PREGAÇÃO

Sou de barro, sim, mas que tesouro eu carrego!

Mauro Clark

2Co 4.7-9         07/09/2014          53 minutos


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7Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.8Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados;9perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos.############

 

Paulo retoma o assunto que tocou nos v.1-2 (ler). O trecho 3-7 foi parentético (típico!)

No v.1 ele dissera que de forma alguma iria desfalecer do ministério que recebera por pura misericórdia de Deus.

 

v.7

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro:

Veja o contraste: tesouro x barro.

Que tesouro? Tudo o que Deus operou nele (e nos crentes), como resultado da pregação do Evangelho: a iluminação, o conhecimento de Deus, as promessas, graça, oferta de salvação, ministério.

Que vasos de barro? Ele próprio e os crentes em geral - inclusive você!

 

Mas não é um contrassenso colocar tesouro num vaso de barro?

Tesouro se guarda numa arca com dez trancas, num cofre inviolável. À primeira vista, parece mesmo contrassenso.

Por isso Paulo explica:

 

para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós

Por que se protege um tesouro? Segurança. Para não roubarem.

Só que Deus não tem medo de ninguém roubar o tesouro dEle.

Podem até destruir o vaso que contém o tesouro, mas não há quem consiga dar um só arranhão no tesouro.

 

E é exatamente isso o que tem ocorrido desde que o Evangelho é pregado no mundo: os vasos que contém o tesouro se quebram, alguns perseguidos, maltratados, outros mortos - mas o tesouro, o Evangelho, com as promessas, o poder exercido quando é pregado, tudo isso continua intato, de geração em geração, apesar das perseguições às Escrituras e aos crentes.

Um grande milagre! Isso, pelo poder de quem? Dos vasos? Claro que não: de Deus!

 

Meu irmão, tenha como motivo de muita honra ter o barro do seu vaso arranhado, quebrado em pequenas lascas ou em grandes pedados a serviço do tesouro que você carrega. Considere uma honra deixar-se consumir por Cristo. Seu tesouro está garantido!

 

Falando em vaso de barro, Paulo agora passa a descrever de maneira curiosa as experiências que ele e outros discípulos de Cristo têm passado por serem crentes.

São quatro expressões do tipo “em tudo somos isto, mas não aquilo”,

 

Em tudo somos atribulados (NVI: pressionados): θλιβω thlibo: lit.: espremer, pressionar com firmeza; estreitado, contraído; metáf. afligir, angustiar

Também traduzido no NT por comprimir (Mc 3.9); afligir (Hb 11.37).

 

porém não angustiados

angustiados (NVI: desanimados): στενοχωρεω stenochoreo: lit.: estar em um lugar estreito, apertar;

metaf.: estar em terrível calamidade, extrema aflição (Strong), com implicação de não ter escape, sem saída (Nida).

 

Strong:

“θλιπσις, de acordo com sua derivação, significa pressão. No seu sentido figurado, é aquilo que pressiona o espírito, aflição.

στενοχωρια significou originalmente um espaço estreito, confinado. Denota aflição que se origina de circunstâncias que limitam. No uso, não pode sempre ser diferenciada de

θλιπσις, mas é de forma geral uma palavra mais forte”.

 

Ou seja, as palavras são quase sinônimas, apenas sendo uma mais forte.

Curioso: Paulo diz já ter passado por angústias: 2Co 6.4 e 12.10 - até com prazer!)

Não é contradição?

Não. Ser afligido fazia parte do dia a dia do ministério (“em tudo”), mas ser extremamente afligido e mesmo angustiado era mais esporádico. Mesmo assim, acontecia!

 

Lição:

Acostume-se com as pressões típicas de um filho de Deus vivendo no meio de uma geração pervertida e corrupta. É claro que haverá desconforto por todos os lados.

Mas, via de regra, Deus não permite que isso culmine numa vida constantemente angustiada, sufocada.

Com certeza, haverá situações assim, mas Deus nos livrará delas.

 

perplexos : απορεω aporeo: estar embaraçado, em dúvida, não saber que caminho tomar, não saber o que decidir ou o que fazer, estar perplexo.

 

Olha só, irmãos, o grande Paulo igualzinho a você e a mim: em dúvida, meio confuso, sem entender o que estava acontecendo.

Esse é um dos estados mais comuns da vida cristã.

A maioria das pessoas que falam comigo no gabinete estão nessa situação (entre outras).

Quantas vezes ficamos a pensar: “Como é que está acontecendo isso comigo?”, “O que Deus quer de mim nisso tudo?”, “E agora, como me saio dessa?”, etc

Pois é exatamente assim que Paulo constantemente se sentia.

 

Mas Paulo não permitia que essa perplexidade o levasse a uma paralisia, ao desespero:

porém não desanimados

desanimados (NVI: desesperados): εξαπορεομαι exaporeomai: estar totalmente perplexo, completamente destituído de medidas ou recursos, renunciar toda esperança, estar em desespero.

É a mesma expressão anterior (perplexo) com um prefixo de intensidade.

Tipo: “Perplexos mas não ultra-perplexos. Ou: perplexos, mas não a ponto de ficarmos completamente perdidos, paralisados ou em pânico por falta de rumo”.

Ele reagia, fazia algo, certamente orava, pedia sabedoria, procurava se auto-examinar, checando suas motivações e propósitos.

 

Valiosa lição dupla:

1. Em sua caminhada cristã é normal ficar meio sem rumo, sem saber bem o que fazer. Não se frustre com isso.

2. Quando estiver meio confuso se recuse a permitir que isso cresça e se torne uma trava no seu andar em Cristo.

 

perseguidos: διωκω dioko:

No cap. 11 Paulo descreve o sofrimento que enfrentou com tanta perseguição.

 

Perseguição é uma realidade que todo crente sério deve aguardar: 2Tm 3.12

Não apenas em termos físicos (prisão, espancamento, tortura, morte), mas de todo e qualquer tipo: gozações, ironias, humilhações, injustiças, etc.

Se você nunca passou por algum tipo de perseguição, examine:

* se você faz questão de viver piedosamente

* se você não tem se amoldado ao mundo: Rm 12.2. Lembre-se: o mundo não se opõe a quem é dele, como Jesus disse: Jo 15.18-19

 

porém não desamparados

desamparados: εγκαταλειπω egkataleipo: abandonar, desertar

Não desamparados por quem? Pelos companheiros de ministério? Alguns acham que sim. Acho que se refere a Deus.

É empolgante a maneira enfática em que Deus, por toda a Bíblia, promete proteção aos Seus: Sl 9:10; Sl 37:25 (não uma promessa, mas uma observação), 28; Hb 13:5

 

- Mas, e os milhares de mártires ao longo da história da Igreja, começando com Estêvão, depois com Tiago, passando por Pedro e pelo próprio Paulo e avançando até os dias de hoje? Não é óbvio que foram desamparados?

Absolutamente não!

De fato, a proteção física e a provisão material, são maneiras de Deus mostrar proteção. Mas são formas pequenas, pouco importantes, comparadas com a proteção da mente, o amparo psicológico e, mais importante a inda - a ajuda espiritual, o amparo da alma.

O que nós temos de invisível - nossa mente e nossa alma - são a parte mais significativa da nossa existência.

Muito mais importante que o corpo ser protegido são as nossas faculdades mentais.

Por que muitos mártires foram para a fogueira cantando? Pergunte a eles se eles estavam se sentido desamparados.

E se insistissem com eles quanto ao desamparo físico, por certo diriam algo como:

- Ah, mas o meu corpo - mesmo doendo, sangrando, queimado - está sendo alvo da aguda atenção de Deus. Ele está utilizando o meu corpo para glorifica-Lo. Quer um uso mais nobre que isso? Onde está o abandono?

Pergunte se Paulo estava se sentido desamparado amarrado no tronco? At 16.22-25 

 

E mesmo que um crente torturado não falasse assim tão bonito e se angustiasse, ao encontrar a morte, aquio que é mais vital para ele - o destino da sua alma - está absolutamente garantido: Jo 10.27-28

Se você é crente, tire definitivamente da sua cabeça e ideia de desamparo.

 

abatidos: καταβαλλω kataballo: lançar em terra, prostrar

Paulo reconhece que havia momentos de prostração, de baixa, de tristeza.

Assim como outros santos do VT: Sl 37.23-24; Sl 42:5

 

porém não destruídos

destruídos: αποολλυμι apollumi: destruir, perecer, matar, perder (incl. espiritualmente).

Palavra forte, que pode significar até a perdição eterna (como no v.3: .. que se perdem...)

Acho que Paulo a usou no sentido físico, de utilidade no ministério.

Suas muitas frustações, tristezas, sofrimentos, ansiedade não o impediriam de continuar na luta do seu ministério. Pelo menos, é claro, até o dia de Deus encerrar.

 

É natural você passar por momentos de desânimo, de baixa espiritual, de pouco serviço, de pouco calor na sua relação com Cristo.

Mas não permita que isso continue, cresça e termine destruindo a sua carreira cristã.

Nunca você será desamparado, embora às vezes possa ter essa impressão.

A vida cristã é de fato misteriosa e às vezes nos deixará confusos e perplexos.

Mas não se deixe levar ao ponto da desesperança e desistência de prosseguir.

Suas tribulações sempre existirão. Aprenda a conviver com elas, jamais permitindo que se transformem em angústias profundas, em amargura de espírito, em desespero de alma.

 

Após falar dessas experiências como crente, Paulo passa a  explicar o sentido de todas essas tribulações, dando uma explicação teológica para o ministério cristão e explicando a mecânica da relação entre ele (assim como os ministros - apóstolos, pastores, etc) e os crentes em geral.

Veremos na próxima pregação.

 

Termino com uma observação:

Falei que o crente nunca deve se sentir totalmente desamparado.

Mas teve Alguém que não apenas se sentiu, mas de fato FOI abandonado:

Cristo: Sl 22.1 e Mt 27.46

Para puni-Lo pelos nossos pecados, o Pai o abandonou.

Sejamos sempre gratos a Ele por isso.

E você, amigo, corra até os pés dEle, agradeça e peça que lhe salve.

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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