PREGAÇÃO

Nem vendo um morto falando!

Mauro Clark

Lc 16.19-31         12/04/2015          54 minutos


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19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.20Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;21e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.22Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.23No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.24Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.26E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.27Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,28porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.29Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.30Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.31Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
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Passagem valiosa, pois aqui Jesus nos mostra os bastidores celestiais.

Detalhe curioso: Jesus deu nome a um personagem (somente nesta parábola).

Vou concentrar no ponto principal da história: o valor das Escrituras.

Errado pensar que Jesus quis dizer que Lázaro foi para o céu porque era mendigo e doente e o rico foi para o inferno porque era rico e boa vida.

Esses critérios não valem para o destino eterno. É a fé que leva à salvação.

Além do mais, temos DUAS PISTAS importantes quanto ao estado espiritual do rico.

1. Vaidoso, adorava roupas caríssimas e festas, um típico homem do mundo.

2. Não mostrou compaixão com Lázaro, indicando falta de amor, até crueldade.

Quanto a Lázaro, pequena pista: seu nome (que na época tinha ligação com o caráter) provinha de dois nomes hebraicos que significam “Deus ajuda”.

E como foi para o céu, comprova que era um homem justo diante de Deus.

 

Importante lembrar que, embora pobreza não seja virtude em si, os pobres são alvos especiais de Deus quanto à pregação do Evangelho e haverá poucos ricos no céu.

Talvez Jesus tenha feito o contraste econômico para chocar os ouvintes e lembrá-los de que os valores do reino de Deus são invertidos com relação aos valores deste mundo.

 

v.22-26:

Os dois morreram. Lázaro foi para o céu, levado por anjos. O fato do rico ter ido para o inferno, indica que permaneceu nos seus pecados e nunca se converteu.

Sofrendo no inferno, viu Lázaro no seio (regaço, colo) de Abraão (idéia de aconchego).

Observe a continuidade da existência de ambos.

 

Sofrendo muito, o ex-rico apela pela misericórdia de Abraão, pedindo que lhe envie Lázaro com a ponta do dedo molhado, para lhe refrescar a língua do calor da chama (talvez metáfora para intenso sofrimento). Veja só quem fala em misericórdia!

Abraão nega, alegando que ele já recebera os bens em vida e Lázaro muitos males.

Agora a situação se invertera e de maneira PERMANENTE: Hb 9.27

 

Mas esse foi apenas o primeiro argumento de Abraão.

Havia o segundo: havia um abismo separando os dois locais.

Era impossível para Lázaro ir até lá, mesmo que quisesse. E vice-versa.

 

v.27-28

O rico desiste de pedir por si e passa a implorar pelos seus irmãos na terra.

Pede que Abraão mande Lázaro à terra a fim de testemunhar para eles.

 

Observe:

a) Até que ponto ele valoriza agora uma palavra da Lázaro.
Enquanto tinha vida na terra, Lázaro poderia ter testemunhado de Deus fartamente, mas suas palavras não tinham peso para o rico, aliás nem deveria chegar aos ouvidos dele.

Os ouvidos dos ricos geralmente são surdos aos pobres.
Será que o rico dizia “Bom dia, Lázaro”, quando o encontrava mendigando na porta da sua mansão?

Como as coisas serão diferentes depois desta vida.

b) Independente de condição financeira, quantas pessoas desprezam hoje o testemunho de um salvo em Cristo. Não sabem o valor do que estão perdendo.

 

c) No inferno o homem continuará com sentimentos (amor pelos outros, preocupação).

v.29

Abraão novamente NEGA o pedido, e novamente argumenta:

Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.

 

Observe:

* Mesmo que os cinco também fossem ricos, esse não era o motivo pelo qual Abraão negou. O dinheiro em si não seria impedimento para que fôssem salvos.

* Abraão não desprezou o destino eterno dos cinco irmãos, dizendo algo como “o problema é deles”.

* Na realidade Abraão não mandava Lázaro porque NÃO HAVIA NECESSIDADE: eles tinham Moisés e os profetas, isto é, as Escrituras (na época, apenas o AT).

É como se tivesse dito:

Meu amigo, séculos antes de você ter nascido, Deus já estava preocupado em livrar pessoas da condenação. Por isso providenciou a REVELAÇÃO ESCRITA. Se os teus irmãos LEVAREM A SÉRIO o que já está escrito no Velho Testamento, pode ficar tranqüilo que eles não irão para o inferno onde você está!”

 

v.30

Pela 1a. vez o ex-rico reage e argumenta com Abraão.

“Mas Pai Abraão, não dá para comparar o EFEITO de um livro escrito com o aparecimento de uma pessoa que morreu, voltando à terra e falando das coisas que viu. Se eles virem Lázaro falando pessoamente com eles, com certeza vão se arrepender”.

 

Algumas observações interessantes:

1. O ex-rico reconhece a necessidade dos irmãos se arrependerem!

Não sabemos se ele chegou a essa conclusão ainda em vida na terra ou se depois de chegar ao inferno.

De fato, o ARREPENDIMENTO está na base da salvação. Tanto João Batista quanto o próprio Jesus começaram a sua pregação exortando ao arrependimento.
Pena que esse tema está se tornando cada vez mais raro nas pregações hoje em dia.

2. O homem reconhece também que para seus irmãos se arrependerem, Deus precisava tomar alguma iniciativa.
Aqui ele também estava certo: é Deus quem conduz ao arrependimento: Rm 2.4

3. O ex-rico demonstrou a típica e infeliz tendência humana de desconsiderar o valor da Palavra de Deus para conduzir o homem à salvação.
Apenas para dar uma idéia, leiamos dois trechos que os irmãos do ex-rico tinham em mãos para ler: Gn 15.6; Hc 2.4; Dt 30.11-14

4. Outra infeliz tendência humana é dar valor exagerado às coisas sobrenaturais.
Parece esquecerem que para Deus não há diferença entre o natural e o sobrenatural.

 

v.31

Abraão responde e encerra, novamente não atendendo ao ex-rico.

E diz uma das frases mais importantes da Bíblia sobre a doutrina das Escrituras: a AUTORIDADE da Bíblia e a SUFICIÊNCIA que tem para conduzir o homem à salvação.

 

Se alguém a despreza, nada mais pode ser feito por ele, nem mesmo mandar alguém ressuscitar dos mortos e falar com ele.

Esse conceito de Abraão está em toda a Bíblia. Exemplo: 2Tm 3.15

Alguns pontos sobre milagres e fenômenos sobrenaturais:


* Essas coisas tinham o propósito específico de autenticar e autorizar o ministério e a palavra do profeta ou servo de Deus que as realizava.


* Nos tempos bíblicos houve muito menos sinais e maravilhas do que se pensa.

Houve 3 fases distintas de grandes milagres:

1. No Êxodo de Israel do Egito (1450 aC)

2. 600 anos depois, no tempo de Elias e Eliseu

3. 850 anos depois deles, quando Jesus veio ao mundo.

À parte dessas épocas, houve poucos e ocasionais milagres.


* Muitos dos milagres de Jesus não levaram pessoas à fé. Tinham o efeito de beneficiar os que já tinham FÉ.
Ex.
Centurião, que disse: “não sou digno de que entreis em minha casa...”

O apóstolo Tomé que tinha fé em Cristo mas duvidou, exigiu um milagre e foi repreendido! Jo 20.29.


* A fé que requer demonstrações sobrenaturais é fraca.

Fé robusta não necessita de comprovação visível. Confia sem ver: Hb 11.1

 

Voltando e encerrando:

No chamado Dia dos mortos, vemos vivos se preocupando com mortos - acendendo velas, fazendo orações, etc.

Nesta história vemos um morto se preocupando com vivos.

Pena que nenhuma das situações é aceitável diante de Deus.

O importante é vivo se preocupar com vivo!

 

Irmão em Cristo: a hora de pensar na situação espiritual dos parentes e amigos é enquanto estão vivos.

E o procedimento é claro: expor a Bíblia a eles (pregando, dando livro, etc).

Se eles não forem receptivos, você está livre do sangue deles.

 

Amigo, você se preocupa com seus parentes e amigos vivos?

E com você próprio, enquanto está vivo?

Ótimo. Então já sabe a providência: abrir o coração para as Escrituras.

Importante: um coração aberto às Escrituras levará direto a Cristo.

E quem faz isso, termina arrependido dos pecados e aceitando Cristo como Salvador.

Este ponto é fundamental: somente Jesus Cristo é quem salva!

Só aprender a Bíblia não adianta: Jo 5.39-40

Através da Bíblia chegue a Cristo. E através de Cristo, chegue a Deus, ao céu, à vida eterna!

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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