PREGAÇÃO

O morrer de Jesus em meu corpo (Série 2 CORÍNTIOS 16 de 54)

2Co 4.10-15      64 minutos      14/09/2014         

Mauro Clark


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Após falar das experiências como crente, Paulo explica o sentido de tanto sofrimento, dando uma explicação teológica para o ministério cristão e explicando um aspecto da relação entre ele (e os ministros) e os crentes em geral.

 

v.10

morrer de Jesus: resumo dos sofrimentos a que se referiu (tribulações, perseguição, etc)

O que significa “levar no corpo o morrer de Jesus”?

Alguns pensam: levar uma vida perigosa e sujeito a morrer por violência, como Jesus.

Certamente inclui isso, mas a pista do v.11 vai mais fundo:

 

v.11

somos sempre entregues à morte POR CAUSA de Jesus

Levar no corpo o morrer de Jesus seria correr grandes perigos por causa do trabalho de Jesus, ou melhor, da CONTINUAÇÃO do trabalho de Jesus.

Jesus morreu por causa do ministério de salvação que Ele veio operar.

Ressuscitou e voltou para o céu: está consumado.

Mas isso significa que o ministério de salvação dEle cessou? Negativo! Esse ministério continua através dos crentes!

E é um ministério perigoso, pois é contra o príncipe deste mundo, é contra os poderosos deste século, é contra todo o sistema maligno que opera aqui.

Então, quem trabalha por Cristo (em especial um ministro), está constantemente exposto a perigos físicos, até mesmo à morte.

 

Olhando somente por este aspecto, trabalhar por Cristo pode parecer uma atividade sombria, lúgubre, quase mórbida.

Mas há um outro lado, espetacular, que fala de VIDA. E que vida: a vida de Cristo!

 

v.10: para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo

v.11: para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal

 

manifestar: φανεροω phaneroo: tornar visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, ser claramente identificado.

 

A vida de Jesus se manifestar em nós significa nós vivermos como Ele viveria: de modo  santo, resistente às tentações, justo, sem pecado, em perfeita comunhão com o Pai.

Parece um sonho! Um sonho que somente no céu se tornará totalmente realidade, mas em GRANDE PARTE pode se tornar realidade aqui nesta vida.

Já imaginou, alguém apontar para você e dizer:

- Sabe porque ele tem uma vida tão bonita? Porque Cristo manifesta a própria vida nele.

 

Mas é fundamental observar uma expressão presente nos dois versículos:

para que

O sofrimento, os perigos são NECESSÁRIOS, são CONDIÇÃO sine qua non, para que a vida de Jesus se manifeste em nós.

 

Querer ser espiritual, almejar viver com a pureza e santidade de Jesus, é excelente.

Mas é ilusão pensar que esse alvo pode ser atingido numa vida sem problemas, sem sofrimentos, sem pressões, sem hostilidades, só no conforto.

Jesus não viveu assim!

Simplesmente não funciona querer imitá-Lo em apenas um aspecto da Sua vida.

Se quiser que vida de Jesus se manifeste em você, prepare-se para levar no corpo o morrer de Jesus, enfrentando perigos e hostilidade, talvez a própria morte, como Ele.

 

Reflexão:

Se alguém lhe perguntar se ser como Jesus é um alvo na sua vida, você dirá “Claro!”

Ótimo! Mas qual o tamanho da seriedade que existe por trás desse alvo?

Exemplo clássico: menino diz que vai passar o sábado estudando para a prova de 2a., mas no primeiro telefonema do colega para ir jogar futebol, já está colocando o calção!

O objetivo de fato existia. Mas estava pendurado numa vontade tão fraca quanto um cordão velho. Tocou, caiu!

 

Examine se o seu “Claro, quero ser como Jesus” é assim tão frágil.

Qualquer dificuldade, tentação, qualquer convite do mundo, o seu querer despenca.

E mais: às vezes os maiores obstáculos para não sermos como Cristo não são grandes tentações, graves pecados, terríveis perseguições, mas a sutileza do dia a dia, do comodismo que adia o seu serviço; não querer ser alvo de gozações dos amigos; as atrações não pecaminosas do mundo.

A soma dessas coisas vai lhe afastando da autêntica vida de serviço cristão, e portanto lhe expondo menos ao “morrer de Jesus”.

Resultado: a vida de Jesus será fracamente manifestada em você.

 

Até aqui, o “nós” de Paulo incluía ele mesmo em primeiro lugar, ministros do Evangelho e, de maneira geral, os crentes.

Do v. 12 ao 15, uma novidade: o “nós” se concentra nele e nos ministros, líderes de igreja, e surge o “vós”, os crentes em geral, liderados.

 

v.12: De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.

A ideia é: Paulo se empenhava muito, arriscava a própria vida, enfrentando o morrer de Jesus constantemente, para que os irmãos crescessem em Cristo, ou seja, para que os irmãos tivessem cada vez mais a vida de Jesus manifesta neles.

 

Talvez muitos em Corinto tenham pensado:

- Puxa, este homem arriscando a morrer por nós, para que tenhamos vida em Cristo e o que nós damos a ele é acusação, crítica, constrangimento. Que vergonha para nós!

 

Seja como for, aqui tem grande lição para pastores e líderes:

Se não compreender que a sua vida é enfrentar dureza para que os irmãos cresçam, saia do ministério. E os candidatos, nem entrem!

Se não compreender que todos os seus esforços poderão ser deturpados por pessoas mal intencionadas que tentarão influenciar outras, saia do ministério.

Se não estiver pronto para enfrentar ingratidão, saia do ministério.

 

Na próxima frase, é provável que Paulo esteja respondendo a uma pergunta do tipo:

- Paulo, e por que você dedicou a vida a um ministério tão duro, tão sujeito a ingratidão por parte daqueles mesmos a quem você quer ajudar?

E como você AGUENTA desenvolver um trabalho assim tão pesado?

 

v.13: Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos,

 

Numa só palavra: fé. É por fé que eu enfrento tudo isso.

E ligou essa característica da fé com a do salmista do Sl 116.10.

Contexto: o salmista estava em perigo de morte, angustiou-se profundamente (v.3) e clamou a Deus (v.4). Deus ouviu e ele voltou ao sossego (v.7)

E no v.10 explica: mesmo estando aflito e pedindo socorro a Deus, eu não deixei de ter fé nEle. Aliás, pedi socorro e confiei no Senhor exatamente porque tinha fé!

 

Como se Paulo dissesse: “Eu digo todas essas coisas, falo dos meus sofrimentos, etc,

não é para me gabar, ou por desespero, mas porque tenho certeza de que fui chamado exatamente para isso e serei protegido, amparado, animado, atendido”.

 

v.14: sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

De tanto falar em sofrimento e morte, é natural que Paulo esteja com a possibilidade da morte bem diante dele - a morte dele a a dos irmãos.

Só que ele nem fala em morte e passa direto para a ressurreição! 56

 

É como se dissesse: “Podemos hoje ser diferentes, no sentido de que eu prego e vocês escutam; eu ensino e vocês está aprendem; eu oriento e vocês seguem. Eu me exponho a todo tipo de perigos e dificuldades e vocês se beneficiam com isso. Alguns me acusam, eu me defendo. Outros me amam e eu me alegro. Seja como for, irmãos, um dia estaremos todos com o Senhor e Ele me apresentará juntamente com vocês. Ele saberá avaliar perfeitamente o que eu fiz.”

 

Quando enfrentar dificuldades com irmãos em Cristo, pense no futuro, na ressurreição, no céu. Todos estarão juntos no céu.

Você verá como o irmão parecera mais simpático ou menos antipático aos seus olhos.

E os problemas de relacionamento parecerão bem menores.

 

v.15

Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.

De modo bonito, Paulo termina o trecho dizendo que no final, tudo do que ele estava falando (Cristo, ressurreição, salvação, pregação do Evangelho) é resultado do amor de Deus por eles.

E quanto mais graça Deus derrama sobre eles, mas se enchem de gratidão e mais dão graças a Deus, num CICLO VIRTUOSO, tudo resultando para a para a glória de Deus.

 

Procure avaliar as coisas daqui com medidas espirituais, como Deus faz.

Particularidades daqui são passageiras. Se prestar atenação demais a elas você não enxergará com clareza tudo o que Deus opera por você e sua gratidão será fraca.

Mas lembre-se que a sua graça contribui para o louvor da glória dEle.

E você, amigo, corra a Cristo e veja o que é ter a vida dEle manifestada em você.

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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