PREGAÇÃO

Crise não afeta a minha salvação!

Mauro Clark | 22/03/2020
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Estamos vivendo uma situação inusitada, drástica, única em décadas.

Ainda não temos noção de como terminará isso, ou do tamanho do prejuízo.

Prejuízo físico em termos de sofrimento e morte.

Prejuízo financeiro, econômico.

Prejuízo psicológico de um confinamento social radical, que nenhum de nós jamais viu.

E quanto ao prejuízo espiritual? Responderei no final.

 

Antes disso: o que a Bíblia tem a nos dizer em momentos assim?

Não vejo passagem mais adequada que esta.

 

v.14-17

Habacuque profetizou em torno de 600aC, pouco antes da invasão de Nabucodonosor.

Parece que estava preparando o povo para os terríveis dias que chegariam.

 

Diz “Ainda que” e retrata um quadro de total escassez de alimento e mantimento.

Imagina seis situações: quatro relacionadas com a lavoura (figueira,uva,oliveira, campos (trigo), e duas com pecuária: ovelha, gado (carne, leite, manteiga,queijo).

As crises descritas são simultâneas, não uma ou outra: um quadro gravíssimo e desesperador de desabastecimento, pouco mantimento, mesmo falta de comida na mesa.

 

Quando fala em figueira, gado, refere-se a recursos e bens da época.

Hoje seria empregos, poupança, carro, computador, celular, estoque na despensa ou no supermercado da esquina.

A crise hoje envolve profundo isolamento pessoal, com a consequência da drástica redução de boa parte dos meios de produção do país, causada pela paralização generalizada da mão de obra do país.

Pelo que me consta, até agora não tem havido desabastecimento a ponto de afetar a alimentação do povo brasileiro. Mas é obvio que essa terrível possibilidade deve estar na mente de cada um.

Uma coisa parece certa: em termos pessoais e sociais – quer falemos de empresas, cidades, estados ou o próprio país - o prejuízo econômico-financeiro será enorme, ainda cedo para mensurar.

Não entendo quase nada de economia e contas públicas, mas li há pouco que o próprio Governo Federal anunciou que o crescimento anual previsto em 3% até poucas semanas, caiu para praticamente zero.

Para um país que estava se arrastando, pouco a pouco saindo de uma crise longa e profunda, tudo indica que vamos retornar à estaca zero, do início da crise, ou talvez, regredir muito mais para trás.

 

Voltando: Falei da crise imaginada por Habacuque e, rapidamente, fiz algumas comparações, com algumas diferenças e semelhanças, com a nossa crise de hoje.

 

Vejamos então como Habacuque reagiria à crise que ele traçou, para tirarmos algumas lições de como deveremos reagir a nossa crise de hoje.

 

v.18

... todavia, eu me alegro: Alegra?

* Coitado, a crise foi tão grande que Habacuque perdeu o juízo e surtou. Não.

* É que esse Habacuque sempre foi meio inconsequente mesmo. Não.

* Ele era um otimista nato, exagerado, desses que dizem “Sorria, a vida é bela”. Não.

 

... eu me alegro NO SENHOR

Uma alegria espiritual, interior, que tem como base não o sumiço das oliveiras, não a morte da ovelha, não a dificuldade de pagar o empréstimo que tomou para investir na compra de três vaquinhas. Alegrar-se por essas desgraças, alegrar-se pelas terríveis perspectivas terrenas seria, de fato, insanidade.

Mas a alegria de Habacuque era baseada na Pessoa de Deus.

E o que era exatamente que Habacuque via em Deus para se alegrar nessa crise?

 

Exulto no Deus da minha salvação

Habacuque não se refere a Deus como o Criador das uvas, das ovelhas, nem mesmo como o Criador do Universo e Aquele que mantém todas as coisas funcionando.

Obviamente Habacuque cria em Deus como Criador e mantenedor.

Mas não era exatamente nesse aspecto de Deus que ele estava baseando sua alegria.

Habacuque enxerga Deus como Salvador.

Veja como o foco do profeta não é físico, material, mas espiritual.

E se concentra na salvação que Deus ofereceu aos homens, todos eles pecadores.

E vê aí um motivo de grande alegria, não apenas para ele, mas que deveria ser para todos os homens!

Como disse o anjo que apareceu aos pastores no campo, e ficaram assustados:

Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Lc 2.10-11

 

Seiscentos anos antes disso acontecer, Habacuque via como motivo de grande alegria a salvação de Deus, mesmo quando faltava até comida.

 

Mas o foco de Habacuque é ainda mais nítido, mais preciso, do que apenas concentrar na Pessoa de Deus como Salvador dos que se arrependem e creem.

Ele diz que se alegra no “Deus da MINHA salvação”!

Ele olha para Deus por um prisma altamente personalizado!

Como se a característica mais importante de Deus fosse o fato de ser o Salvador dele!

E isso o deixa muito alegre, pois sabia que, mesmo tendo perdido tudo, não tinha perdido a salvação, ou melhor, não tinha perdido o Deus da salvação dele!

Certamente nessa alegria estava incluída a confiança que tinha em Deus, a paz no coração, a certeza de que o céu lhe aguardava.

 

v.19

O Senhor Deus é a minha fortaleza

Mas, o alimento foi tirado, o sustento desapareceu. Cadê a Fortaleza? Fortaleza não é para proteger?

De fato. Mas é fundamental sabermos como Deus se propõe a ser nossa fortaleza.

Em outras palavras: como fortaleza, Deus se propõe a proteger o que?

Nossos bens? Muitas vezes, sim, mas nem sempre.

Nossa saúde? Muitas vezes, sim, mas nem sempre.

Ele se propõe, Ele PROMETE proteger o nosso bem mais valioso: a nossa salvação.

E, juntamente com a salvação, proteger a nossa fé, a nossa confiança nEle.

 

Tudo o que temos, até a vida neste corpo, estamos sujeitos a perder, não apenas pela crise atual ou outras que podem surgir, mas pela fragilidade da nossa existência terrena.

Mas nunca, nunca perdermos a nossa salvação. Nunca perderemos a proteção, o carinho, o zelo, o amor do Deus da nossa salvação.

O valor dessas preciosíssimas verdades deve levar o nosso coração a ter forças, disposição, atitude para enfrentar qualquer crise.

 

Habacuque se sentiu assim:

... e faz os meus pés como os da corça e me faz andar altaneiramente.

Sendo metafórico, está sujeito a algumas interpretações pessoais.

Para mim, faz lembrar:

* A habilidade da corça em pisar com cuidado e a delicadeza com que pisa.

Penso na sabedoria que devemos ter ao avaliar as coisas, ao traçar critérios, ao julgar os outros, em suma, sabedoria em como se comportar em situação tão desconhecida de todos nós e tão complexa.

 * A capacidade da corça em subir para lugares altos, procurando não apenas alimento, mas sossego e proteção dos predadores.

Procure subir, buscar lugares altos, subir mentalmente, subir psicologicamente e em especial, subir espiritualmente.

Subir espiritualmente buscando-O em oração pessoal ou em grupo em leituras reflexivas – da Bíblia ou livros bem escolhidos.

E quanto mais subirmos, mais estaremos protegidos de um terrível predador, um leão raivoso que nos cerca, procurando nos devorar - não apenas com um vírus, mas, pior com desânimo, com medo, com uma fé em frangalhos, com um testemunho diante dos que não podem dizer “Eu me alegro do Deus da MINHA salvação”.

Você, crente, pode!

Termino voltando à pergunta do início: Qual será o tamanho do meu prejuízo espiritual?

A resposta depende de como você se relalciona com o Deus da sua salvação!

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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