PREGAÇÃO

Prazeres inúteis (Série ECLESIASTES 4)

Ec 2.1-11      63 minutos      15/11/2020         

Mauro Clark


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Salomão passa a examinar muitas áreas da vida ligadas com prazer, satisfação, alegria, comodidade - e tira suas conclusões. 

Há alguma repetição, como se quisesse expandir o que já falara no trecho anterior.

Ler v.1-8

* v.1-2: alegria... riso
Das 7 áreas examinadas, essa é a única da qual tira conclusão individual: riso é loucura; alegria, de que serve?
Como no cap. 7 ele volta a falar do tema alegria e tristeza, comentarei quando chegar lá. 

* v.3: Efeito do álcool:  dar-me ao vinho… regendo-me pela sabedoria.

Parece que, quando se embriagava, não chegava ao ponto de perder a consciência. 

* v.3: Loucura: heb: insensatez (NVI: extravagância)

Qualquer coisa meio aloucada, sem bom senso. 

* v.4-7: Consumismo pesado, saciando plenamente avontade de ter, e muito!

Construiu casas, vinhas, jardins, pomares, árvores, açudes, bosques, comprou escravos, criou bois e ovelhas.Tudo isso em grande quantidade. 

* v.8: ... amontoei para mim prata e ouro e tesouros de reis... (2Cr 9.13-28)

Riqueza abundante, vinda de países conquistados por Davi ou em aliança com Salomão. 

* v.8 Divertimento, festas, jantares – ... provi-me de cantores e cantoras 

* v.8: ... e (provi-me ) das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres

NVI: ... e também de um harém, as delícias do homem.
Sexo à vontade, com centenas de mulheres para escolher, quando quisesse.

Salomão foi fundo, não apenas em pesquisar a vida, mas em experimentar pessoalmente todo tipo de comportamento que pudesse.

Poucas pessoas na história da humanidade chegaram ao ponto de poder e riqueza de Salomão e de se entregar com tanta avidez ao objetivo de fazer o que tinha vontade, sem interessar se era certo ou errado, decente ou imoral, aceitável ou não.

Obviamente Salomão concluiu: “Que vida boa! Foi um sonho realizado! Como fui privilegiado. Eu queria ir até os 100 anos, e com muita saúde, para gozar cada dia.”

Será que foi assim? 

v. 9

Como que para valorizarem bem o que ele iria concluir, fala novamente sobre a sua grandeza, declarando que foi o maior dos que viveram em Jerusalém (inclusive o pai dele!) – e em todos os aspectos: poder, riqueza, glória, inclusive sabedoria, que sempre manteve intacta. 

Faz um espécie de resumo de tudo o que descrevera:

v.10

Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma

Fez tudo o que teve vontade.

Onde houvesse uma oportunidade de qualquer tipo de alegria, ali estava ele.

Aqui entra um toque agridoce, um pequeno choque de realidade:

... pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas.

Reconhece que, mesmo junto com a alegria por realizar tudo o que queria, havia fadiga (trabalho, canseira, aflição).

Mesmo assim, não se deixava abalar e considerava a alegria como uma recompensa pelo trabalho. 

Importante lembrar que, em todas essas experiências, sempre a sua sabedoria estava a postos, atentíssimo para ver o que concluiria como resultado que tudo.

Então vem a conclusão: 

v.11

Considerei: hebr.: virar em direção a, prestar atenção para

Resumo das avaliações feitas até aqui: tudo era vaidade (nulidade) e correr atrás do vento. Nenhum proveito havia debaixo do sol

Ou seja, : tudo deu em nada.

Salomão não se sentiu mais feliz, mais completo em nada do que fez.

E nem encontrou explicação para o sentido da vida. Não havia proveito em nada.

De fato, houve alguma alegria, mas sempre fugaz e acompanhada de fadigas, canseira.

Tudo era tão sem sentido quanto correr atrás do vento. 

O que aprendemos de prático para as nossas vidas, hoje?

Bebidas alcóolicas

Não seria honesto usar essa passagem para condenar o vinho, como se Salomão assim tivesse feito.

Ele não condenou o vinho por si mesmo, apenas disse que o vinho, mesmo usado moderadamente, não dava sentido à vida, como também as outras experiências. 

O assunto da bebida alcoólica na Bíblia é muito complexo, que merece um estudo à parte.

Resumindo, a Bíblia não proíbe de maneira absoluta o consumo de vinho (álcool).

Há inclusive referências positivas sobre a alegria e alívio das tensões que o vinho provoca, o uso como parte das refeições, como remédio, até como antidepressivo. 

Mas a própria Bíblia reconhece que há risco no consumo de álcool, como se fosse uma batalha, em que o que bebe muito se tornou perdedor, vencido pelo vinho.

De fato, é muito difícil traçar uma linha entre o “estar alegre” e a embriaguez.

E a embriaguez é forte e claramente condenada pela Bíblia, aliás, pelo próprio Salomão, em Pv 23.29-35; 20.1.

A Bíblia aponta duas questões sensíveis sobre vinho/álcool:

* A quantidade. O “estado alegre” da bebida, um sentimento de leveza e ligeiro torpor, é inegavelmente agradável. E é exatamente esse estado que procura a maioria dos que bebem.

O problema é que dá vontade de continuar e termina bebendo mais do que deveria e se embriagando mesmo. Esse excesso (mesmo de bebida leve) é perigoso e condenado.

* O teor alcóolico das bebidas. Há clara referência na Bíblia sobre bebidas fortes, altamente condenado.

Seja como for, beber muito (bebida leve) ou mesmo pouco (mas utilizando bebida forte) envolve grande risco de virar costume e depois, vício – que é altamente destrutivo em todos os aspectos: pessoal, familiar, social, profissional, etc.

Além desses aspectos, no assunto de vinho/bebida alcóolica é preciso considerar outras questões bíblicas de tropeço aos irmãos (onde entram valores culturais), bom testemunho, motivações, etc.

 

Extravagancia

O mundo gosta de extravagâncias (coisas que chocam na própria cultura).

Exemplo: calças rasgadas, cabelo roxo, nariz furado.

Mesmo considerando-se as extravagancias não pecaminosas, é tudo muito fútil.

 

Consumismo: um dos ídolos desta era (aliás, de todas!).

Devemos ter muito cuidado com 3 perigos:

a) Comprar por vício, sem se importar se precisa ou não daquilo

b) Comprar para competir

c) Achar que sua vida vai melhorar de qualidade intrínseca. Isso leva à idéia pagã do materialismo, de que as coisas nos trazem felicidade.

Salomão concluiu que não trazem!

 

Riqueza

Este é assunto tão sensível que Salomão ainda falará outras vezes no livro.

A noção de que riqueza traz felicidade é um dos grandes “cantos de sereia” de Satanás.

Há benefícios, é claro, mas também malefícios.

Converse com um rico, vá fundo, conheça a intimidade dele.

E você verá com ele também tem problemas, preocupações, frustrações – mesmo na área financeira.

Não são os mesmos problemas de quem tem pouco dinheiro. Mas alguns são até piores e podem fazem sofrer muito mais.

 

Excesso de divertimento, lazer, festas, reuniões, não traz satisfação.

Mesmo nós, crentes, devemos estar atentos a isso.

Passeios, lazer, reuniões com amigos, filmes, jogos – mesmo saudáveis -, devem ser praticados com sabedoria e moderação, jamais pensando que darão mais sentido à vida. E o excesso será prejudicial ao nosso espírito. Sejamos equilibrados.

 

Sexo

Sexo não preenche a vida de ninguém.

Jovens nunca estiveram tão esquisitos, perdidos, infelizes como hoje, numa época de sexo livre e cada vez mais cedo.

Sexo fora do casamento é pecado. Ponto final!

E quando digo que sexo não preenche a vida de ninguém, não me refiro apenas a sexo fora do casamento.

O sexo dentro do casamento também não preenche!

Claro que dá prazer, é permitido por Deus, satisfaz um instinto fortíssimo, mas não completa toda as necessidades de um relacionamento complexo como o do casamento.

 

Em suma, nada preeche de maneira plena o coração de ninguém, embaixo do sol.

Se quisermos realmente uma vida com sentido, teremos de olhar acima do sol.

E ali, encontraremos Cristo! 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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