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Série Apocalipse - 68 – O final da raça humana pecadora

Mauro Clark |  06/10/2019
72 minutos

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Terminamos dizendo que, após ser derrotado por Cristo, após o Milênio, Satanás foi lançado dentro do lago de fogo e enxofre, onde já estavam a besta (Anticristo) e o falso profeta e todos seriam atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos.

Agora João não apenas passa para uma nova visão, mas relata o final da história do mundo, da primeira Criação, da própria humanidade nesta terra.

 

Retomando do v.9: Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida...

Quem marchou? Já falamos: multidões de rebeldes que se revoltaram contra Cristo no final do Milênio e foram arrebanhados pessoalmente por Satanás.

Rejeitaram Cristo e Seu reino, mesmo com tanta justiça, paz, bondade, fartura.

Só que o Milênio tinha sido a última chance de Deus para a raça humana pecadora.

Estava na hora de destruir a raça humana da face da terra. Destruir, como?

 

... desceu, porém, fogo do céu e os consumiuDeus matou todos, queimando-os.

 

Mas parece que o fogo não se limitou a consumir os milhões de revoltosos, deixando a terra intata.

Chegara a hora de Deus cumprir muitas profecias sobre a destruição da terra com fogo.

Ou seja, o mesmo fogo que matou os rebeldes, também destruiu a terra.

(Quanto aos crentes que estavam vivos, falarei já).

Era momento da terra ser destruída, juntamente com a humanidade pecadora, conforme profetizado tantas vezes:

Sl 50:3; Sl 102:25 -26; Is 51:6; Sf 3:8; Mt 24:35; 2Pe 3.7-13 (v.13: após a destruição da terra, novo céu e nova terra, exatamente como João se refere logo a seguir, 21.1).

 

Tudo isso parece se confirmar com o v.11:

v. 11: Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles

Deixando para depois o Grande Trono Branco, veja o curioso do final da frase:

... de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles

 

Imediatamente depois do fogo ter consumido os rebeldes, e ao ver o trono branco, João não viu mais terra nem céu! Tinham desaparecido - certamente no mesmo fogo!

É Gn 1.1 ao contrário, como se fosse: No final Deus destruiu o céu e a terra!

 

Logo adiante João repete o desaparecimento do primeiro céu e da primeira terra, mas agora acrescenta uma revelação espetacular:

21.1: Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.

No lugar do primeiro céu e da primeira terra, Deus criou um novo céu (universo, não o lugar da habitação de Deus) e uma nova terra!

Agora é um Gn 1.1 infinitamente superior, com uma nova criação, em que os seres humanos não são mais à imagem de Adão, mortais e sujeitos a pecar, mas à imagem de Cristo - vivendo eternamente e totalmente puros!

Falaremos mais sobre isso no cap. 21.

 

Voltando:

Quanto aos crentes vivos, quando a terra foi destruída, não há nada registrado.

A única explicação é que devem ter passado para o estado eterno imediatamente, como os crentes do arrebatamento.

Nesse caso, de repente os crentes se viram transformados, habitando numa nova terra, dentro de uma estrutura celestial, um universo, totalmente novo!

 

Vamos ao julgamento do Grande Trono Branco.

É certo que ocorreu depois do desaparecimento do primeiro céu e da primeira terra.

Mas não sabemos se antes ou depois da criação do novo céu e da nova terra.

 

João já falara umas 30 vezes sobre o trono onde Deus estava sentado e descrito o que estava ao redor do trono. Mas é a 1ª. vez que qualifica o trono como grande e branco.

* Ou é o mesmo trono de que falara desde o início, dando agora destaque ao fato de ser grande e branco, enfatizando o aspecto de um grande julgamento

* Ou então Deus, “aquele que nele se assenta”, mudou para um outro trono.

Seja como for, a imagem é de uma cena de muito solene, um julgamento dirigido pelo próprio Juiz de toda a terra.

 

v.12-13 - A cena é a seguinte.

Mortos se apresentaram em pé, diante do trono de Deus, para serem julgados.

Quem exatamente está sentado no trono? O texto não esclarece.

Várias sugestões: O Pai; o Filho; Pai e o Filho; o Deus triuno.

 

mortos...: gr. νεκρος nekros: lit.: falecido, morto, alguém de quem a alma está no céu ou inferno. Metaf: espiritualmente morto, sem uma vida devotada a Deus, entregue a transgressões e pecados. (Strong)

Aqui tem sentido literal, mas também coincide que esses mortos, quando em vida, eram espiritualmente mortos, ou seja, rebeldes a Deus.

 

Vemos aqui o cumprimento de passagens como Dn 12.2; Jo 5.28-29; At 24.14-15

Os perdidos são ressuscitados e ganham um corpo que nunca se acabará, pois enfrentará a perdição eterna.

 

... mortos, os grandes e pequenos

Os que, em vida, foram ricos e pobres, poderosos e do povo, inteligentes e simples, educados e analfabetos.

Todos estarão juntos no julgamento final, receberão o mesmo tipo de tratamento.

 

... postos em pé... O fato de estarem em pé favorece a ideia de terem ganho corpos.

 

Antes de continuar: de onde vieram essas almas?

De dois lugares, que deram ou entregaram (mesmo verbo) esses mortos.

Invertendo a ordem:

I. A morte e o além (hades):

Parece que se referem a um mesmo “local” (novamente são citados juntos no v.14).

Isso nos ajuda a compreender, pois, se separarmos, parece não ter sentido a “morte” ser um local (já que é um estado).

Mas, estando juntos, parece ser algo como “os mortos que estavam no hades”, ou “os habitantes do hades, todos mortos”.

 

morte: gr. θανατος thanatos: lit: a morte física, separação da alma e do corpo; metaf: a miséria da alma que se origina do pecado, que começa na terra, mas continua e aumenta, depois da morte do corpo, no estado miserável do ímpio no inferno. Strong

 

... e o além. Má tradução para a palavra grega hades.

Gr. Αδης hades:

Comentário do Conhecimento Bíblico: “Aqueles que não são salvos quando morrem vão imediatamente para um estado de punição consciente, descrito no AT como sheol e no NT como hades. Nem sheol nem hades se referem ao estado eterno e não são equivalentes à palavra “inferno”, que é propriamente o lugar do castigo eterno”.

 

II. O mar: parece ser o mar físico, como conhecemos.

Não é claro, mas a ideia é que mesmo os corpos dos que morreram no mar, ou seja, foram decompostos, serão ressuscitados. Mesma ideia para explodidos, incinerados etc.

 

Com os mortos devidamente postos diante de Deus e ressuscitados, como um corpo preparado para enfrentar um “verme que nunca morre”, inicia-se o julgamento.

 

... um por um, segundo as suas obras

Não é um julgamento geral, coletivo, mas essencialmente individual, quando cada um dará contas da maneira como se portou durante a própria vida.

Isso confirma toda a Bíblia, quando diz que cada um dará contas de si mesmo a Deus.

O problema é que ninguém consegue ser aprovado pelas próprias obras, diante de Deus!

Não há quem faça o bem, nem um só! Sl 14.1-3; Rm 3.11-12

 

Mas, onde estão registradas essas obras, para que possam ser avaliadas?

12b: Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.

A ideia é um conjunto de livros de um lado, com as obras de cada um.

E do outro, um só livro: o Livro da Vida.

Quando vimos os caps. 3, 13 e 17, expliquei que é o registro celestial dos salvos.

Falei que um dia esse livro seria aberto: Ap 20.12. Pois aqui estamos!

 

v.14: Então, a morte e o inferno (hades) foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.

Novamente a morte e o hades juntos.

E aqui está a prova de que os mortos que estavam no hades eram condenados: o mero fato de serem lançados no lago de fogo.

 

Foram para o mesmo lugar onde já estavam Satanás, os demônios (Mt 25.41), o Anticristo e o Falso Profeta. Agora, com todos os perdidos de todas as épocas, finalmente Deus reuniu todos os Seus inimigos no mesmo lugar.

 

Estavam em que situação lá?

... atormentados (20.10; 14.10-11): grego: βασανισμος basanismos:

“Lit.: fricção, um teste através de uma pedra preta apropriada para testar a pureza do ouro ou da prata pela cor da listra que se forma nela ao friccionar.

Metaf.: tormento, tortura; o estado ou condição daquele que é atormentado” (Strong).

 

Quanto ao aspecto eterno do lago de fogo, já falei bastante ao ver o cap. 14.10-11.

 

Esta é a segunda morte, o lago de fogo.

Primeira morte: morte física, quando a alma se separa do corpo.

Segunda morte: a alma sai do hades, recebe um corpo que não mais se acabará e vai para o lago de fogo onde serão - alma e corpo - atormentados eternamente.

 

v.15

E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.

1ª. conclusão: no lago de fogo também não haverá ninguém inscrito no Livro da Vida.

2ª. conclusão: não havia salvos no hades.

Todos os salvos de todas as épocas já haviam sido julgados com base na fé pessoal em Deus e Sua Palavra, que os fizeram ser justificados pelo sangue de Cristo, e, assim aprovados e ressuscitados para a vida eterna.

 

Com a velha Criação para trás, daqui até o final João falará no novo céu, na nova terra e na nova Jerusalém.

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 67 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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