PREGAÇÃO

O crente é morada de Deus

Jo 14.18-24      58 minutos      05/05/2013         

Mauro Clark


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Continuando o diálogo entre Jesus e os apóstolos, na noite da traição.

Última mensagem: Jesus introduziu o Espírito Santo no discurso e começou a falar da atuação dEle no crente.

Falamos que o relacionamento do mundo com o Espírito Santo é inexistente, mas com o crente não apenas existe como é intenso e íntimo, a ponto de Ele habitar com o crente.

 

Jesus continua:

v.18

À primeira vista, parece que Jesus se refere à ressurreição, três dias depois.

Mas Ele passou apenas 40 dias com os discípulos.

Parece que o nível de conforto que quer assegurar é maior, fruto de algo mais definitivo.

Mesmo que a ressurreição esteja em vista, talvez Ele queria ir além, apontando para uma vinda espiritual, através do Espírito Santo (oficialmente no dia de Pentecostes).

Essa sim, é definitiva, de profundas e maravilhosas conseqüências.

 

Nunca devemos esquecer que as palavras de Jesus eram de CONFORTO, de ÂNIMO.

Talvez Jesus tenha percebido que a promessa da vinda do Espírito Santo para habitar neles não havia sido suficiente para os deixar animados.

 

O conhecimento deles sobre a Pessoa do Espírito Santo certamente era vago e confuso. Apesar de citar apenas duas vezes o termo “Espírito Santo”, o VT falava bastante no Espírito de Deus.

Mas a própria noção de Trindade, apesar de também presente no VT, não era clara.

A ênfase era no Deus único.

Além do fato de eles saberem pouco sobre o Espírito Santo pelo VT, Jesus tinha NOVIDADES a revelar quanto ao papel do Espírito Santo nos crentes dali para a frente.

 

Ou seja, embora vendo como  benéfico o Espírito Santo vir para habitar neles, no mínimo não deve ter servido para levantar a moral deles.

O que eles queriam mesmo era a companhia do Mestre amado, que eles conheciam tão bem e já estavam muito apegados.

 

Então, logo após dizer que o Pai enviaria o Espírito Santo para habitar neles, Jesus diz taxativamente: eu voltarei para vós.

Penso que Jesus está dizendo algo como:

“Eu não vou abandonar vocês, como pobres órfãos. O envio do Espírito Santo não é algo isolado da minha Pessoa. Na realidade, equivale ao meu próprio retorno para vocês, como se eu mesmo estivesse vindo morar dentro de vocês.”

 

Isso é muito importante para nós, hoje.

Temos a tendência de nos sentir separados de Cristo, uma vez que Ele está no céu, ao lado de Deus, e nós estamos aqui na terra.

Isso nos deixa às vezes um pouco desolados, tristes por não tê-Lo pessoalmente ao nosso lado, quase SAUDOSOS, meio ÓRFÃOS da presença dEle.

Apesar de correta, está INCOMPLETA a noção de que Cristo está no céu e nós na terra. Há um sentido em que NÃO estamos separados dEle.

Ao contrário, estamos profundamente ligados com Ele, uma vez que Ele está conosco, através do Espírito Santo.

De fato não O temos FISICAMENTE ao lado, com a presença plena, com toda a glória. Mas não é errado dizer que, num certo sentido, Ele está pessoalmente conosco.

 

v.19

Novamente os 2 grupos: o mundo e vós (os discípulos).

Antes, contraste entre os 2 grupos sobre o relacionamento com o Espírito Santo: o mundo não podia se relacionar com Ele porque não O conhecia. Seus discípulos O conheciam.

Agora, contraste sobre a condição de ver Jesus depois de ressuscitado.

O mundo não o veria mais porque Ele morreria e, mesmo ressurreto, não mais estaria exposto às multidões, como antes.

O ministério público se encerraria com a crucificação. Depois, apareceu apenas para discípulos.

 

vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis

Passagem difícil.

O mundo não O veria porque Ele não se exporia mais às pessoas em geral.

Mas os discípulos O veriam porque Ele ficaria entre eles 40 dias.

Só que a essa altura os apóstolos deveriam estar pensando: “Como vamos vê-Lo, se Ele vai morrer?”

Então Ele adianta:

porque eu vivo, ou seja, “Eu não ficarei morto, voltarei a viver. E vocês me verão com os seus olhos”.

 

... vós também vivereis

Ao falar que viveria, Jesus aproveitou para dizer que eles também viveriam.

Algo como: “Eles vão me matar, mas eu voltarei a viver. E por causa da minha vida, vocês também terão vida, vida eterna. Mesmo que venham a matar vocês ou quando vocês morrerem por qualquer motivo, vocês também voltarão a viver.”

Essa vida refere-se à vida eterna, com Deus, incluindo a ressurreição dos corpos, no arrebatamento.

 

Nunca esqueça que em cada segundo na vida eterna estaremos dependendo total e diretamente de Cristo.

Toca CD: som limpo, alto, regula tom, mto. bonito, parece que tem vida própria. Basta desligar tomada e tudo morre, vira pedaço de plástico e metal, não serve para nada.

 

É bom nos imaginamos com corpos glorificados, poderosos, bonitos, sem dor, reinando com Cristo, mas tudo isso porque estamos ligados com Cristo.

Se Ele não tivesse voltado a viver depois de morto, nós também estaríamos mortos.

E se nos desligássemos dEle, morreríamos instantaneamente,não serviríamos para nada.

Somos hoje e sempre seremos dependentes de Cristo.

 

v.20

naquele dia: Não sabemos exatamente a que ocasião Cristo se refere.

Penso que o melhor é conectar com o ponto focal do contexto: a vinda do Espírito Santo.

Quando recebessem o Espírito Santo, muitas coisas mudariam neles: seriam mais ousados, mais corajosos, teriam mais entendimento das coisas espirituais.

 

Incluída nessa capacitação dada pelo Espírito Santo, estaria a compreensão de 2 coisas:

 

1) ... eu estou em meu Pai:

A unidade de Cristo com Deus não era conhecida ainda por eles.

O discípulo de Cristo, embora não entenda bem, crê e aceita que Ele e o Pai são um.

 

2) ... e vós, em mim, e eu, em vós

Chegue a alguém que, embora sendo “cristão”, não é salvo e pergunte sobre o relacionamento dele com Cristo.

Falará sobre acreditar em Jesus, etc.

Mas JAMAIS dirá “eu estou em Cristo, ligado a Ele de modo sobrenatural, envolvido nEle, porque fui mergulhado nEle. É o Espírito Santo que dá esse convicção.

 

v.21

aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama

Novamente amor e obediência. Quem ama obedece.

 

aquele que me ama será amado por meu Pai:

Se você comprar um presentinho para o Levi, com certeza deixará o Rogério muito mais tocado, mais alegre do que se comprasse um presente para o próprio Rogério.

Interessante como vemos esse princípio funcionando com o próprio Deus.

Quem agrada ao Filho, automaticamente agrada ao Pai. Quem ama o Filho, automaticamente será alvo do amor do Pai.

 

… e eu também o amarei…

Interessante: apesar de Cristo ter nos amado primeiro, e com um amor incondicional, há um aspecto desse amor que está vinculado ao nosso amor e obediência a Ele.

Como se Ele tivesse PRAZER em nos amar quando nós O amamos.

Como se Ele deixasse Seu amor por nós fluir livremente em toda a plenitude quando O obedecemos.

 

Um pai tem um filho desobediente e outro obediente.

Pergunte se ele ama o desobediente. Dirá meio cabisbaixo: “Sim, afinal ele é meu filho.” Agora pergunte se ele ama o obediente. Os olhos brilharão, abrirá um sorriso e dirá bem alto e alegre: “Mas é claro, isso é pergunta! Como eu amo esse filho!”

Acho que Cristo reagiria, em termos, da mesma forma.

 

… e me manifestarei a ele

Como se dará essa manifestação? Não diz. Mas o contexto deve indicar que é através do Espírito Santo.

Ou seja, o próprio ato de Cristo derramar em nós o Seu amor, é feito através do Espírito Santo que Ele enviou para habitar em nós.

 

v.22-24

Judas, não o Iscariotes, ficou intrigado com essa questão de Jesus se manifestar aos discípulos dEle, mas não ao mundo.

Afinal, o Messias não iria se manifestar a todos? E pede para Ele explicar melhor.

 

A resposta de Jesus, embora resumida, é LÓGICA: “O meu discípulo me ama e, portanto, me obedecerá. O mundo, que não me ama, não me obedecerá.”

Fica implícita a conclusão do raciocínio: “Eu não tenho nada a fazer com quem não me ama e nem me obedece. E tenho muito a fazer com quem me ama e me obedece”.

 

E faz uma declaração fantástica no v.23b:

… e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada

Veja como Jesus AUMENTA PROGRESSIVAMENTE o peso das Suas revelações, no que se refere ao envio do Espírito Santo aos Seus discípulos:

* Primeiro diz que Ele rogaria e o Pai enviaria outro Consolador, que estaria para sempre com os discípulos, habitando com eles.

* Depois diz que Ele próprio voltaria para eles. Já explicamos que deve se tratar da mesma vinda do Espírito Santo agora acrescida do fato de que isso equivaleria ao próprio Jesus estar vindo habitar no crente.

Agora diz que não apenas Ele, mas também o Pai viria para o discípulo e AMBOS fariam nele morada.

O substantivo “morada” é da mesma raiz do verbo “habitar” no v. 17

Ou seja, o Espírito Santo habita no crente, o Filho habita no crente e o Pai habita no crente.

Em suma: A TRINDADE habita no crente. (lembrando que a habitação do Pai e do Filho é ATRAVÉS do Espírito Santo)

 

No v. 24b Jesus lembra a Sua dependência do Pai, em Seu estado encarnado, a ponto de dizer que as próprias palavras que dizia eram do Pai.

 

Reconheço que tudo isso é muitíssimo misterioso e não pensem que domino o assunto. Mas está escrito e temos que conhecer essas verdades.

Acho que é errado pensar que, por ser muito teórico, terá pouco efeito prático.

É muito além do que podemos imaginar o EFEITO PRÁTICO que tem em nossa vida, comportamento, pensamentos, etc., o fato de sabermos essas coisas.

Talvez não percebamos claramente cada detalhe desse efeito, mas com certeza o Espírito Santo está agindo para nos edificar com tudo isso.

QUE Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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