PREGAÇÃO

Acha razoável, querer apenas receber?

2Co 8.6-11      52 minutos      07/06/2015         

Mauro Clark


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6 o que nos levou a recomendar a Tito que, como começou, assim também complete esta graça entre vós.7Como, porém, em tudo, manifestais superabundância, tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e em nosso amor para convosco, assim também abundeis nesta graça.8Não vos falo na forma de mandamento, mas para provar, pela diligência de outros a sinceridade do vosso amor;9pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.10E nisto dou minha opinião; pois a vós outros, que, desde o ano passado, principiastes não só a prática, mas também o querer, convém isto.11Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo segundo as vossas posses.
############

 

Continua o assunto do levantamento da oferta para os crentes pobres de Jerusalém.

Dos v.1-5 Paulo exaltou fortemente os macedônios, que, mesmo pobres e com grandes privações, foram muito generosos (na doação de dinheiro e, alguns, deles mesmos).

 

Agora Paulo concentra na exortação aos próprios coríntios.

v.6: Paulo envia Tito para levantar a oferta entre coríntios, ou melhor, continuar.

 

v.7-8

Habilmente, Paulo mistura exortação com elogio, repetindo o que já dissera em 1Co que eles abundavam em dons espirituais (1Co 1.4-7 e caps. 12, 13 e 14):

: talvez não a fé que salva, mas o dom de crer, de acreditar em algo específico de Deus.

palavra: a Palavra de Deus era abundante no meio deles (pode envolver as dons de profecia, língua e interpretação - tratados em 1Co)

saber: dom da sabedoria, de entender as coisas pela visão de Deus

cuidado: grego:  estar pronto para agir, fazer ardentemente

amor (há discussão se é amor de Paulo para os coríntios ou vice-versa).

 

Veja o tato de Paulo: junto com o pedido, ele elogia várias virtudes dos coríntios.

E com base nessas virtudes, usa um argumento lógico: se vocês são tão virtuosos nessas coisas, certamente serão na prática da doação.

 

E deixa claro que aquilo não era uma ordem, mas um meio de provar o amor deles.

Ninguém tem o direito de obrigar outra pessoa a dar.

Breve veremos que nem o próprio Deus faz isto.

 

Observação interessante:

Paulo tinha também muitas críticas para os mesmos irmãos: partidarismo, soberba, impureza, uso indevido dos próprio dons, abertos a más influências, coração estreito, etc.

Mas os defeitos deles não anulavam as virtudes. E as críticas não impediam elogios!

Lição dupla:

1. Não apenas critique. E nem apenas elogie. Faça as duas coisas.

2: Do jeito que você sabe receber elogios, encare como natural receber também críticas.

 

Voltando:

v.9

Novo argumento, deixando o exemplo dos macedônios bem modesto: o próprio Senhor Jesus Cristo, que era rico e se fez pobre.

Não é que Jesus era um homem rico, vendeu tudo o que tinha e deu para os outros, inclusive os coríntios.

Jesus já nasceu pobre, não tinha nada!

E como foi que Ele se fez pobre? Em outras palavras, ficou pobre de que? De glória! De poder, de majestade!

Aqui fala do esvaziamento dele (kenosis).

Ele tinha muita glória com Pai: Jo 17. 5

Muito poder: Cl 1.13-16; Jo 1.3; 1Co 8.6; Hb 1.2

Mas Ele deixou a Sua glória, abriu mão dela por um tempo, tornou-se homem, humilhou-se, obedecendo a Deus até a morte: Fp 2.5-8

Não estou falando de alguém que tinha R$100 milhões no banco e o banco quebrou, ou milhares de cabeças de gado e uma virose dizimou tudo, ou uma grande indústria e incendiou, ou de quem perdeu as duas pernas num acidente.

 

Essas coisas são pequeninas, insignificantes, se comparadas com o assunto aqui: estamos falando da glória divina! Nem temos ideia do que seja isso.

O fato é que Jesus deixou a glória divina e se tornou um homem comum em Nazaré, um servo, sujeito a sofrimentos. Isso é que é empobrecer!

 

Se pedíssemos um exemplo bíblico de alguém riquíssimo, que perdeu tudo de repente, pensaríamos em Jó.

Mas, por mais que Jó tenha perdido, ainda é um exemplo muito fraquinho, comparado com Jesus. Esse sim, perdeu muito, muitíssimo!

 

E mais: Jó não abriu mão das suas coisas, perdeu mesmo, acima da sua vontade.

Que exemplo bíblico há de alguém que conscientemente abriu mão de coisas valiosas?

Moisés: neto do Faraó, abriu mão de poder, riquezas, cultura, para servir a Deus.

O próprio Paulo: considerou sua origem, formação, tudo, como refugo para ganhar o conhecimento de Cristo.

Mas também são exemplos pobres, comparados com Cristo.

Cristo também perdeu tudo de forma consciente, só que envolvia infinita glória!

 

Ninguém no mundo entende mais de empobrecimento do que Jesus Cristo!

Mas, por que mesmo Ele se tornou pobre? Foi um acidente? Não, foi por amor:

... por amor...

Mas amor a quem? Ao Pai celeste? Não.

... de vós - os discípulos dEle, os eleitos de todas as épocas, os que exerceram fé.

 

E POR QUE o amor de Cristo por nós exigiu que Ele empobrecesse?

... para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos

 

- Então Ele doou toda a Sua glória e poder para nós? Não e sim!

Não, porque Ele não chegou aqui distribuindo toda a Sua glória e ficou sem nenhuma.

Ele tornou-se pobre ao assumir uma natureza humana, esvaziando-se da glória divina por um tempo, e uma vez homem, ofereceu-se para morrer em nosso lugar e nos REDIMIR.

E essa redenção inclui além do perdão de pecados, tornamo-nos filhos de Deus e co-herdeiros com Ele, Cristo.

E depois de ressuscitar e voltar a céu, reassumiu a toda a Sua glória e o Seu poder.

E concedeu REPARTIR tudo conosco! Essa é a parte do “sim” da nossa resposta.

Que Salvador, nós temos, irmãos!

 

Voltando:

Irmão, não é suficiente apenas achar tudo isso muito bonito, sentir-se grato a Cristo e só.

Veja o CONTEXTO em que tudo isso está colocado: prática da caridade.

Cristo foi CARIDOSO com os coríntios. E Paulo O usa como EXEMPLO para entusiasmá-los. Se os coríntios achavam bonito o exemplo de Cristo, então que O imitassem!

 

Cristo foi CARIDOSO com você também. Não é razoável querer apenas receber!

Abra o coração e deixe que o Espírito Santo lhe entusiasme também para abrir mão de dinheiro, de tempo, de energia, para beneficiar pessoas. Beneficiar não apenas com coisas materiais, mas espirituais também.

 

v.10-11a

Paulo agora pede coerência dos coríntios. Há um ano já haviam demonstrado desejo de contribuir e até mesmo haviam iniciado a campanha.

Pois agora estava na hora de recomeçar e terminar.

Que não ficassem apenas no querer, mas transformassem a vontade em ação.

 

Coisa patética é pessoa dizer que tem certa virtude, mas as ações não mostram, ou pior, indicam o contrário.

Uma delas é falar que morre de pena das pessoas, que gostaria muito de ajudar, mas não movem uma palha.

Se for o seu caso, é bom começar a combinar querer com fazer.

 

v.11b

O v. 11 termina lembrando que a doação é proporcional às condições de cada um.

Desenvolverei o trecho v.11b-15 no próximo Domingo,

 

Que Deus nos abençoe!

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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