PREGAÇÃO

Lições de Pedro aos colegas pastores

1Pe 5.1-4      53 minutos      01/09/2013         

Mauro Clark


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 1 Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: 2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. 4 Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.
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Lembro que Pedro dedicou partes de sua carta a grupos específicos, além dos trechos dirigidos a os cidadãos em geral.

Já nos dirigimos especificamente a esses grupos em particular: servos (empregados), esposas, maridos.

No capítulo 5 ele volta a se dirigir a grupos específicos ,no caso presbíteros (v.1-4) e jovens (v.5-7).

Hoje comentarei sobre a palavra de Pedro aos presbíteros.

 

Talvez você estranhe: “Um trecho como esse, de instrução para pastores, deveria ser pregado em Associações, reuniões de pastores, não num culto domingo à noite, com leigos e visitantes.

Discordo. É fundamental que a igreja saiba o que a Bíblia exige dos pastores.

E também o que NÃO exige! Muitos dos problemas que surgem entre igreja e pastores é a falta de conhecimento do que a Palavra de Deus quer de um pastor.

Isso permite à igreja criar uma EXPECTATIVA correta para com o seu pastor.

 

v.1a

Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós... 

Logo no início, Pedro deixa claro que vai se dirigir aos presbíteros.

Presbítero: grego: ancião. Figura importante nos tempos do VT: idéia de MATURIDADE, SABEDORIA. Geralmente associada à idade, embora não obrigatoriamente.

Presbítero tornou-se um ofício na igreja.

Algumas denominações separam os ofícios de presbítero e pastor.

Os batistas concordam que há diferenças entre as características dos ofícios, mas crêem que devem ser exercidos pela mesma pessoa, ou seja, o pastor é também presbítero.

O próprio v.2 deixa isso claro: "pastoreai", ou seja, "presbíteros, pastoreai..."

A mesma coisa com relação ofício de bispo (supervisor): usado para as mesmas pessoas:

 

No v.2, em alguns manuscritos, antes de “não por constrangimento”, vem o verbo grego επισκοπεω episkopeo = supervisionar, vigiar, cuidar.

NVI: pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. OLHEM por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer.

 

Outra prova bíblica de que esses termos eram aplicados às mesmas pessoas: At 20.17,28

Consideremos então que Pedro se dirige aos pastores,que são também presbíteros e bispos.

 

v.1b

Aqui Pedro abre um rápido parêntese para falar um pouco dele mesmo.

Faz 3 afirmações de si próprio:

1) Presbítero: eu, presbítero como eles

Pedro foi uma das colunas da igreja de Jerusalém.

 

Em vez de usar a AUTORIDADE APOSTÓLICA, Pedro humildemente prefere se identificar com os bispos para os quais escrevia.

E ao se identificar, se coloca sob o que ele próprio estava escrevendo.

Esse espírito é importante para quem prega, escreve, ensina: deixar claro que o próprio autor precisa dos conselhos que ele mesmo está dando.

Na vida cristã não vale o ditado “Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.”

 

2) testemunha dos sofrimentos de Cristo

Duas possibilidades:

a) Assistiu aos sofrimentos de Cristo (durante o ministério ou particularmente a paixão)

b) Alguém que dá testemunho, ou seja, anuncia os sofrimentos de Cristo.

O segundo é mais provável, que ainda pode incluir a idéia de que, ao anunciar, suporta conseqüências desagradáveis, e por isso, sofre juntamente com Cristo.

 

Mas o que tem a ver o fato de ele anunciar os sofrimentos de Cristo e a exortação aos pastores?

Duas sugestões:

a) Contrabalançar a tendência de se engrandecerem, lembrando que Cristo foi humilhado e sofreu;

b) O cargo é muito pesado e causa sofrimento: lembrar que Cristo também sofreu serve de consolo.

 

3) co-participante da glória que há de ser revelada

Talvez desejo de fazer CONTRASTE com a ideia de sofrimento. É certo que Jesus sofreu, mas voltará em glória.

E Pedro não demora a se enquadrar: “Eu já participo dessa glória futura!”

Essa 3ª característica de Pedro é comum a todos os crentes: todos nós já somos participantes da glória de Cristo.

 

v. 2-3

Pedro agora entra no aconselhamento aos pastores.

pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós

Antes de qualquer coisa, observe que o rebanho É DE DEUS, não dos pastores.

As ovelhas são propriedade de Deus. Os pastores são apenas encarregados de tomar conta delas.

Seguem-se 3 antíteses (afirmações opostas entre si), tipo "não faça assim, mas assim".

 

* 1ª antítese: (supervisionando) NÃO por constrangimento, MAS espontaneamente

Embora os presbíteros fossem escolhidos pela comunidade, não por si próprios, era importante que não aceitassem à força, como que obrigados, mas porque queriam, espontaneamente.

 

Talvez você queira perguntar: “Mas o pastorado não é dom de Deus? Não é Deus quem chama e capacita? Como aqui fala em ser pastor espontaneamente?”

Uma coisa não anula a outra. O fato de Deus chamar e capacitar, não significa que a pessoa não sinta vontade de exercer o cargo.

A vontade pessoal de ser pastor, não nega uma chamada divina; ao contrário: confirma!

 

Quando a igreja sentir o pastor sem gosto para o cargo, como que forçado, é bom conversar com ele e perguntar e o que está acontecendo. Se não for apenas desânimo passageiro (e normal), ou stress, talvez esteja na hora de reconsiderar o seu ministério.

 

* 2ª antítese: NEM por sórdida ganância, MAS de boa vontade

Onde há dinheiro, há risco de haver interesseiros e gananciosos.

Além de receberem salários, tudo indica que os pastores eram encarregados de administrar as finanças da igreja.

Sempre a igreja de Cristo foi atacada por homens inescrupulosos que procuravam o benefício próprio. O próprio NT já denunciava pessoas assim.

Hoje em dia, basta abrir a TV para ver falsos bispos, falsos apóstolos, ou ver as fotos dos jatinhos de alguns deles.

 

De boa vontade: com zelo, entusiasmo, com cuidado para fazer o que é certo.

O verdadeiro pastor precisa trabalhar sem olhar para os próprios interesses, sem ganância.

É bom lembrar que ganância pode ir além do dinheiro: fama, sucesso, poder, etc.

 

3ª antítese: NEM como dominadores dos que vos foram confiados, ANTES, tornando-vos modelos do rebanho

Uma das maiores tentação do pastorado é aproveitar a AUTORIDADE para exercer o poder de forma errada, dominadora.

O homem gosta de poder. Interessante que, em si, isso não é errado.

O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e Deus é extremamente poderoso.

O homem já foi criado exercendo enorme poder, sobre a natureza, os animais.

O poder seria sadio e benéfico, desde que utilizado para a glória de Deus.

Mas o pecado veio e distorceu tudo.

Fez o homem desejar o poder à parte de Deus, para alimentar o seu próprio egoísmo.

Essa sede de poder é pecaminosa. Mas é o que move o mundo. Ninguém escapa dela. Nem os crentes. Nem os pastores, muitas vezes.

E a conseqüência é que querem mandar, dominar.

Mas não é esse o tipo de pastor que Deus deseja para o Seu rebanho.

Dominador não é apenas aquele que usa a força de maneira bruta, agressiva. O dominador mais perigoso é aquele de fala mansa, sutil, político, mas que não admite que sua vontade não prevaleça.

 

E como então usar a liderança? Como fazer que o povo siga o pastor?

A resposta é clara: tornando-vos modelos do rebanho.

De fato Deus tem dado autoridade aos pastores.

Mas essa autoridade só será RECONHECIDA se vier acompanhada de comportamento cristão correto.

 

Não adianta ficar repetindo do púlpito que tem autoridade. Essa autoridade precisa ser LEGITIMADA por uma vida modelo.

É através do comportamento do pastor que o povo não apenas acatará a sua autoridade, mas chegará ao ponto de DESEJAR IMITÁ-LO!

E aqui está o ponto mais RECOMPENSADOR para um pastor: verificar que as ovelhas do rebanho de Cristo sentem vontade de imitá-lo.

É aí que ele COMPROVA que está desempenhado o seu ministério como Deus quer.

 

Pode parecer estranho um pastor gostar de ser imitado.

De fato, se for para ser imitado nas coisas pessoais, na maneira particular de ver as coisas, nos projetos pessoais, deve ser estranho mesmo!

Mas não se o pastor, por sua vez, está imitando a Cristo!

Paulo agiu exatamente assim: 1Co 11.1

 

v. 4

Versículo gostoso. Duas coisas aqui.

1) Lembrança que existe um Supremo Pastor.

Se você acha bom ter um pastor aqui na Terra, que se preocupa com você, ora, aconselha, prega, orienta, exorta, repreende, anima - imagine o quanto será maravilhoso ser pastoreado pelo Supremo Pastor, o próprio Jesus Cristo, perfeito, de amor infinito.

O cuidado que o pastor terreno têm de você é uma minúscula amostra do que será com Cristo.

Afinal, o pastor terreno é pecador, cheio de falhas.

Aliás, sei que existem ocasiões em que deve ser difícil para vocês suportarem o pastor, com todas as suas fraquezas inerentes a um ser humano.

Nessas horas, tenham paciência e se lembrem de que é apenas por um pouco de tempo, pois em breve todos nós, pastor inclusive, seremos pastoreados pelo bendito Supremo Pastor, quando Ele se manifestar.

Não temos um Pastor teórico, vago, que se limita a nos pastorear de longe.

Por enquanto, pode até parece que é assim.

Mas haverá um dia em que Ele estará pessoalmente conosco e vai pastorear um a um.

 

2) Os pastores receberão diretamente do Supremo Pastor uma...

imarcescível coroa da glória.

Imarcescível: que não murcha. (contraste com as coroas de folhas que os atletas ganhavam, e murchavam).

É difícil saber exatamente DO QUE CONSTA essa coroa. Seja o que for, deverá ser muito bom!

 

Aqui uma palavra de ânimo aos pastores.

Pedro falava com autoridade porque era um deles.

E sabia como era dura a função. Só quem é pastor conhece o peso do cargo.

As responsabilidades de liderança, de ensinar e pregar, de manter um clima harmonioso, de acompanhar o andamento de cada família, cada casal, cada pessoa.

E acompanhar muitas vezes significa sofrer juntamente.

 

Mesmo que a maioria dos membros não esteja propriamente sofrendo, alguns estão.

E daqui a um mês os que estavam sofrendo pararam, e quem não estava passou a sofrer. Ou seja, o pastor está continuamente cuidado de quem está sofrendo. E ele sofre junto. O resultado é um alto custo pessoal.

 

Não digo isso para gabar os pastores ou causar pena, mas para que vocês saibam a realidade e orem pelos seus pastores.

Não apenas pela saúde e capacidade de suportar as pressões, mas também para ter vontade e capacidade de estudar, orar.

E para RESISTIR ÀS TENTAÇÕES. O diabo sabe o estrago da queda de um pastor.

 

Que Deus ajude a nós, pastores da Igreja Batista Luz do Mundo a sermos fiéis ao que o Supremo Pastor espera de nós e estejamos sempre prontos a dar o que vocês merecem de nós.

E também lhes ajude a serem compreensivos, cordatos, ajudadores e especialmente amorosos com os seus pastores.

 

Que Deus nos abençoe a todos. Amém

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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