PREGAÇÃO

Carências de uma fé pequena (Gideão 2/3)

Jz 6.25-40      56 minutos      30/08/2015         

Mauro Clark


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v.25-26

naquela mesma noite

Deus não colocou nem mesmo 24 horas entre a chamada de Gideão e o início das atividades dele como juiz e redentor de Israel. Foi imediato.

Davi: após ungido para ser rei, levou 7 anos para assumir em Judá e mais 7,5 em Israel.

Paulo foi convocado no mento da conversão, mas passou 3 anos na Arábia (preparando-se para o ministério).

O tempo entre a convocação e o próprio serviço varia.

Se você tem chamada para o ministério, pode ser que seja necessário algum tempo preparando-se para o seminário, depois vários anos no próprio seminário, etc.

Mas pode ser que de repente você comece a pregar ou desempenhar sua chamada, e quando vê, já está em plena atividade. Seja como for, se disponha!

E isso não é válido apenas para ministério de pastor ou missionário.

Mas para qualquer serviço cristão.

De repente você pode ser ver envolvido num serviço que nunca havia pensado em fazer!

 

1a. tarefa de Gideão: Derrubar um altar pagão do próprio pai, matar um boi também do pai e oferecê-lo a Deus, utilizando a madeira do poste-ídolo que derrubou.

Ou seja, tarefa árdua (altar de pedra, talvez bem grande) e que exigia muita coragem.

Veja como Deus se irritava com aquele poste ídolo e mandou Gideão partir para o ataque.

 

Há muitos crentes cuja filosofia é não se envolver em confronto doutrinário, negando-se a qualquer tipo de denúncia de qualquer tipo erro.

Mas denunciar o erro faz parte da vida cristã.

Sei que os tempos mudaram e alguns métodos de Deus também.

E que Ele não deseja que derrubemos altares de santos por aí.

Mas a natureza de Deus não mudou.

E se Ele se irritava com a idolatria séculos atrás, é óbvio que continua se irritando hoje.

E nos incita a repelir, a recusar, a denunciar  - não de maneira obsessiva, perseguidora, como um fim em si mesmo. Mas de forma sábia, apropriada, embora corajosa.  

O mínimo que devemos fazer é nos afastar de práticas baseadas em más doutrinas.

Creio ser irritante a Deus o crente que trabalha junto, que comunga com os que se chamam cristãos mas com doutrinas erradas, enfatizando pontos em comum e fechando os olhos para diferenças básicas.

 

v.27

Gideão tomou dez servos para ajudá-lo e fez o que Deus mandou.

... temendo ele...

Teve medo do pai e dos parentes e dos homens da cidade. Por isso, foi de noite.

Talvez mais precaução do que medo. E com razão, como veremos!

Não parece ter sido covarde e nem desobediente (Deus não marcou a hora).

E mesmo de noite, foi preciso coragem.

 

Quando à questão do medo, é normal e até instinto de proteção.

Não creio que, em si, seja ofensivo a Deus.

Agora, se Deus dá ordem específica e diz “não temas, etc.”, nesses casos o medo passa a magoar a Deus.

 

No serviço cristão, se tiver medo, ore: “Senhor, não permitas que o meu medo te ofenda. Se for instinto, ou prudência, tudo bem. Mas se for desconfiança de Ti, arranca de mim!”

 

v.28-32

No dia seguinte, os homens descobrem tudo.

Irados e certamente chocados, procuram saber quem foi e descobrem: Gideão.

Foram até o pai, Joás, e pedem que traga Gideão para morrer.

 

Joás usa argumento interessante: se Baal é deus, que se defenda.

É tão ofensivo defendê-lo, que seja morto quem fizer isso.

Pergunta: se Joás era adorador de Baal, porque agiu assim?

Duas opções:

 

1. Não era muito convicto e o amor pelo filho falou mais alto.
Como muitos religiosos de hoje: sem convicção, segue apenas pela tradição ou conveniência. Tão logo surgem dificuldades ou outros interesses, deixam de lado.

2. Era convicto e achava sinceramente que os adoradores não deveriam se meter, mas deixar com Baal.
O argumento é interessante e atraente, mas não é sempre válido.


O próprio Deus verdadeiro não quis derrubar diretamente o altar de Baal, mas preferiu mandar um servo fazer.

Claro que poderia ter contendido por Ele próprio.
E de fato muitas vezes Deus age sozinho e toma providências diretamente.
E isso serve de conforto quando enfrentamos problema grande demais para nós.

Seja como for, por incrível que pareça, Joás conseguiu convencer o povo e nada fizeram.

Claro que por trás do poder de argumentação de Joás estava a mão de Deus, confirmando a chamada de Gideão e protegendo-o.

Gideão passou a ser chamado Jerubaal, que significa “Baal contenda”.

 

Aqui há um pulo no tempo. Não sabemos exatamente quanto.

 

v.33-35

Midianitas e outros povos se juntaram no vale, preparando-se para atacar Israel (v.3-5).

O Espírito do Senhor reveste a Gideão, que manda convocar a própria família para a batalha, depois o restante da própria tribo e depois outras tribos do norte.

Todos atenderam a chamada: prova de que Deus estava com Gideão.

 

v.36-38

Famosa passagem da lã.

Por fora, Gideão era um homem intrépido, que assumiu a liderança de Israel e convoca o povo para enfrentar os poderosos inimigos.

Por dentro, um homem frágil, vacilante, desconfiado e fraco de fé.

 

... se hás de livrar a Israel por meu intermédio, COMO DISSESTE

O próprio Gideão reconhece que Deus já havia dito que livraria Israel por intermédio dele.

Alguem poderia perguntar para Gideão:

- Mas, para que outra prova? Para você, a palavra de Deus não era suficiente?

Ele diria: - Claro que é! Mas um reforçozinho não faz mal a ninguém!

O problema é que uma fé pequena precisa de comprovações, de mais provas.

 

E pede: se a lã estiver molhada e seca ao redor, é porque Deus iria livrar Israel por intemédio dele. Veja como Gideão repete “como disseste”.

Isso comprova que, para ele, a palavra de Deus tinha valor. Era só queria um reforço!

A modesta fé dele exigia isso.

E Deus pacientemente atendeu.

Pronto, Gideão agora se convenceu e partiu para a luta. Certo? Errado!

 

v. 39-40

Incrível, Gideão pede mais uma prova.

Agora o contrário e mais difícil: só a lã seca, molhado ao redor.

E mais incrível ainda: Deus atende de novo, sem reclamar!

 

Pergunta: porque Deus não se irritou? Porque se dispôs a conceder duas vezes o pedido de Gideão, numa coisa totalmente desnecessária?

Gideão cria em Deus, queria obedecê-Lo, tinha boa vontade, mas simplesmente sua fé pequena não conseguia deixá-lo tranquilo.

Talvez por humildade se achava pequeno demais. Tudo o que queria era mais convicção. Não era uma questão de ser mais fiel, porém mais convicto.

E ele não podia ter uma convicção maior do que sua fé podia fornecer.

 

Quando Deus olhava para o coração de Gideão, via sinceridade e até uma grande luta interna: vontade de trabalhar x falta de convicção, que o deixava confuso, angustiado..

 

Termino com duas lições:

1. Se você tem disposição de servir a Deus, mas sua fé necessita de algumas provas ou indicações, peça a Deus.

Ele tem o coração larguíssimo para esse tipo de atitude.

O que NÃO deve é dizer: “Não sei se Deus quer que eu faça isso, vou esquecer o assunto”.

Disponha-se, busque a Deus, como Gideão. Peça orientação, mas seguindo em frente. (Talvez pedindo sinais mais razoáveis, não tão esquisitos).

Com esses espírito, Deus não se irritará com você. Lhe compreenderá e terá paciência.

Ele nunca lhe cobrará um serviço de fé maior que a sua fé possa fazer.

O que cobrará, sim, é esforço próprio e súplica a Ele para que aumente nossa fé: Lc 17.5

 

2. Se você tem ou acha que tem fé robusta, tenha paciência com o que não tem.

E nem o tímido chame o ousado de imprudente, fanático, que só quer aparecer etc.

Cada um se comporte diante de Deus e dos outros conforme a fé que tem: Rm 14.22

 

Que Deus nos abençoe com todas essas lições. Amém 

Mauro Clark, 69 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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