
Os dois homens, tristes e chorosos, olham para o corpo quase sem vida do velho e riquíssimo pai, em seu leito de morte.
Um pensa:
Que saudade sentirei desse pai querido. Tenho orgulho dele. Nasceu pobre, lutou como um leão, trabalhou feito um desesperado, não mediu esforços, mal conheceu momentos de lazer, sacrificou até a família, mas alcançou seu objetivo. Aliás, ultrapassou. Quando menino, eu o ouvia dizer que seu sonho era deixar um apartamento para cada filho. Era tão obstinado que deixou dezenas. Fora as empresa e as fazendas. Seguirei pelo seu caminho, papai, honrarei seu nome e prometo tudo fazer para multiplicar ainda mais o patrimônio que o senhor conseguiu amealhar.
O outro pensa:
Que saudade sentirei desse pai querido. Uma saudade ainda mais sofrida pela pena que sinto dele. Em seus últimos anos, começou a perceber que os milhões, pelos quais deu a vida, simplesmente não aqueciam o seu coração. Os empregados, carrões, terrenos, bois e contas bancárias cheias, não lhe impediam de falar num “vazio de vida”.
Quantas vezes tentei falar de Cristo para ele. Quantas vezes mostrei que sem a salvação, ele era o homem mais pobre e miserável do mundo. Mas, parece que não adiantou. Até ontem, quando ainda podia balbuciar alguma coisa, só se preocupava em dar instruções sobre a empresa, para o meu irmão. Que pena!
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