
"Não é nada, não, amigo!"
A alça da pulseira do meu relógio quebrou. Sem encontrar uma original nova, já estava me conformando com qualquer uma, usada que fosse. Mesmo assim estava difícil. Até que um relojoeiro encontrou uma parecida. Não ficou perfeita, mas quebrou o galho.
Ele tinha uma banquinha muito modesta no cantinho de uma loja, também pequena, no centro da cidade. Imaginei que a alça custaria de R$3,00 a R$5,00. Mas como o relojoeiro sabia que eu não conseguiria usar o relógio sem ela e às vezes esse pessoal explora, eu já estava me conformando a pagar uns R$7,00 talvez, esticando, até R$10,00.
E tomei um susto quando, ao perguntar quanto me cobraria, ele disse Cobrar? Isso não é nada, amigo!
E ali estava um exemplo de liberalidade, de desapego ao dinheiro. Dez reais ou mesmo cinco não era algo desprezível para aquele homem. Mas ele mostrou-se superior a isso, preferiu que o seu coração lucrasse com um bonito gesto do que aumentar a renda do dia. Nobreza. Ganhei uma alça para a minha pulseira e, mais ainda, ganhei uma lição de vida.