PREGAÇÃO

Amor que me constrange (Série 2 CORÍNTIOS 23 de 54)

2Co 5.14-15      56 minutos      11/01/2015         

Mauro Clark


headset Ouça
cloud_download Baixe
print Imprima
pregação close Amor que me constrange (Série 2 CORÍNTIOS 23 de 54)
volume_upReproduzindo o áudio na barra inferior

v.14a

Pois o amor de Cristo nos constrange...

Pois...: Paulo continua o assunto anterior, aliás, uma frase meio misteriosa, que já explicamos: Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós outros

 

... o amor de Cristo nos constrange

Não é o amor que temos por Cristo, mas o amor que Cristo tem por nós.

contranger: συνεχω sunecho: lit.: manter entre, apertar,  comprimir, prensar com a mão, pressionar por todos os lados, sitiar uma cidade, forçar um navio a navegar através de um canal com reduzido espaço; encurralar o gado; Fig.: estar aflito, em dificuldade, impelir (NIV: “compels”) (Strong).

 

O amor de Cristo é tão grande que nos encurrala, nos deixa sem opção, nos impele a uma determinada atitude. Surge pergunta importante:

O que esse amor tão grande fez por nós?

 

v.14b

... julgando nós isto um morreu por todos

Resposta direta e simples: Cristo morreu por todos. Que “todos”?

 

Antes de responder: posições sobre abrangência da morte Cristo:

* Universalismo: Cristo morreu efetivamente por todos e todos serão salvos: heresia.

* Arminianismo: Cristo morreu por todos de modo que a graça de Deus alcançou a todos, e agora cada pecador tem o poder de aceitar ou rejeitar a salvação (o famoso livre arbítrio). Discordo profundamente.

* Calvinismo: se subdivide em dois:

- Cristo morreu exclusivamente pelos eleitos e em nenhum sentido pelos perdidos

- minha posição: apenas os eleitos se beneficiarão da salvação de Cristo, embora o sangue de Cristo tenha poder para comprar a alma de cada ser humano e deu a base para a salvação de qualquer homem que exercesse fé em Cristo.

Mas, enfatizo: o sangue de Cristo só irá salvar os eleitos, que receberão fé como um dom de Deus.

 

Voltando:

Nesta passagem, penso (como muitos) que “todos” se refere ao mesmo “nos” do v.14a e ao “nós” do v.16: os salvos.

Como se fosse “todos OS SEUS”.

O próprio restante da frase reforça esta explicação:

... logo (portanto, então) todos morreram

Esse “morreram” não se refere à morte em Adão que todos os homens passaram.

Mas fala de uma CONSEQUÊNCIA da morte de Cristo.

Ou seja, todos pelos quais Cristo morreu, de fato morreram (espiritualmente) com Ele.

Obviamente não se pode dizer isso de toda a raça humana.

 

Em suma:

O eleito foi amado de tal forma que Cristo morreu por Ele e permitiu que, pela fé, se unisse a Ele (Cristo) inclusive na própria morte dEle.

Quando o salvo raciocina chega a uma conclusão: “Puxa, é tão espetacular o que Cristo fez comigo que fiquei num aperto, encurralado, só tenho um caminho a seguir”.

Mas... que caminho?

 

v.15

E ele morreu por todos, PARA QUE os que vivem não vivam mais para si mesmos...

... para que: ινα hina: a fim de que, para que: indica propósito.

O crente (que ganhou vida pela morte de Cristo) não deve viver mais para si mesmo.

Ou seja, há um tipo de vida que NÃO é adequada para o crente!

Que vida? Viver para si mesmo. Mesma verdade de Gl 2.19-20

Já não somos de nós mesmos, fomos comprados: 1Co 6.19-20

 

Consequência disso: o crente que vive para si mesmo está se apropriando de um pedaço de vida que não é dele e aplicando de maneira contrária à vontade do seu dono.

É apropriação indébita, uma espécie de roubo!

 

Mas, se eu não vivo mais para mim mesmo, vou viver para quem? Resposta óbvia:

... para aquele que POR ELES morreu...

... por eles: υπερ huper: em benefício de (entre outros significados).

O benefício aqui tem o sentido de “no lugar de”.

É muito agradável o crente poder dizer: “Pois é amigo, Cristo morreu pelos meus pecados. Como é que pode, o próprio Filho de Deus, deixar o céu e vir a esse mundo perdido, dar a vida por mim. É muito amor. É demais, fico até em aperto com tanto amor”.

 

Só que Paulo não deixa o crente parar o raciocínio nesse ponto. Como se perguntasse:

- Então você acha bom dizer que Cristo morreu no seu lugar! E essa substituição foi para valer mesmo? Ótimo. Mas sabe o que isso significa?

Que a sua vida não tem mais sentido à parte de Cristo.

Você a teria perdido se não fosse Ele. Sua vida agora é dEle.

Por uma questão de lógica, de coerência, de obrigação e de gratidão, você agora tem de viver para Cristo: querendo fazer a vontade dEle, para a glória dEle!

 

Interessante: quando perguntei “Se eu não vivo mais para mim mesmo, vou viver para quem?” acho que todos concordaram comigo quando falei que a resposta óbvia era: Para aquele que por eles morreu, ou seja, Cristo.

 

Mas será que o “óbvio”, para você, fica só na resposta?

Esse “óbvio” está na realidade da sua rotina, dia a dia vivendo MENOS para si mesmo e MAIS para Cristo?

 

Voltando:

Mas o amor de Cristo por nós e que nos constrange, não se limitou a levá-Lo à morte:

... e ressuscitou

Que verbo: ressuscitou! Jesus não ficou na morte. E nem poderia!

Ele está vivíssimo, no céu, superpoderoso.

E mais: nos ressuscitou com Ele!

Do modo que, pela fé, morremos com Ele, também ressuscitamos com Ele: Cl 2.12-13

Não é apenas que ressuscitaremos depois de morrer. Mas JÁ ESTAMOS ressuscitados.

Veja que passagens misteriosas e espetaculares: Cl 3.1-2; Ef 2.6

 

Irmãos, na realidade somos muito mais “seres extraterrestres” do que imaginamos!

E menos “seres terrestres” do que insistimos teimosamente em ser.

E quando você deixa em segundo plano o viver para Cristo e supervaloriza as coisas deste mundo, sabe o que isso prova? Que você NÃO ENTENDEU BEM as consequências do amor de Cristo na sua vida.

Tudo bem que você diga que Cristo lhe amou porque morreu na cruz por você. Mas se limitar a repetir isso meio mecanicamente, sem se sentir em aperto, irrequieto, impelido a viver de modo diferente, mostra que você ainda está muito rasinho na compreensão do que Cristo fez por você e espera de você.

Reflita nisso e viva mais para Ele!

E você, amigo, peça a Deus fé, para que você creia em Cristo, morra com Cristo, ressuscite com Cristo e viva para Cristo!

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 68 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
FalandodeCristo © 2004-2021
"... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus."
1 Co 1.24b
close
Ministério Falando de Cristo © 2004-2021 - www.falandodecristo.com
"... pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus." 1 Co 1.24b