas páginas da Bíblia.

 

Termino com uma citação de Charles Aalders, Bible Students Commentary:

“O Egito seria o útero em que o embrião da nação de Israel iria se desenvolver até estar pronto para o nascimento como uma nação independente. Então, através de intensas dores de parto, seria dado à luz como uma nação, para tomar lugar entre as nações da terra”.

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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