PREGAÇÃO

Pode se alegrar, mas não deixe Deus de lado! (Série ECLESIASTES 8)

Ec 3.9-15      71 minutos      07/02/2021         

Mauro Clark


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v.9-10

Novamente Salomão diz que o trabalho é aflitivo e que foi Deus quem impôs (lembra 1.3).

Pergunta que proveito o homem poderá tirar do fato de estar aqui embaixo, com fadigas.

A pergunta fica no ar, pois não há resposta direta.

Alguns estudiosos acham que resposta é implícita: “nenhum proveito”.

Sugiro uma resposta mais abrangente, que darei após comentar os 5 próximos versículos. 

v.11

1) Tudo fez Deus formoso...

formoso: hebr.: bonito, agradável, razoável.

Num livro tido como “para baixo” como Eclesiastes, por causa do foco “embaixo do sol”, por um lado, é reconfortante ouvir isso.

Mas, por outro, causa estranheza: Como formoso, com tantas desgraças, males, etc?

O problema é que, em vez de procurarem na Bíblia a explicação, muitos são desconfiados, céticos ou duros acusadores de Deus: injusto, caprichoso, malvado.

Essa filosofia se recusa a aceitar que o que existe de ruim, foi causado pelo pecado dos homens, começando com Adão e passando por si próprio!

Deus não levou ninguém a pecar.

De fato, Deus é o Criador e tem poder para impedir tudo o que quisesse.

Mas isso não significa que Ele é culpado pelas coisas más que ocorrem no mundo.

E mesmo as coisas más, Ele as utiliza para os propósitos dEle, que são benignos.

Ou seja, podemos dizer que até os castigos e maldições de Deus são bem feitos, corretos, justos, benignos, razoáveis. 

... no seu devido tempo

Quase que resumindo o trecho v.1-8 e reafirmando que Deus criou e mantém tudo com ordem, propósito, dentro de um cronograma sábio e harmonioso.

Agora, sejamos honestos: mesmo que o crente creia nisso, o fato é que não consegue ver tudo formoso, concorda?

E essa diferença entre o que cremos e o que vemos, não deve nos entristecer, como se fosse falta de fé.

Grande parte do trabalho de Deus ainda é invisível aos nossos olhos. De maneira visível e imediata, existe muita feiura neste mundo.

Mas nos falta a visão panorâmica e o conhecimento mais profundo das coisas de Deus.

O “quebra cabeças” de Deus só será inteiramente visível para nós, lá na frente. E belo! 

... também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Deus deu ao homem a noção de eternidade, ou seja, de continuidade do tempo. Separamos o tempo em passado, presente, futuro, mas, de fato, é uma linha só.

E essa continuidade não interrompe com a morte,  ou o final da vida aqui.

O homem traz dentro si a forte noção de existência além da vida aqui na terra.

E como o homem é finito e a morte é certa, esses assuntos existenciais e ligados com a eternidade terminam sendo centrais para as pessoas.

E isso leva a enormes especulações, vontade de conhecer o mundo invisível, investigar o desconhecido.

Mas está vedado ao homem perscrutar as origens das coisas, seus segredos, etc.

O que o homem sabe não é porque descobriu: foi Deus quem revelou até onde quis.

Mas o homem não se conforma. Quer ir além.

Quer satisfazer essa sensação de eternidade no seu coração, mas à parte de Deus!

As seitas, a infinidade de religiões (inclusive as formas mais baixas: ocultismo, feitiçarias) são o desenvolvimento natural dessa incapacidade humana.

Mas não adianta - por si mesmo, ninguém vai descobrir as coisas não reveladas. 

Este ensino bíblico também explica o fracasso dos filósofos, que se dedicam a construir mil teorias existenciais, falam do bem e do mal, especulam sobre o sentido da vida, mas terminam fazendo perguntas irrespondíveis e especulações sem solução.

A própria história mostra que não adianta: eles jamais encontrarão a resposta.

Platão, aluno de Sócrates, discordava do mestre em coisas básicas.

 

-  Quer dizer, então, que tudo o que a filosofia ensina é falso?

Não. Aqui e ali alguma explicação pode coincidir com a Verdade, afinal todo homem tem algo da imagem e semelhança de Deus e pode ter certa iluminação.

Mas são grãos de verdade submersos num mar de fantasia, especulação vazia e perguntas sem respostas.

Aliás, quanto mais erudito é um pensador, mais deixa perguntas no ar.

Mesmo que façam isso com palavras difíceis e raciocínios complexos, não passam de perguntas pateticamente sem respostas. 

Com tudo isso, surge uma pergunta importante:

Se o homem não consegue entender as coisas eternas, como encarar a vida?

 

v.12-13

Corrig. v. 12: Já tenho conhecido que não há coisa melhor para eles do que se alegrarem e fazerem bem na sua vida.

Salomão começar a responder à pergunta do início: quanto à vida em si, se alegre e usufrua os resultados do seu trabalho de maneira benigna.

De fato é bom “curtir” a vida, usufruir das coisas boas que o trabalho proporciona.

Para muitos, seria ótimo se a resposta terminasse aqui.

“Penso como Salomão: isso tudo é muito complicado, uns dizem uma coisa, outras dizem outra, prefiro não entrar nessa confusão. Vou viver minha vidinha em paz, respeitar os outros e estou resolvido”. 

Mas a resposta não fica só nisso!

Alegrar-se e usufruir das coisas boas daqui, é dom de Deus, vem dEle!

E se é um dom de Deus, Deus não pode ser deixado de lado nesse processo.

Salomão absolutamente não está ensinando uma forma de hedonismo, que ensina que o prazer imediato é o único propósito da vida e cada um deve agradar a si mesmo. 

v.14-15

Bem parecido com o trecho cap 1.9-10.

É típico do ser humano o desejo de mudar tudo: comida, carro, emprego, governo, conhecer lugares exóticos, inventar coisas novas.

Há um sentido bom nisso e muitas mudanças são benéficas e bem intencionadas.

Outras podem até ser bem intencionadas, mas se mostram nocivas.

E outras são mesmo mal intencionadas.

Sem entrar no mérito, Salomão afirma que as coisas básicas já estão criadas.

A rigor, o homem não vai criar nada. E nem mudar nada, em essência.

* Quem vai aumentar ou diminuir a força gravidade?

Se uma certa constante física fosse minimamente diferente, o céu seria preto.

* Quem vai alterar as leis de comportamento humano?

A psicologia se utiliza delas, mas não as inventou! Apenas percebeu e organizou. 

O homem encontra feito as coisas elementares, básicas.

E não é só: Deus pode renovar as coisas que já passaram, o tempo fica sem efeito.

Se tantos sofrem no presente por coisas passadas, será que são passadas mesmo?

No julgamento futuro, ele vai julgar as obras passadas.

Ora se essas obras ainda vão ser utilizadas no futuro, é porque, num sentido, ainda existem. Logo, não são passado! 


... durará eternamente

E mais: as coisas imateriais, como a alma humana, durará eternamente.

Quer alguém goste ou não, aceite ou não, entenda isso ou não, a sua alma é eterna.

Conclusão óbvia: mesmo que seja bom se alegrar com a vida aqui e procurar fazer o bem com o fruto do seu trabalho, ninguém deve descuidar da sua vida eterna!

 

... e isto faz Deus para que os homens temam diante dele.

E esse cuidado com a vida eterna inclui TEMOR a quem criou e controla tudo.

Cada ser humano deve adorar o Deus Criador e fazer o que Lhe agrada.

O mundo não está ao sabor do homem.

Existe um Deus que fez tudo, que controla tudo.

E o princípio da sabedoria é exatamente o homem reconhecer isso e temer a esse Deus. 

Voltando então à questão do hedonismo: Salomão não está ensinando nos v.12-13 que a pessoa deve viver com o objetivo principal de curtir a vida, comendo, bebendo, se alegrando, tirando o máximo dos prazeres, livremente, como quiser.

Cada um precisa temer a Deus, sabendo que Ele controla tudo. (Temor envolve fé).

Uma vez temendo a Deus, aí sim, cada um deve tirar bom proveito da vida - evidentemente dentro dos padrões desse Deus a quem teme. 

Ao mesmo tempo em que procura ser fiel a Deus (ligado nos relacionamentos, responsável na profissão, dedicado ao serviço a Cristo), o crente tem toda liberdade de gozar a sua vida - comer bem, se vestir bem, usar o seu dinheiro como lhe aprouver.

A Bíblia não ensina que vida do crente tem de ser sacrificada, sofrida, tristonha. 

E quanto à questão da eternidade, uma vez temendo a Deus e crendo nEle, a pessoa irá descansar inteiramente nEle quanto ao futuro.

Ainda mais quando Ele garante que o futuro será maravilhoso para o que crê nEle. 

Após todas essas considerações, arrisco-me a tentar responder à pergunta do v.9:

que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga?

* Se ele insistir em descobrir por si mesmo (ou por teorias humanas) as coisas desconhecidas, invisíveis, do mundo espiritual - não terá proveito nenhum.

* Se passar a vida julgando a Deus, condenando-O pelas coisas erradas deste mundo, especialmente pelos próprios sofrimentos - não terá proveito nenhum.

* Mas, se ele temer a Deus e, dentro dos padrões deste Deus, viver a sua vida, se alimentando bem, se vestindo e usufruindo responsavelmente o fruto do seu trabalho – então terá muito proveito e dará muito sentido à sua vida.

Certamente que esse “temer a Deus”, em termos NT, inclui adorar o Senhor Jesus Cristo.

Com Ele tudo tem sentido, tudo vale a pena, tudo tem proveito! 

Que Ele nos abençoe! Amém

Mauro Clark, 72 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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