PREGAÇÃO
 

Série Apocalipse - 56 – Ap 19.17-21: Que vitória!

Mauro Clark |  07/07/2019
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 Após a minuciosa e bela descrição do Senhor Jesus Cristo voltando do céu para lutar contra Satanás e o anticristo e seus aliados, a atenção de João se volta para outra cena:

 

v.17a: Então, vi um anjo posto em pé no sol...

Só lembrando que a última referência ao sol foi em 16.8, quando o 4º. anjo derramou sua taça sobre o sol, que obviamente tornou-se muito mais quente, pois recebeu poder para queimar os homens com fogo. E agora o anjo está em pé no próprio sol!

Que diferença de poder entre as coisas celestiais e as terrestres. Que fragilidade humana!

 

Mas, o que o anjo estava fazendo em pé, no sol?

... e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu...

Falando... a quem? É interessante a naturalidade da resposta: às aves!

Ah, mas em Apocalipse, isso não é de admirar, há muita metáfora e descrição de seres e cenas acima da nossa compreensão.

De fato. Só que mesmo à parte de Apocalipse, não é novidade na Bíblia o registro de Deus se comunicando com animais.

Exs: os animais que foram para a arca de Noé; os corvos que alimentaram Elias; a baleia que engoliu e expeliu Jonas; a jumenta, que não apenas recebeu ordens para parar, defendendo Balaão da espada dos anjos, mas repreendeu o próprio profeta!

 

E vou além: mesmo à parte da Bíblia, na própria Natureza hoje, Deus “fala” aos animais.

Quem ensinou ao urso jovem a hibernar pela primeira vez? Quem ensinou à nova geração de aves a migrarem exatamente para lugares exatos a milhares de quilômetros para depois voltarem na época exata do ano? E os salmões, para saírem do mar e voltarem rio acima para o lugar onde nasceram, para procriarem e lá morrerem?

Os cientistas e céticos podem chamar como quiserem - uma noção interna, um chip embutido – mas tem muito mais sentido a noção (infantil para eles), de que, a rigor, tudo isso é o Criador se comunicando com as Suas criaturas.

 

E agora Deus fala às Suas aves através do anjo:

Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus...

Antes de tudo, o anjo faz um convite, ou convocação às aves do céu, para uma ceia.

Quando se fala em ceia, pensa-se em festa, ou comemoração.  

O Antigo Testamento se refere muito a banquetes dados por reis.

Davi, envaidecido, diz que o Pastor dele dará uma festa na frente dos seus adversários.

A Ceia do Senhor é uma comemoração solene entre os crentes (no início da igreja, havia ceia literal).

Acabamos de ler sobre a Ceia das Bodas do Cordeiro (cap. 19), que, embora não saibamos exatamente se será no céu antes de Cristo voltar, ou se na terra, no início do Milênio ou se ao longo do Milênio, e nem de que alimento consistirá, com certeza será um evento festivo, alegre.

E essa grande ceia de Deus, o que é?

 

v.18

... para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes.

Esta é uma ceia terrível. Uma ceia invertida: em vez de homens comendo animais, é animais comendo homens (além de animais também).

É uma cena sinistra, chocante, tétrica, apavorante, nauseante: milhões de aves (e certamente outros animais) comendo uma abundância de cadáveres humanos (e de cavalos).

 

Nessa chamada grande ceia, observe duas coisas:

1. Deus mostra o que tanto afirmou na Sua Palavra: para Ele não há acepção de pessoas.

O comandante é tão culpado quanto o soldado raso. O livre, quanto o escravo. O pequeno é tão culpado quanto o grande. O poderoso é tão culpado quanto o fraco.

Não ter poder, ser escravo, pequeno, ser pobre, sofredor, não é passe livre para o céu.

Todo tipo de sofrimento é consequência do pecado da própria raça humana contida em Adão, seguido pelos pecados de cada um: seja pobre, rico, culto, analfabeto, etc.

O único passe livre para o céu é o perdão no sangue de Cristo, derramado com muito sofrimento pelo que crê nEle.

Quanto ao que não crê em Cristo, seja de que classe for, será julgado e condenado.

 

2. Carnes DE TODOS: não apenas de militares que participaram e morreram na batalha.

O termo é muitíssimo abrangente, inclui todas as pessoas de todas as nações.

Todos são culpados - os que sacudiram de si o jugo do Seu Filho, e conspiraram contra o Seu ungido, dizendo “rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas”.

Todos os seres humanos rebeldes a Cristo serão mortos por Ele na Sua vinda.

 

A situação é tão chocante, tão forte, tão radical, que levanta uma pergunta inquietante: Como Deus comemora - tanto a alegria da salvação quanto o terror da condenação? Onde Ele encontra motivos para celebrar morte e condenação de corpos e almas?

A resposta é clara na Bíblia: a condenação de culpados é fruto de julgamento justo e reto.

Na condenação de culpados, a desobediência à autoridade suprema de Deus é cobrada.

Na condenação de culpados, a santidade de Deus é posta em evidência.

Na condenação de culpados, a tão prometida vingança dEle contra o pecado é cumprida.

Esse é o Deus da Bíblia: cada vez que um de Seus atributos é exposto, é exercido, Ele comemora.

Ele se alegra tanto na Sua misericórdia quanto na defesa da Sua santidade.

Ele se glorifica tanto no Seu perdão aos que se entregaram à justiça de Cristo, quanto no julgamento implacável dos que quiseram se defender com a própria justiça.

Deus vibra com a Sua retidão como Juiz de toda a terra - tanto na remissão dos que se entregam a Cristo quanto na condenação de quem se recusa.

Deus se enche de honra quando cumpre a Sua Palavra, que é a mesma para todos – mesmas profecias, mesmas promessas, mesmas ameaças, mesmas garantias, perdão nas mesmas condições e condenação também nas mesmas condições.

 

Voltando:

Observe que o convite à ceia de Deus foi feito ANTES da batalha, não depois!

Deus conhece todos os resultados de todos os eventos envolvendo todas as criaturas.

 

Vamos à última frase na Bíblia antes da volta de Cristo.

 

v.19

E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército.

 

Está posto o palco e irá começar a luta, não do século, não do Milênio, mas a luta da História, a maior guerra de que o mundo teve e terá notícia, com envolvimento pessoal do próprio Filho de Deus, de um lado, e do próprio Satanás, do outro, cada um à frente de seus exércitos.

O leitor de Apocalipse fica atento para o andamento dessa super-batalha:  

v.20

Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre. 21 Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes.

 

Parece inacreditável: nenhuma palavra sobre o desenrolar dessa guerra gigantesca!

Apenas o resultado final.

Mas esse dia não está ausente da Bíblia: Zc 12.9-10;  14.1-13; Sf 1.14-18; Mt 24.27-28

 

Voltando:

O próprio relatório do resultado parece ser desproporcional: refere-se a dois grupos.

Só que o primeiro grupo é formado por apenas duas pessoas e o outro é formado por todas as pessoas sem Cristo do planeta.

Primeiro grupo. A besta e o falso profeta: aprisionados e lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre.

Obviamente refere-se ao inferno eterno.

Interessante: não foram mortos pela espada de Cristo, mas jogados diretamente no inferno. Talvez por castigo especial.

No cap. 20 falaremos mais sobre esse lago de fogo.

 

Segundo grupoOs restantes. Que restantes? Já comentamos: todos os descrentes.

O que houve com eles?

Foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo.

3 observações:

1. Todos foram mortos com uma só espada: a de Cristo.

Não sabemos o quanto a espada é literal e o quanto é metafórica, mas deve incluir morte violenta, por algum tipo ataque físico.

Interessante: o Salvador do mundo se constitui aqui no ser humano que pessoalmente mais matou gente na história da humanidade!

Pois é amigo, cuidado com Ele! “Beijai o Filho, para que não se irrite”!

É perigoso guardar apenas a imagem de um Jesus sofrido, mal tratado, humilhado – como na 1ª. vinda.

 

2. É importante considerar a natureza divina de Cristo nesse ato de matar em massa. Além de executor, Ele, como Deus, é também o Juiz dessa causa.

 

3. Como já comentei antes, não se fala em armas dos integrantes dos exércitos de Jesus.

É um mistério qual será o papel deles na batalha.

O fato é que, por um lado, Cristo estará acompanhado. Por outro, para matar, estará só!

 

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Mas... e o grande criminoso? O dragão, arqui-inimigo de Deus? O principal responsável por tanta desgraça na Criação, desde a tentação de Adão?

Onde está ele, o deus deste século, o príncipe deste mundo, o leão que ruge procurando alguém para devorar, o diabo, o pai da mentira? Onde está Satanás? O que foi feito dele?

Ficou esquecido? Escapou na última hora? Veremos na próxima pregação.

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 67 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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