PREGAÇÃO

Grandes obras de Jesus

Jo 14.12-14      55 minutos      17/03/2013         

Mauro Clark


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Continuando o diálogo entre Jesus e apóstolos, na noite da última Páscoa, Ceia e traição.

Lembrando o final da última pregação: Filipe, dando a entender que as palavras de Jesus estavam muito complicadas, pediu que Jesus mostrasse o Pai a eles, e isso bastaria.

Jesus magoou-se e fez uma afirmação ousada: quem via a Ele, via o Pai.

 

E deu 3 motivos que os discípulos cressem no que Ele estava dizendo:

1) O próprio  fato de Jesus estar afirmando; 2) as palavras que Ele dizia eram na verdade o Pai que O mandava dizer; 3) as obras que Ele fazia eram o Pai que fazia através dEle.

 

Certamente Jesus sabia que era o grande o peso de tomar as Suas obras como argumento para que cressem nEle. Afinal, eram obras poderosas, os apóstolos tinha visto com próprios olhos. Agora Ele faz outra afirmação surpreendente:

 

v.12a (até … e outras maiores fará)

“A diferença entre vocês crerem ou não nas minhas palavras, não é simplesmente se sentirem confortados e menos desanimados. Se vocês crerem, serão pessoas poderosas.

E querem uma medida desse poder? Pensem em um poder para fazer as obras que vocês me viram fazer.

Aliás, pensem em um poder para fazer OBRAS MAIORES do que eu fiz!

 

Lembrem-se que aqueles homens estavam profundamente tristes, como os corações turbados (v.1). O Líder deles, a quem tinham se voltado totalmente nos últimos 3 anos, abandonando tudo, seria traído, morto e iria embora. Ficariam sós, desamparados, perseguidos. Perspectiva terrível!

E agora ouvem da possibilidade de realizarem obras maiores do que o próprio Jesus fez. Que mudança de perspectiva!

 

E mais: esse promessa não era exclusiva dos apóstolos: Jesus generaliza: aquele que crê em mim fará também…

 

Melhora de perspectiva sempre ocorre quando Jesus interfere na vida de alguém.

É impossível alguém entregar o controle da sua vida a Cristo e suas condições piorarem. É impossível até permanecerem as mesmas.

As promessas que Cristo têm reservadas para os que crêem nEle são sempre positivas, para cima, benignas, animadoras, cheias de esperanças.

Quem se envolve com Cristo tem motivos para estar sempre melhor.

Crente desanimado: só tem sentido se for provisório. Logo Cristo interfere e através do Seu Espírito renova as forças, indica motivos para deixar de lado o desânimo e continuar a luta, pois a vitória está garantida.

 

No avião, sobrevoando o Rio, papai olha para mim (com dez anos), rindo; eu, preocupado, aponto o polegar para baixo. Ele ri e aponta polegar para cima, indicando que não apoiava o meu desânimo e continua rindo, animando-me.

Irmãos, nunca pensemos que Cristo concordaria que olhássemos para Ele com o polegar para baixo.

Mesmo que nossa situação esteja difícil aqui, a Palavra dEle nos autoriza a termos perspectiva de vitórias.

 

Voltando: que obras são essas, maiores do que as obras que Jesus fez?

Mesmo os apóstolos, que fizeram milagres, não fizeram nada maior do que Jesus.

E nós, hoje, que não temos poder nem para curar uma gripe, quanto mais para levantar um morto, como Jesus fez?

 

As próprias evidências mostram que a ênfase não se encontra na esfera dos milagres que envolviam coisas desta vida.

Seria muita miopia se referir às obras de Jesus apenas como curas de doenças, multiplicação de pães e andar sobre a água.

Mesmo tenha atuado de maneira poderosíssima nessas áreas, não era o mais importante.

Aos olhos humanos é o que mais impressiona porque infelizmente o homem é muito ligado nas coisas daqui.

Mas foi na esfera ESPIRITUAL onde se situaram as grande obras de Jesus.

E foi essa DIMENSÃO ESPIRITUAL que Ele enfatizou ao falar “obras que eu faço.

 

* Ele veio cumprir profecias antiqüíssimas

* Revelou Deus aos homens

* Falou e agiu em nome de Deus

* Causou prejuízo tremendo aos domínios do diabo, o príncipe deste mundo;

* Ensinou verdades jamais antes reveladas

* Arrancou almas da escuridão e deu-lhes a luz da vida eterna

* Comprou a salvação para os pecadores

* Roubou o poder da morte

* Levou cativos para o céu os filhos de Deus.

 

Essas obras são muito mais poderosas, muito mais significativas para o reino de Deus,  mais destrutivas para o reino do diabo, do que o maior dos milagres que fez aqui na terra.

Os milagres tiveram  a sua importância, seus propósitos, especialmente como MEIO de mostrar a autoridade e o poder de Deus que Cristo tinha por trás do Seu ministério.

Os milagres tinham também intenção de ajudar pessoas a crerem em Cristo.

Mas Cristo já encerrou o ministério na terra e voltou ao céu.

Os milagres que fez estão registrados na Bíblia e são suficientes para levar alguém à fé:  Jo 20.30-31.

Ainda houve milagre dos discípulos, mas, penso que somente até o Cânon se formar. 

Portanto, NÃO É MAIS NECESSÁRIO MILAGRE HOJE.

 

Então façamos a pergunta um pouco diferente:

Mesmo que compreendamos essas obras na esfera espiritual, que tipo de obra espiritual faremos que é MAIOR que as de Jesus? Ele não REALIZOU a própria salvação? Não é Ele quem dá vida? Como faremos coisas maiores ainda?

 

A resposta é difícil. Sugestões:

* O EFEITO da pregação seria maior, com mais pessoas se convertendo.

Pedro, num só dia, levou 3000 pessoas a Cristo, após pregar. Quando esteve aqui, Jesus fez poucos seguidores.

 

* A abrangência do ministério dos discípulos de Cristo seria mundial; a dEle foi localizado em Israel e regiões.

 

* A duração do trabalho: Jesus: 3,5 anos. Discípulos: 2000 anos, até agora.

 

* A conversão, conseqüente da pregação dos discípulos, resultaria no envio do Espírito Santo para morar definitivamente no novo crente. Os convertidos de Jesus ainda não eram habitação do Espírito Santo.

 

Seja como for, irmãos, o fato é que HOJE podemos fazer obras tremendas, de imensa importância para o reino de Deus.

Pelo menos AOS OLHOS de Cristo essas obras são de valor incalculável. E o olhar dEle é o que interessa!

 

E PARA NÓS, será que essas obras aparentam tanto valor?

Sejamos francos e reconheçamos que as palavras de Jesus parecem meio exageradas, não é mesmo?

Não achamos assim tão fantásticas as obras que fazemos aqui, de pregar o Evangelho, trabalhar na igreja, etc.

Certamente que achamos importante, mas não a ponto de Jesus chamar de obras maiores que as dEle.

Sabe por que ocorre isso? Porque somos ligados neste mundo, somos superficiais e só conseguimos enxergar a superfície das coisas.

Nossa visão não penetra nos valores espirituais.

 

Quando menino, vi um filme em que um homem bebeu algo e ficou com visão de raio X.

Se bebêssemos mais das coisas do Espírito de Deus, certamente desenvolveríamos visão que penetraria no aspecto espiritual das coisas, veríamos as coisas na mesma escala de valores que Deus vê.

Nesse ponto iríamos reconhecer o valor ENORME das obras que fazemos (ou poderíamos estar fazendo) no trabalho de Deus.

 

Nos próximos versículos, Jesus torna mais fácil compreendermos como podemos fazer obras maiores que as dEle.

É que, a rigor, as obras que fazemos não são nossas, mas dEle! Veja:

 

v.12b-14

v.13: tudo qto. pedirdes em meu nome, isso (EU) farei

v. 14 praticamente repete: Se (me) pedirdes alguma cousa em meu nome, EU o farei.

 

Junto do Pai, Cristo iria REALIZAR obras poderosas EM NÓS e ATRAVÉS DE NÓS.

Então, quando no v.12 Ele se refere a obras que nós faremos, significa apenas que ELE FARÁ ATRAVÉS DE NÓS.

É como se dissesse: “EU farei através de vocês obras maiores que eu tenho feito diretamente, sem vocês”.

 

Então, a rigor, Cristo continua trabalhando intensamente neste mundo, procurando salvar vidas da perdição, edificar vidas de crentes, espalhar amor por este mundo.

Só que boa parte do trabalho Ele faz por nosso intermédio. (Digo “boa parte” porque o trabalho espiritual direto Ele faz através do Espírito Santo).

 

Essas considerações ensinam:

a) Seja mais exigente com a sua vida. Afinal, tudo o que você faz aqui é OBRA DE CRISTO por seu intermédio. Se for mal feita, o resultado recairá sobre Cristo.

 

Quando damos recado de outro para alguém, tomamos cuidado com as palavras, pois estamos comprometendo a pessoa que mandou o recado.

Quando agimos aqui, estamos comprometendo o nome de Cristo.

 

b) Seja HUMILDE no seu serviço, recusando receber glórias pelas suas capacidades.

Quando você trabalha, é Cristo trabalhando em você. Todo o mérito é dEle.

 

Martyn Lloyd-Jones não sabia datilografar e a letra era quase incompreensível.

Resultado: ditava os trabalhos para uma secretária.

Quando a secretária segurava original e lia, não podia pensar: Que bela meditação eu fiz nesse meu trabalho.

O trabalho era dela num sentido muito pequeno, mecânico, as letras. Mas o conteúdo era trabalho do grande pregador.

 

É importante lembrar que tudo isso seria possível porque Jesus iria para junto do Pai.

O Pai era o mesmo Deus de Israel. 

Quando eles orassem a Deus, Jesus estaria ao lado. Pai e Filho, juntos, realizando obras tremendas através dos salvos em Cristo.

 

Encerro com quatro observações:

1. Antes, os apostos estavam desanimados porque o Líder iria morrer.

Agora, o Líder estaria junto do Todo-Poderoso Deus de Israel, prometendo fazer o que eles pedissem! Novamente enorme mudança de perspectiva. QUE conforto!

Ex. Jaime Aquino: “estamos aqui”.  - Confortante ouvir.

 

2. A quem devemos orar?

v.13, implícito que é ao Pai.

v. 14: algumas versões omitem me (ex. Corrigida; NIV), indicando que seria ao Pai.

Outras passagens deixam claro que é ao Pai: Jo 16.23; o Pai nosso também indica isso.

Em suma: o modelo é orar ao Pai, em nome de Jesus.

Mas não é errado orar diretamente a Jesus.  

 

3. tudo quanto pedirdes em meu nome

Podemos pedir sem limites? Não.

Limite: “em meu nome”, ou seja, coerente com o nome, natureza, planos, vontade dEle.

 

4. isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho:

O Pai é honrado quando o Filho responde às orações feitas ao Pai em nome do Filho.

É como se o Pai respondesse através do Filho.

Não devemos separar muito as duas Pessoas.

Há uma interação misteriosa entre os dois.

Seja como for, eles trabalham em conjunto, em prol do reino de Deus, através dos salvos.

 

Está faltando algo no texto até agora: a atuação fundamental da 3a. Pessoa da Trindade. É o que veremos na próxima mensagem.

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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