PREGAÇÃO

Coerência, irmãos, coerência! (Série COLOSSENSES 15 de 30)

Cl 2.16-23      60 minutos      07/05/2017         

Mauro Clark


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Paulo trata em detalhes o assunto iniciado no v.4, retomado no v.8 e adiado até agora.

É que antes de desenvolver, ele queria explicar o que falou até o v.15, ou seja, a misteriosa e profunda união do crente com Cristo e a salvação garantida com o perdão definitivo de pecados.

 

v.16-17

Ninguém, pois, vos julgue...

... pois: portanto, como conclusão do que tenho explicado...

Começa dois parágrafos (v.16 e v.18) com “Ninguém faça isso ou aquilo”, ou seja, um recado para os falsos mestres.

Agora, claro que falso mestre nenhum iria obedecer a Paulo.

Então para que o recado? Porque na realidade não era um recado a eles, mas era uma forma de Paulo exortar os próprios crentes. Como se dissesse: “Não se deixe enganar por esses falsos mestres, que querem fazer o seguinte com vocês”.

 

Então, expõe duas coisas sobre o modo de atuar dos falsos mestres e mostra em que estão errados:

1. Julgar por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que havia de vir...

O que os falsos mestres estavam exigindo dos crentes eram normas da Lei de Moisés que tinham passado de época, eram sombras de uma realidade que já havia chegado.

 

Que realidade?

... porém o corpo (ou a substância, essência) é de Cristo

A realidade era Cristo, que já viera.

E tudo era dEle, pertencia a Ele, girava em torno dEle.

 

Observação: não há muito sentido aplicar nosso texto diretamente hoje: contexto é outro.

Mesmo assim, há lições valiosas para qualquer época, pois sempre houve e haverá falsos mestres até Cristo voltar.

Assim, o crente deve estar sempre alerta contra falsos ensinos, na forma em que vierem.

 

Voltando e aplicando:

Pelo menos parte do que os falsos mestres estavam exigindo era em si excelente, parte da própria Lei de Moisés! Mas fora de hora, deslocado do tempo e às vezes distorcida.

Então o que era saudável num contexto, deixou de ser em outro.

Seitas “cristãs” seguem, por esse caminho, tipo Adventismo do Sétimo Dia.

Mesmo no chamado “meio evangélico”, é comum falsos mestres atuais utilizarem textos do VT para ensinarem coisas erradas, como faz o chamado “Evangelho da prosperidade”.

 

É importante o crente saber o que a Bíblia exige para hoje e o que não exige.

A rigor, há apenas duas ordenanças para a igreja cumprir: Batismo e Ceia.

O restante, em termos de práticas, dias, horários, é a critério de cada igreja.

 

Voltando, o segundo modo de atuar do falso mestre:

v.18-19

2. Se fazer de juiz contra os crentes.

E baseavam esse julgamento em cinco pontos, todos defeituosos:

a. Pretextando (gr. lit.: gostandotendo prazer em) humildade...

Ou seja: sendo humilde com um propósito em mente, sem sinceridade.

Cuidado com quem visivelmente se esforça para parecer humilde!

 

b. Pretextando (tendo prazer em) culto dos anjos

Culto: gr. θρησκεια threskeia: “Adoração religiosa, especialmente externo, aquilo que consiste de cerimônias, disciplina religiosa” (Strong).

Se não adoração direta, de alguma forma tinham uma relação exagerada com anjos.

 

c. Baseando-se em visões

Lit.: Contando detalhadamente o que vê

Significado difícil. Parece que se orgulhavam de ter visões e adoravam contar.

 

d. Enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal

Enfatuado: gr. lit. inchado, inflado; met: arrogante, orgulhoso.

Interessante é que a Bíblia debocha da intelectualidade deles: em termos espirituais, não tinha nenhum sentido, pois sua mente era carnal.

 

Einstein precisa ser ouvido quando fala de física. Mas sua genialidade intelectual não tem valor nenhum para as coisas espirituais (a não ser que tivesse recebido de Deus a graça da fé em Cristo).

Cuidado com o brilhantismo intelectual de quem se mete a falar de Deus. Se é com base na Bíblia e humildade, tudo bem.

Mas se é por causa da própria inteligência, jogue no lixo!

 

A quinta e última característica do falso mestre é a mais importante e básica:

e. Não retendo a cabeça, Cristo

Ou seja, o falso mestre deixa Cristo lado, O despreza.

Importante notar que aqui Cristo é descrito como o cabeça de um corpo.

Cristo formou um corpo a partir de si mesmo, do qual Ele próprio é a cabeça.

 

... do qual todo o corpo, suprido... cresce o crescimento que procede de Deus

E os irmãos de Colossos faziam parte integrante deste corpo - um corpo vivo, ativo, sempre em crescimento proporcionado por Deus.

 

Conclusão óbvia: se os irmãos pertenciam a Cristo, não deveriam querer nada com quem deixa Cristo de lado.

 

Antes de continuar: impressionante como essas características, senão nos detalhes mas na sua natureza, se encaixam nos falsos mestres de hoje (em maior ou menor grau).

Só o fato da Bíblia dar tantos detalhes, já deixa o crente sem desculpa em cair na armadilha de alguém assim. Fique atento.

 

Voltando:

Tendo falado sobre os falsos mestres, Paulo agora se dirige diretamente aos crentes.

E faz muitas exortações, baseado no fato crucial que acabara de afirmar no v.12: que os crentes foram sepultados com Cristo e ressuscitados com Cristo.

 

Se de fato eles foram sepultados com Cristo e ressuscitados com Cristo, esperava-se consequências práticas disso no viver deles.

 

Nos v.20-23 há o resumo do padrão de comportamento pelo fato de haverem morrido com Cristo. E assim terminaremos esta pregação.

 

Na próxima pregação veremos que, nos Cap.3.1-4, há o resumo do padrão de comportamento pelo fato de haverem ressuscitado com Cristo,

 

E conforme veremos nas próximas pregações, de 3.5 em diante Paulo expande em detalhes como deveria ser o andar cristão, dedicando praticamente todo o restante da carta e exortações baseadas nessa verdade crucial.

 

v.20-22a

Se morrestes com Cristo ...por que, como se vivêsseis no mundo... vos sujeitas...?

Vejam o contraste: ... MORRESTES com Cristo x ... VIVÊSSEIS no mundo.

Afinal, morreram ou não morreram com Cristo para as coisas do mundo?

Coisas do mundo” no contexto aqui não se trata de imoralidade, amor ao dinheiro, etc. mas de coisas religiosas que ficaram sem valor.

Não eram mais coisas exigidas por Deus, mas inventadas por homens.

Se morreram para as coisas de homens, por que estão tão “vivos” para cumprirem esse tipo de preceitos, que só gera prejuízos espirituais?

 

E ao descrever a inutilidade dessas coisas, mostra a incoerência de cumpri-las.

v.22b-23

Com o uso se destroem: não têm valor eterno

* Têm aparência de sabedoria: é menos perigoso dez homens obviamente tolos do que um também tolo, mas com jeitão de sábio.

* Acabam se transformando num culto a si mesmo: perigo do legalismo: fazer isso ou deixar de fazer aquilo gera auto satisfação e orgulho.

* Mostra humildade falsa (já comentamos)

* Rigor ascético (RC: disciplina do corpo RC; NVI: severidade com o corpo NVI)

* Não tem valor contra a sensualidade: não serve para nada em termos de poder espiritual sobre a carne, a sensualidade.

 

Aplicação:

Infelizmente, a pergunta de Paulo poderia ser feita a muitos crentes de hoje!

Os detalhes não são os mesmos da época, mas a essência desse contraste incoerente está na vida de muitos: dizem que morreram com Cristo mas são vivíssimos para coisas do mundo!

Se não coisas ligadas ao legalismo religioso, mas outras coisas que também são do mundo: materialismo, consumismo, sensualidade, etc.

 

Se você realmente morreu com Cristo para o mundo, viva no mundo como morto!

Essa coerência é extremamente importante para a saúde da sua igreja.

E especialmente importante para o próprio Deus.

 

E você, amigo, morra para o mundo e viva para Cristo!

 

Que Deus nos abençoe. Amém.

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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