PREGAÇÃO

Arrogância de Paulo? (2 CORÍNTIOS 47 de 54)

2Co 12.1-7      50 minutos      25/10/2015         

Mauro Clark


headset Ouça
cloud_download Baixe
print Imprima
pregação close Arrogância de Paulo? (2 CORÍNTIOS 47 de 54)
volume_upReproduzindo o áudio na barra inferior

Na pregação passada, ao falar do v.8, comentei que Paulo preveniu que faria longa defesa da sua autoridade apostólica, recebida diretamente do Senhor Jesus.

E não se envergonharia ou se incomodaria se disserem que ele só queria intimidar os irmãos por carta.

Interessante é que ele ainda discorre sobre o fato de que vai se gloriar - como se quisesse adiar por estar muito constrangido em ter de fazer isto.

 

 

v. 13-16

Resumo deste trecho:

Além das críticas sobre o caráter de Paulo e a legitimidade do trabalho dele, ele estava sendo criticado quanto aos lugares físicos onde atuava, como se estivesse se metendo em trabalho de outros.

Nesse caso, é como se ele tivesse feito mal indo a Corinto.

É incrível o cinismo dos opositores. Esses, sim, haviam entrado no trabalho dele, sem qualquer legitimidade ou autorização da parte de Deus.

 

Paulo se defende com alguns argumentos:

 

* Se gabaria do seu ministério não de maneira vaga, mas precisa, objetiva, palpável.

 

* Ele tinha uma esfera de ação bem definida, demarcada pelo próprio Deus e respeitava rigorosamente esses limites.

esfera de ação: κανων kanon (uma cana reta, i.e. vara): régua, padrão, área de ação

 

* Esse limite alcançava os coríntios: se ele chegou a Corinto foi porque Deus mandou.

 

* O objetivo único dele era levar o Evangelho de Cristo

 

* Ele não entrava no trabalhos de outro e muito menos se gloriava no trabalho de outros

 

* Se eles aumentassem na fé, se tornassem espiritualmente mais maduros, o deixariam liberado para outros campos, além das fronteiras deles.

E mesmo que esses campos já tivessem sido trabalhados, ele não se gabaria desses trabalhos alheios. Como sempre, o grande objetivo era levar o Evangelho.

 

Lições:

1. Tem gente que rapidamente se identifica como “evangélico”.

Mas logo gagueja quando se pergunta qual a igreja a pertence, ou é membro. Ou quando se indaga sobre o que faz na igreja, que trabalho recebeu de Cristo para realizar.

Se é o seu caso, procure definir bem sua igreja, seus dons, seu trabalho.

 

2. Seja ético no seu trabalho cristão, quer seja abrangente ou pequeno e concentrado.

 

3. Sempre examine: meu ministério tem como objetivo central disseminar o Evangelho?

Pode ser para quem nunca ouviu, ou para crentes maduros, não importa.

O verdadeiro trabalho para Cristo só tem sentido se tiver esse foco.

 

Voltando:

Desde o v. 13, ele usou 3 vezes o verbo “gloriar-se”, sempre tendo em vista o ministério.

Parece que, de tanto falar no assunto, procurou estabelecer um critério saudável para quem quisesse se gabar - ou ele próprio ou os seus opositores.

É quando escreve o famosíssimo v.17:

 

v.17

Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor.

Interessante: do jeito a Bíblia é taxativa “não mintais”, “não cobiceis”, bem poderia ser “não vos glorieis”.

Mas não é assim, há um maneira de se gabar que é permitida.

Em princípio, isso é bom, pois o ser humano gosta de se gabar.

O problema é que, como tudo o que faz, há pecado misturado.

E quase sempre se gaba de maneira errada, por motivos errados, de coisas erradas, com propósitos errados.

Claro que isso é ruim, como o próprio Paulo denuncia

Mas o gabar-se de modo correto não é mal.

Não é errado gabar-se no sentido de falar de algo ou mostrar algo que você tem, com o propósito de glorificar a Deus por isso e edificar outros.

 

Nesse sentido, o próprio Deus se gaba... e muito!

Ele fala abundantemente dos próprios atributos.

Só que, veja duas coisas:

1. Ele fala absolutamente a verdade e do que lhe é próprio (Soberano, Santo, Criador)

2. É muito benéfico para as pessoas conhecerem as maravilhas do Deus que as criou!

É para o bem delas que Deus se gloria.

 

Ora, qualquer um que queira se gabar dentro dessas características é não somente permitido, mas ESTIMULADO a fazer.

Paulo então resume tudo na expressão “no Senhor”. Quer se gabar? Gabe-se no Senhor!

 

Indo um pouco mais fundo, o que seria exatamente “gabar-se no Senhor”?

Tres exemplos do que é:

a. 1Co 1.26-31

Gloriar-se no Senhor é reconhecer humildemente que não é nada, é fraco, é desprezível e que foi graciosamente escolhido por Deus para ser dEle em Cristo, que é a própria sabedoria, justiça, é Santo e tornou-o o nosso grande Redentor.

E se nos tornamos intimamente ligados com Cristo a ponto de também termos nos tornado santos, sábios e praticantes da justiça, é pela pura graça de Deus.

E se adquirimos poder para envergonhar os sábios e os fortes, e para reduzir a nada as que são alguma coisa, é apenas na condição de instrumentos nas mãos de Deus que somos assim. E, sempre é bom repetir, porque fomos ESCOLHIDOS para isso.

Em suma, gabar-se no Senhor é reconhecer que tudo o que você tem de bom foi Deus quem deu e quando você expõe alguma virtude, é para a glória de Deus e para o benefício de quem ouve.

 

b. Jr 9.23-24

Gloriar-se no Senhor é reconhecer que o fato de conhecer pessoalmente a Deus é o que a pessoa tem de mais valioso, de mais digno de ser gabado, mais do que qualquer virtude ou condição.

 

c. Rm 5.10-11

Gloriar-se no Senhor é ter absoluta convicção que tudo que nós somos é porque Cristo se tornou o nosso mediador, nos reconciliou com Deus e nos salvou na cruz (Gl 6.14)

 

Tres exemplos do que NÃO é gloriar-se no Senhor:

a. Arrogância espiritual, como que imune ao pecado: 1Co 5.6

b. Arrogância de fazer planos futuros à parte de Deus: Tg 4.16

c.: Veja o v.18:

 

v.18

... não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva.

louvar: gr. exibir, recomendar.

Ou seja, quem recomenda a si próprio não está se gloriando no Senhor.

Quem a si mesmo se recomenda, mesmo que esteja falando de virtudes que realmente têm, está com o objetivo de jogar o foco sobre si mesmo.

Isso é uma forma de arrogância e obviamente não aprovado, agradável.

Esse era exatamente o caso dos críticos de Paulo.

 

Agora, quando é o Senhor quem recomenda, ali está alguém realmente aprovado.

 

Mas como saber se alguém é recomendado pelo Senhor se não ouvimos a Sua voz?

Checar o comportamento (obras, palavras, vida) de duas maneiras:

a. Pelas Escrituras

b. Pelo testemunho dos irmãos

 

Em suma:

* Procure definir de modo mais preciso possível a(s) sua(s) atividade(s) para Cristo.

* Seja ético, especialmente no seu trabalho cristão

* Seja muitíssimo cuidadoso ao falar ou exibir as suas virtudes

* Sempre credite a Deus por tudo o que você tem de positivo

* Sempre envolva Cristo no seu relacionamento com o Pai

* Deixe que Deus lhe recomende (pela Bíblia e pela sua igreja)

 

E você, amigo, se você tem a mínima vontade de chegar a Deus, deixe o orgulho e a vaidade de lado e corra a Cristo e humildemente jogue-se aos pés dEle!

 

Que Deus nos abençoe. Amém!

 

 

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
FalandodeCristo © 2004-2021
"... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus."
1 Co 1.24b
close
Ministério Falando de Cristo © 2004-2021 - www.falandodecristo.com
"... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." 1 Co 1.24b